Festival Hi Seoul 2006

por: Lucia Malla Amigos de viagem, Antigos, Coréia do Sul, Cotidiano

Sexta passada foi feriado aqui na Coréia: dia das crianças. Por coincidência, no mesmo fim-de-semana do feriado, houve o festival anual de primavera Hi Seoul. O festival é organizado pela prefeitura de Seul e quando ele acontece, o centro de Seul, na região próxima à prefeitura, fica coberto de barraquinhas de tudo quanto é coisa, de comida a verificação de pressão cardiovascular, e um palco enorme é montado no gramado, onde grupos folclóricos, artistas pop coreanos, e grupos de comédia se apresentam. Sem dúvida, se você quer conhecer um pouco da cultura coreana numa levada só, o fim de semana do Hi! Seoul é o momento certo para visitar a cidade. Há inclusive cursos para estrangeiros sobre tradições coreanas, como a cerimônia do chá e de tambores.

Um pedaço do festival é reservado a um aglomerado de barraquinhas representando diversos países, e é claro, uma barraquinha do Brasil que, graças aos esforços espetaculares da Associação Brasil-Coréia (ABC), está sempre sendo representado no meio da bagunça. No ano passado, fomos apenas ver qual era a do festival, e passamos uma tarde toda curtindo comidas do Sri Lanka e da Coréia, vendo shows de capoeira e conversando com os brasileiros. Esse ano, resolvi ter uma participação mais ativa, e me voluntariei para vender pastel na barraquinha brasileira. E sexta de manhã, peguei o metrô, rumo à fritura.

À passeio no Hi Seoul de 2005, papeando com os brasileiros. Abaixo, a capoeira brasileira exportada em versão Coréia.

A barraca vizinha, do Afeganistão, que também não parava de vender bolinhos de carne.

Assim que cheguei, já entrei no ritmo de trabalho, que estava uma verdadeira linha de produção de pastéis. Não há muitos brasileiros em Seul (registrados na embaixada, apenas 53), mas conheci vários rostos novos, recém-chegados ou de passagem pela cidade, que não estavam no ano passado.

A barraca do Brasil estava entre a do Afeganistão (que tinha um bolinho de carne sendo frito com uma cara deliciosa) e a do México – que vendia um churro lotado de calda de chocolate com o sugestivo nome de “gordito”. Num intervalo de folga, fui andar, e um pouco mais adiante, achei a barraca do meu amigo nepalês, vendendo pão naan feito na cumbuca especial usada pelos nepaleses, e um molho de curry muito delicioso. Como conhecia o moço do Nepal, ganhei muito lassi de graça – bebida feita com iogurte que eu amo! Me esbaldei em lassi.

O pão naan, num formato de viola, sendo assado na cumbuca tradicional nepalesa.

Os pastéis que fritávamos não davam vencimento: mal saíam da frigideira e já eram vendidos. Perdi as contas de quantos fiz, foi o dia inteiro ajeitando massa, recheio, e ouvindo forró. E dando risadas com os brasileiros, naquela alegria contagiante verde-amarela que os coreanos transeuntes admiravam e aplaudiam. Até foto pro jornal nós tiramos. Às seis da tarde, a massa de pastel acabou, mas ficamos conversando por lá e entretendo a galera até quase 9 da noite. Uma festa de primavera, mesmo.

Voltei para casa de metrô, cansada e fedendo a fritura, mas satisfeita com o resultado de um trabalho tão curtido. Valeu, galera da ABC!

A barraquinha do Brasil no Hi Seoul 2006, em sua agitação típica, e abaixo, ralando na confecção de pastéis de frango, de pizza e de misto.

 

Tomando sopa coreana, na primavera de Seul.

Tudo de bom sempre.



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