95 anos de uma Pequena Sereia

por: Lucia Malla Dinamarca, Europa, Viagens

95 anos de uma Pequena Sereia

Hoje, 23 de agosto, é o aniversário de 95 anos de uma “mocinha” muito especial: a Pequena Sereia de Copenhague. Símbolo número 1 da capital dinamarquesa, estátua mais fotografada do mundo, ela está sempre ali, sentadinha, a 10 minutos do píer de Langelinie de onde saem os cruzeiros. A Pequena Sereia parece guardar a cidade inteira desde 1913, quando Edward Eriksen a construiu e deu de presente à cidade, em homenagem à famosa personagem da fábula do dinamarquês Hans Christian Andersen. (A Disney apenas revitalizou-a para uma nova audiência em 1989.)

A estátua, que foi vítima de tantos vandalismos desde que foi colocada sobre sua pedra – ao ponto do governo estar seriamente pensando em movê-la mais para dentro da água -, é hoje a homenageada na Dinamarca. Espera-se uma grande festa, com 95 pessoas pulando na água super-gélida que circunda a Pequena Sereia e formando o número 95. Haja ânimo.

Mas nem só de Pequena Sereia vive “København”. Assim que você desce na estação central da cidade, já alcança a poucos quarteirões a praça da Prefeitura, e logo adiante, o Tivoli Gardens, parque de diversões mais badalado da Escandinávia – que só abre na primavera/verão, e que eu não tive a felicidade de conhecer por dentro, pois fui em outubro. Ficou para uma próxima vez que até hoje ainda planejo.

Entrada do Tivoli Gardens.

Logo que cheguei em Copenhague, um fato intrigante me saltou aos olhos: a imensa quantidade de crianças nas ruas (não crianças de rua, entenda-se bem). Era outono, estava um frio cortante impossível, eu mais encasacada que pinguim, mas parecia ser o primeiro dia de sol depois de um longo tempo, porque as pessoas andavam nas ruas com um sorriso no rosto indescritível, de tão aberto e feliz – lembrei disso quando li ontem essa reportagem do Der Spiegel, que dizia que os dinamarqueses foram eleitos o povo mais feliz do mundo. Eu não sei nem explicar direito, mas a sensação que eu tinha andando pelas ruas de Copenhague era de que aquelas pessoas não tinham problemas em suas vidas, emanavam esse descanso dos ombros no jeito de andar, de sorrir, de interagir. Fascinante.

Fui então subir a Torre Redonda (Rundetårn). Uma rampona em espiral de estilo único na Europa leva ao topo dessa torre peculiar. Por todo o caminho que eu passava, crianças em casacos coloridos. Lá de cima a vista da cidade é bela, e dá pra ver algo que me encantou em Copenhague: a quantidade de investimento em energia eólica. Veja bem, eu fui lá em 1997, quando o movimento verde nem falava enfaticamente sobre energia limpa; e Copenhague já tinha um horizonte lotado de cata-ventos. Aquilo me encantou profundamente, como podem imaginar.

Cata-ventos de usina eólica em Copenhague. Vista geral da área portuária da cidade do topo da Rundetårn.

Desci da Torre e fui caminhando até o castelo de Rosenborg, que não é mais usado pela família real dinamarquesa. Fiz uma visita a parte interna do palácio, onde há também um museu com as “quinquilharias” reais; mas o que eu mais curti foi a cerimônia de troca da guarda, que assisti por acaso – não planejei horário, e calhou de eu estar ali no momento certo para ver. Coincidência ótima.

Depois do palácio, aproveitei o sol delicioso e fui caminhar pelo jardim de Rosenborg, sempre indo em direção à Pequena Sereia. Esbarrei em uma das estátuas de Hans Christian Andersen que existem espalhadas pela cidade. As cores de outono e o céu azul fizeram dela uma parada obrigatória para fotos.

A primeira impressão que tive quando cheguei na estátua mais famosa da cidade foi: “Como ela é pequena!”. Acho que todo mundo pensa isso e muitos devem se decepcionar ao vê-la. Ela mede apenas 1.25m, sentadinha que está na rocha, com seu rabo de peixe na lateral. Dá para tocar nela, tirar fotos do lado, enfim, muito alcançável ao público – daí o problema do vandalismo que falei acima. Não fiquei muito tempo vendo a Pequena Sereia – o vento gélido típico da cidade começava a castigar.

À medida que o dia passava, nuvens foram encobrindo a cidade, de modo que resolvi que era hora de entrar em algum museu e fugir do frio e do vento. O primeiro museu que visitei foi o Museu da Resistência à Guerra. Explico: o que mais me interessava em 1997 na Europa, além de quadros de Van Gogh, eram locais e histórias relacionadas à Guerra. O Museu é pequeno, cheio de memorabilia, bom no geral, mas é duro como qualquer museu relacionado a guerras, e requer um estado psico estável da pessoa para ler aquelas “aventuras” sinistras. Apesar da história da resistência dinamarquesa a Hitler ser extremamente interessante.

O museu que finalizou meu passeio por Copenhagen foi o Ny Carlsberg Glyptotek, fundado pelo criador da cerveja Carlsberg no século XIX. Já garoava quando cheguei lá e a primeira providência foi tomar um café, assistindo a gravação de um filme que rolava no local. Depois de devidamente abastecida, o passeio pela coleção deliciosa de escultura, pintura e antiguidades. Um Van Gogh me aguardava, assim como inúmeras obras desconhecidas (e muito boas!) de artistas dinamarqueses.

Já era noite quando saí do Glyptotek. Meu passeio por Copenhague revelou-se uma excelente surpresa no roteiro maluco que inventei e fui pro albergue com a sensação de ter descoberto uma das jóias européias esquecidas. A Pequena Sereia é realmente “pequena” perto das grandezas que Copenhague oferece além.

Tudo de bom sempre.

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– O dia de hoje é todo dedicado a outras sereias também: as que estarão no LuluzinhaCamp em Sampa, compartilhando histórias e aventuras blogais. A gente se vê por lá! 🙂



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