Viajando por email: Bruno “Viking” Freitas

por: Lucia Malla Amigos de viagem, Antigos, Blogosfera & mídia social, Entrevistas, Viagens

Conheci o Bruno numa noite de outubro de 2006, na Lapa (RJ). Era um encontro descontraído de blogueiros, e a gente ficou um bom tempo conversando sobre micos de viagem – e o “Viking”, como é conhecido, me impressionou muito, pelo seu currículo viajante (se é que existe isso). Desde então, venho acompanhando seus passos pelo seu blog. Recentemente, por exemplo, ele me deixou de água na boca com o mega-tour que fez pelos EUA, um daqueles road-trips de filme que todo mundo quer fazer uma vez na vida, pelo menos. Pois o Bruno fez. À parte também a enorme admiração que tenho por ele advinda dos percalços que a vida lhe trouxe – e principalmente como ele os encarou, sem cair na pieguice chavão – saber sua opinião sobre viagens sempre foi uma grande curiosidade minha. Porque o Bruno viajou e viaja muito, e entrevistá-lo aqui traz a oportunidade a todos de aprender com as experiências dele. E dar risadas, porque ele é sem dúvida um sujeito animado, bacana de se conversar. Um doce, se não fosse Viking. (Ou seja, um Viking doce, contradição possível.) 🙂

Divirtam-se com a conversa.

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Bruno “Viking” conquistando o Grand Canyon. (Imagem super-cool gentilmente cedida pelo próprio.)

– Você se considera mais ecoturista ou é mais adepto aos passeios urbanos?

Bruno: Engraçado é que acho que me enquadro em ambos. Sou fanático por cidades como Nova Iorque e Londres (essa então, nem se fala), mas também amei a Chapada dos Veadeiros, todos os grandes parques da Califórnia… aqui no Rio, a Pedra Bonita é um passeio fantástico.

– Como você escolhe seus destinos? Amigos, curiosidade, internet…?

Bruno: Curiosidade munida de ineditalidade. Sempre procuro lugares que julgo interessantes e normalmente prefiro aqueles que ainda não conheço.

– Qual foi sua viagem inesquecível? Por quê?

Bruno: Tenho algumas. Phuket, ilha ao oeste da Tailândia, em 92, onde mergulhei num mar incrível. Florença em 95, onde a Ponte Vecchia me assustou com sua beleza e história. Bahamas em 96, onde mergulhei com os mais diversos seres marinhos, num fantático ecossistema intocado. Chichén Itzá em 99, onde templos aztecas me receberam com todo seu esplendor. Chapada dos Veadeiros em 2004 pelo céu mais estrelado e hipnotizante que já vi em toda minha vida. Praga em novembro de 2005 pela beleza incrível da cidade e pela visita, depois, a Auschwitz. No mesmo novembro fui a Boston e descobri lá meu câncer – impossível esquecer dela. Em 2007 fui aos parques nacionais da Califórnia e Nevada, como Yosemite, Death Valley, Big Sur, King’s Canyon… uma beleza inacreditável.

– E qual foi a pior viagem que fez? Por quê?

Bruno: Carnaval de 2005 à Florianópolis. Resolvi ir de carro com dois grandes amigos. Chuva torrencial caía na Dutra, e, mesmo mantendo velocidade respeitável e constante, não pude pedir ao ônibus ao meu lado para fazer o mesmo. Ele criou uma onda de água que cobriu meu carro, levando-o a aquaplanar em direção às rodas gigantes e em alta velocidade do ônibus. Consegui, numa manobra Ayrtonística, evitar um acidente incrível. A custo, claro, do alinhamento dos meus pneus, visto que assim que fui ultrapassado pelo ônibus meu carro ganhou aderência e foi jogado contra o guardrail da estrada. Saindo de São José dos Campos, onde realinhei as rodas, meu motor começa a dar sinais de falta de vitalidade. Fede a ovo podre. Constatou-se, então, que minha bateria estava sobre-carregada pelo alternador, quebrado. Na última parade de civilização entre São Paulo e Paraná, na cidade de Registro, fui à um mecânico recomendado por alguém na estrada e ele me avisou que seria melhor destacar o cabo do alternador da bateria, pois tinha carga suficiente para chegar em Curitiba e lá conseguiria conserto em uma autorizada. Murphy não estava longe e, no meio da p*&^@ da Régis Bittencourt, às 2h da madrugada, o carro pifa de vez – com a gasolina já em estado crítico, nem sei se foi o pior dos problemas. Cheguei em Curitiba troncho quase pela manhã, deixei o carro na autorizada e peguei um carro alugado para terminar minha odisséia automobilística até a cidade dos manés. 50h de viagem quando não deveria ter passado de 14h. Pior é que ri pra cacete durante todo o percurso. Lições para a vida, né?

– Qual a comida mais exótica/estranha que já comeu numa viagem?

Bruno: Já comi algo que não lembro a procedência em Bancoc, mas parecia algum quadrúpede pequeno. Não quis perguntar porque se viessem com ‘gato’ eu morreria por dentro. Já comi um espetinho MUITO duvidoso numa rua obscura de Hong Kong, cujos álbuns piratas de Michael Jackson e Madonna eram, na verdade, hongkonguianos cantando as músicas dos artistas mais famosos. Trevas. Já provei algo extremamente amargo em Chichén Itzá que também não me lembro de onde vem. Comi um caramujo estranhíssimo, pequeno e extremamente temperado na Costa da Caparica, perto de Lisboa. Comi um stew (canja? Ensopado?) na Escócia que tinha de tudo, menos algo saudável. Acarajé quente na Bahia também é digna de nota – visto que esse turista idiota aqui não tinha noção, junto com seu pai, que ‘quente’ não é aquecida, e sim mortiferamente apimentada. Já comi tatuí frito em Niterói, que pra mim, do Rio, é uma viagem ir pra lá. Sabe como é, interior do estado e tal…

– Hahaha! Brincanagem… E você tem alguma mania ao viajar?

Bruno: Normalmente me ponho a tirar fotos com o timer de dez segundos da câmera. E são sempre fotos de mim olhando para o nada, geralmente de semi-perfil, sentado em algum lugar alto, pra dizer que estou admirando a paisagem.


– Qual sua trilha sonora preferida durante uma viagem? Alguma música em especial?

Bruno: Em viagem qualquer música mais atmosférica, pra mim, é essencial. Mogwai, Because of Ghosts, Explosions in the Sky, bandas de músicas celta, medieval, erudita contemporânea… algo que me faça sentir com um fundo musical, tal como um filme. Também gosto de, se possível, ter artistas locais no iPod… é um tanto difícil quando não se carrega computador nas viagens, mas aí é questão de planejamento – que tenho muito pouco. Sou do tipo que escolhe viagens um mês, no máximo, antes de sair e vou me virando pra achar um roteiro legal. Deu certo até hoje.

– Qual o souvenir mais exótico que já trouxe de algum lugar?

Bruno: Trouxe uma concha do Mar do Caribe quando fui à Península de Yucatán (conta pra ninguém, viu?). Ainda guardo um prato com a minha foto, aos 12 anos, de um passeio em Hong Kong. Tentei pegar uma daquelas placas de proibição de tudo em Cingapura, mas acho que seria preso ou certamente multado caso fizesse isso. Tenho, e uso, aquelas bolas de metal que servem para se brincar na mão como exercício de relaxamento, compradas em Macau – carregam o símbolo de Shaoxing, deus chinês da longevidade. Tenho até hoje, aqui na minha mesa de computador, uma pedra com esponjas (já mortas, viu?) que achei nas areias da Guarda do Embaú, perto de Floripa. Peguei uma ficha de U$1 de cada cassino pelo qual passei em Las Vegas. Foram oito cassinos no total e U$8 perdidos nas fichas.

– Uma dica sua especial.

Bruno: Viaje sempre sem roteiro. Acho que funciona, e muito. Procure somente saber de hostels e lugares mais baratos nas cidades que possivelmente farão parte da sua viagem. Gastar muito com hotéis, pra mim, é uma besteira, pois gasta-se mais de 16-18h fora do hotel – então pra quê gastar tanto com uma cama e um chuveiro? Fiquei em excelentes hostels na costa leste dos EUA e em motéis baratos na costa oeste e não me arrependo. Por falar em 18h, por favor levem um calçado ESTUPIDAMENTE CONFORTÁVEL. Cometi o erro de levar somente um tênis, de couro, e fiquei com 11 bolhas no pé de tanto andar por Nova Iorque. Acabei comprando, perto de Washington, um tênis maior e mais confortável. Só é necessário levar um calçado, então escolha com cuidado.

– A próxima viagem é para…

Bruno: Acho que será para a Disney, com a minha afilhada e prima, no meio de abril. Depois pretendo ir à Machu Pichu fazendo o caminho mais longo, pegando o Trem da Morte e todos os desertos. Na volta passando pelo Pantanal, que ainda não conheço.

– Bruno, obrigada pela riquíssima entrevista! Uma honra ouvir as suas histórias. E boa viagem pra Machu Pichu!! 🙂



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