Dia Internacional da Fotografia 2008

por: Lucia Malla Antigos, Arte, Fotografia

Hoje, 19 de agosto, é o Dia Internacional da Fotografia. Uma data obscura, escolhida por sei-lá-quem, pouco conhecida e raramente celebrada. Isto apesar da abrangência da fotografia em todas as esferas de nosso mundo atual. E por que essa data? Por causa do daguerreotipo. Explico.

Como surgiu o dia internacional da fotografia

Fotógrafo subaquático - dia internacional da fotografia

Diz a história que no dia 19 de agosto de 1839 foi apresentada e explicada tintim por tintim à Academia de Belas Artes Francesa, à Academia de Ciências Francesa e a um público esbanjando curiosidade a primeira imagem produzida por um processo fotográfico, por Louis Daguerre, utilizando placas de metal como substrato (chamadas então de “daguerreotipo”). Vale ressaltar que a foto foi possível graças aos estudos iniciados em 1826, ou seja 12 anos antes, em parceria com Niépce, que morreu em 1833 antes de ver seu invento vir à público. Apesar da demora, uma vez que o processo “mágico” (como muitos acharam na época) de capturar um momento do espaço-tempo em um substrato foi demonstrado, logo se espalhou pela Europa.

Vendedor de cangas em Ipanema

Interessantemente, Daguerre era pintor e químico, ou seja, possuía formação em artes e em ciências. Usou dessa diversidade de conhecimentos para juntar os elos de dois processos/fenômenos independentes (um químico e outro óptico) que já eram conhecidos há séculos e fazer o que hoje conhecemos como Fotografia. Mas mais interessante ainda é que, após “descobrir” a fotografia, Daguerre quis marketeá-la nos dois campos que conhecia: como ferramenta científica e como obra de arte.

Do daguerreotipo para o papel: rumo à criatividade

Fog no Parque das Sequóias - EUA - Dia internacional da Fotografia - do daguerreotipo à criatividade

Mas tudo ficou mais fácil quando, em 1850, Talbot popularizou o processo fotográfico no suporte “papel” e tornou-o reprodutível. Era chegada a hora da verdadeira eternização dos momentos. A fotografia então se espalhou incrivelmente pelo mundo. Influenciou as artes pictoriais, que se libertaram da obrigatoriedade de registrar a realidade como ela era para mergulharem profundamente na abstração, na criatividade delirante. A fotografia permitiu ao mundo a surrealidade. E virou finalmente ferramenta básica de registro para contar as histórias da modernidade.

Tênis velho e borboleta

É essa incrível capacidade de contar/registrar histórias em um clique rápido a quase dois séculos que a data de hoje celebra – e que me fascina. Concordo com a Simone quando diz que uma foto não vale mil palavras – não vale mesmo, porque a arte da escrita é diferente da arte da fotografia, e elas podem até ativar áreas cerebrais similares, mas são impossíveis de serem comparadas. A fotografia fala em outra codificação.

Aleatoriedade a se celebrar

Janela - Arquipélago de São Pedro e São Paulo - do daguerreotipo à criatividade

E eu, como apaixonada por fotografia que sou, não podia deixar a data passar em brancas nuvens. Escolhi então aleatoriamente umas fotos do acervo aqui de casa para ilustrar o post, fotos estas que me lembram diversas viagens (reais e na maionese). Eu não acho que sejam as mais belas – estão longe disso, aliás -, mas são imagens que me tocam de uma forma diferente, que trazem sensações e pensamentos únicos, por “n” motivos que não vêm ao caso. Eu tenho o bias, mas vocês não.

Portanto, para celebrar o dia internacional da fotografia no blog, fica a “brincadeira”: descrever a primeira palavra que lhes vêm à cabeça ao ver cada uma das fotos que estão nesse post. Só vale uma palavra e como vocês não sabem a história por trás delas, a brincadeira tem o potencial para ser bem mais divertida. Preparados? Um, dois e… Valendo! 😀

Atobá voando - dia internacional da fotografia = do daguerreotipo à criatividade

Tudo de fotos sempre.

Para viajar mais sobre fotos e daguerreotipo

  • Um excelente número de daguerreotipos originais pode ser visto no site da Daguerreian Society. Incrível como as pessoas se empolgaram em terem seus retratos “eternizados” numa placa de cobre – essa foi o maior filão do daguerreotipo quando lançado. Imagino que esse comportamento humano frente a tal possibilidade já deve ter dado pano pra algumas teses de psicologia…
  • Em 2006, a fotógrafa Becca Bland sugeriu para o 17 de julho se tornar o “dia sem fotografia”. Para que as pessoas aproveitassem os momentos desse dia sem nenhuma tecnologia a frente de seus olhos e emoções. Nenhuma palavra sobre o quão bem-sucedido foi o evento. Mas me lembrou algo que um fotógrafo profissional amigo meu me disse uma vez, quando perguntei por que não registrara sua viagem a Ouro Preto: “Nosso cérebro é a melhor máquina fotográfica que existe, e certos momentos, só nele que gosto de registrar.” Uma boa reflexão, apesar de eu concordar com ela em partes apenas – talvez filosoficamente. Afinal, Alzheimer existe…


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