Resposta do desafio malla: o torii de Registro

por: Lucia Malla Brasil, Charada, São Paulo, Viagens

Eis que o torii do post-desafio fica na beira do rio Ribeira do Iguape, na cidade de Registro (SP), à beira da mal-asfaltada Régis Bittencourt, no sul de São Paulo a caminho do Paraná. Do torii, dá pra dar tchauzinho pros caminhões passando pela estrada…

Enfim, apesar da estrada, vale registrar aqui que estive em Registro em novembro de 2007, no III Seminário de Pesquisa do Vale do Ribeira. Era uma tarde de brisa branda e uma manhã de sol lindo. Achei a cidade pra lá de simpática, nas menos de 24 horas que por lá passeei.

As duas fotos acima foram tirada do mesmo ponto. De um lado, a ponte da Régis Bittencourt sobre o rio Ribeira do Iguape, na entrada de Registro. Do outro lado, uma cerejeira, árvore-símbolo do Japão, enfeitando o calçadão da beira-rio.

Uma dessas pedras tão comuns na Ásia, que registram ditos japoneses e afins ao mesmo tempo que enfeitam a cidade.

O registro de Registro

O torii é, para mim, a marca arquitetônica da cidade. Registro tem uma população de 33% de descendentes de japoneses, e é considerada o marco da imigração japonesa no Brasil – foi o primeiro local do país a receber interessados japoneses que queriam montar seus próprios negócios e emigrar efetivamente para o Brasil. A mediação desse arranjo colonizacional foi feita pelo Sindicato Tóquio. Em 1913, eles chegaram a Colônia do Iguape; em 1917, já estavam em Registro, sob a gestão da KKKK, companhia que coordenava os avanços da imigração e desenvolvimento na região do Ribeira.

Conta a tradição oral que os japoneses da região acreditavam tanto na supremacia japonesa durante a 2a Guerra que muitos não acreditaram quando a notícia de que eles haviam perdido chegou no Brasil. Porque não houve uma cerimônia que supostamente o imperador deve fazer nessas situações. Com isso, os japoneses de Registro achavam que a derrota era “invenção” dos demais. Viveram em estado de negação por muito tempo. Mas felizes, alavancando a agricultura da região principalmente com plantações de arroz e chá preto.

O Casarão do Porto, um dos prédios que compõem o Centro Cultural KKKK na beira do rio.

A escultura que Tomie Ohtake doou à cidade e que está exposta no Parque Beira-Rio.

Um Japão no Brasil

Hoje, a empresa KKKK, responsável pela organização inicial da comunidade japonesa no Vale do Ribeira, virou nome do principal centro cultural da cidade. Construído na beira do rio onde antes funcionavam galpões portuários, tem uma vista bucólica para várias cerejeiras.  De manhã cedo, com a bruma da madrugada sobre o rio, a sensação é de que estamos num “Japão Tropical”. Além das cerejeiras, há também bonsais bem cuidados. E as placas de pedra tão comuns na Ásia, aqui com dizeres em japonês. Um calçadão torna o passeio agradável. Na praça principal uma escultura de Tomie Ohtake, doada em 2002, festeja e relembra o visitante da importância que os japoneses tiveram e têm para o desenvolvimento de Registro.

Assim como todos os nomes de rua em japonês e a tradicional festa do Sushi que acontece em junho e que parece ser a festa mais importante da cidade. O torii de Registro é, portanto, a marca mais óbvia de que um pedaço importante da história japonesa mora no sul do estado de São Paulo, numa cidadezinha simpática de olhos puxados, nomes cheios de Ks, e repleta de histórias samuraicas para contar.

Resposta do desafio - Torii de Registro

Tudo de bom sempre.



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