De Hilo a Kona: cachoeiras, vales e paisagens lunares

por: Lucia Malla Big Island, Havaí, Ilhas, Viagens

Como falei num post anterior, na volta de Hilo a Kona, decidimos vir pelo norte. Assim cobriríamos afinal o perímetro quase todo da Big Island do Havaí. Este perímetro só não foi coberto completamente porque há uma leve “quebrada” para encurtar o caminho, chegando mais rápido em Kona pela rodovia.

Antes de sair de Hilo, fomos tomar café da manhã no Kene’s, um desses lugares bem típicos havaianos de café da manhã. E que definem o porquê dos altos índices de diabetes entre os moradores das ilhas. Os pratos com muita gordura, doces e gigantescos, fartura de carboidratos enfim. Como nós praticamos uma dieta bem regrada, a indulgência do brunch não foi portanto um grande problema. Mas confesso que me espantei com o tamanho do taco, quase uma bacia e recheado de itens hipercalóricos como sour cream e guacamole. Ai meu pâncreas…

De Hilo a Kona

O café da manhã de domingo de boa parte dos havaianos no Kenne’s: muita gordura e carboidratos, essa parece ser a lei.

Jardim Botânico de Hilo e ‘Akaka Falls

Saímos de Hilo debaixo de uma garoa que foi ficando cada vez mais forte. A primeira parada foi no Jardim Botânico por algumas horas, que contei anteriormente no blog. Depois seguimos para as cachoeiras ‘Akaka e Kāhūna, que ficam num mesmo parque, o parque estadual de ‘Akaka.

De Hilo a Kona - cachoeira de Akaka

Cachoeira de ‘Akaka e sua atmosfera mítica. Abaixo, vista do vale de Waipio, com a chuva chegando…

Pensava que a caminhada até as cachoeiras seria algo “penoso”, uma trilha mais radical. Ledo engano. A trilha é literalmente asfaltada, com escadinha para chegar no ponto de observação e tudo. O que primordialmente atrai ainda mais turistas. Uma caminhada levíssima, que termina em um visual de sonho: a cachoeira de ‘Akaka. A cachoeira é um filete de água que cai de uma altura de quase 100m, quase virando fumaça ao fim de tamanha queda. Muito linda.

A poucos metros de distância, em trilha paralela, a outra cachoeira do parque: Kahūna. Também no mesmo estilo, altíssima e virando fumaça. A garoa que caía permitiu que um clima meio “Lord of the Rings” ficasse no ar, como se por exemplo um elfo fosse surgir daquele lago ou um unicórnio voador. Em menos de meia hora, depois dessa paradinha, já estávamos de volta à estrada recortada de vales e penhascos.


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cachoeira na praia

Uma das inúmeras cachoeiras que caem no mar na estrada a caminho de Waipio.

De Hilo a Kona – Vale de Waipio

Próxima parada, o vale de Waipio. Residência no passado de uma população isolada de mais de 4,000 havaianos, o vale hoje é entretanto um lugar cheio de fazendas de inhame, cavalos e um riozinho que deságua no mar. Mas poucos moradores, porque a estrada de acesso é bem complicada, cheia de curvas, e requer tração nas 4 rodas.

O vale de Waipio é onde boa parte das cavalgadas inclusas em pacotes turísticos pela Big Island são realizadas. Do ponto de observação na extremidade do vale, um cenário belíssimo. Olhando para o mar, percebemos então uma nuvem enorme, densa e negra se aproximando. Tempestade à vista. O espetáculo ficou mais lindo ainda, porque a chuva que chegava ia trazendo uma nuance mágica àquele vale recortado.

De Hilo a Kona - Waipio Valley

Em Waimea

Voltamos para a estrada, dessa vez no meio do caminho para Kona. A estrada passa em pastos enormes, cheias de cones e crateras vulcânicas. Por um lado, o Mauna Kea; por outro lado, o Hualalai, outro vulcão dormente da ilha. No caminho, passamos por Waimea (também chamada Kamuela), uma cidadezinha minúscula e fofa, parecendo de brinquedo, com pastos ao redor. Bucolismo máximo. Um vento gelado e muitas flores na pracinha central típica: com igreja, escola, coreto e banquinhos. Paramos um pouco para admirar o ritmo pacato da cidade, que está a uma altitude considerável.

De Hilo a Kona - Waimea

A cidadezinha de Waimea é uma fofura no meio do caminho de Hilo a Kona, com seu bucolismo interiorano. Nem parece que estamos no Havaí das praias, vulcões e cachoeiras…

cavalo em Waimea

Um cavalo que se aproximou de nosso carro numa das inúmeras vezes que paramos no acostamento da estrada para tirar fotos. Estava chovendo e o cavalo parecia querer abrigo. Fiquei com dó do bichinho, mas fazer o quê? O arame farpado afinal nos separava…

Paisagens lunares de Hilo a Kona

Já estava entardecendo. Em determinado momento, a estrada ficou ainda mais aberta. Então o Mauna Kea claríssimo apareceu, com sua cobertura de neve por cima. Carro no acostamento, hora de esperar o espetáculo, que aliás não tardou. Em primeiro lugar, o pôr-do-sol com o Mauna Kea ficando amarelado. Depois rosado… Enquanto o Hualalai ficava então dourado. E o mar e o céu no horizonte ao longe alaranjado. Que aquarela!

A paisagem ao redor era típica de uma cratera lunar. Cheia daqueles cones coloridos, gramados de aparência abiótica. Uma viagem total. Um pôr-do-sol delicioso.

De Hilo a Kona - cones vulcânicos

Cones vulcânicos à beira da estrada depois de Waimea, ao entardecer.

De Hilo a Kona - cones vulcânicos

De Hilo a Kona - Mauna Kea com neve

Uma visão do Mauna Kea, a maior montanha do mundo (da base submarina até o topo) com a cobertura de neve amarelada pelo pôr do sol.

De Hilo a Kona - Hualalai

Mais um pôr do sol de espetáculo. Dessa vez olhando para o Hualalai e a paisagem lunar ao seu redor.

A noite caiu, e seguimos direto até Kona. Que é papo para outro post.

Tudo de bom sempre.

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