Viajando por email: Malla e a mochilla

por: Lucia Malla Antigos, Entrevistas, Mallices, Nova Zelândia, Viagens

Pois é. Eu pretendia fazer uma auto-entrevista aos moldes da maluquice edneyca mais pra frente, em algum momento do futuro, usando as perguntas que normalmente faço às pessoas sobre viagens. Mas aí em junho a Maisa, repórter simpática do iG Turismo, me procurou pra fazer uma entrevista sobre minhas mochilagens. Só que eu, na bagunça virtual habitual que vivo, só consegui responder ao questionário que ela me enviou 2 dias depois – e com isso, ela já tinha publicado outra coisa na reportagem dela. Deadlines de redação não são brinquedo, eu imagino.

Mas o negócio foi que eu adorei a entrevista. Respondi com muito gosto. Então pensei: por que não compartilhar na íntegra com o pessoal que me lê no blog? Pois eis aí, minhas divagações sobre mochilagens. As perguntas são do iG Turismo. Obrigada especial à simpática repórter Maisa, por permitir que eu agregasse em um só lugar algumas das minhas viagens sobre mochilas mais queridas. (E pela paciência com as minhas respostas tardias…)

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Viajando por email: Malla e sua mochila

Malla e sua mochilla.

– Pra começar, queria saber um pouco quando você começou a ter esse gosto pelas viagens e quais os lugares pelos quais já passou.

LM: Olha, eu acho que desde bebê. Minha mãe viajava comigo a tiracolo para visitar minha avó em Aracaju, e relatos do meu pai contam que bastava alguém chegar lá em casa para eu (engatinhando) pegar a primeira sacola de mercado que via pela frente, abrir a gaveta mais ao alcance e enfiar todas as roupas dentro. Já encontrava a visita na sala com a “mochila” pronta pra sair de casa! Meus pais também adoravam cair na estrada, então acho que esse gosto pelas viagens veio… de casa.

Mas desde que comecei a viajar por minha conta, passei por muitos lugares no Brasil e no mundo. Morei também em diversas cidades do planeta e isso permite conhecer novos arredores, planejar novas “esticadas”. Uma lista antiga e super-rápida de alguns dos meus locais prediletos do mundo fiz nos primórdios do blog – preciso atualizá-la um dia…

– Vamos imaginar pessoas que não são “mochileiras” ou viajantes profissionais. Qual a primeira dica que você daria para uma pessoa que quer mochilar mas não sabe nem como escolher o destino? Há lugares que são mais ou menos favoráveis a esse tipo de viagem? O que levar em conta na hora de escolher o roteiro?

LM: Primeiro, leia sobre o local. A internet abriu um leque de opções e minhas viagens hoje começam pela rede. É lá que você vai achar dicas, se livrar de roubadas, ter uma idéia das experiências que o destino escolhido pode oferecer. Já para praticar, aconselho a mochilar na própria cidade como teste: tente andar com uma mochila nas costas pelas ruas, se deslocar de ônibus, metrô, etc. Pode te indicar se está ou não na hora de cair na estrada. Aí comece com viagens curtas, de poucos dias, não muito longe de casa. Se a pessoa gostar da experiência, planeje um tempo maior de viagem da próxima vez.

Na Nova Zelândia, há uma empresa chamada “Kiwi Experience”, cuja proposta é muito interessante. Eles têm diversos ônibus que cortam o país carregando mochileiros. Só param em locais para mochileiros, mas há uma certa “organização” na viagem, você não precisa pensar muito sobre logística (quando você viaja sozinho, você tem que pensar com afinco em coisas como passeios em dias de chuva). Então uma excursão assim, de “mochilagem organizada”, também pode funcionar como teste para uma pessoa que não mochile normalmente mas que esteja pensando em experimentar pela primeira vez. É uma forma branda de começar, em minha opinião, com o equilíbrio de dois estilos de viagem, e caberá então à pessoa decidir o que melhor lhe aprouver.

Busão da Kiwi Experience, para mochileiros menos hardcore e afins. Vi vários deles lotados em diferentes cidades pela Nova Zelândia, sinal de que eles devem funcionar como opção para muita gente…

– Vale a pena planejar uma viagem de mochila nos mínimos detalhes ou, geralmente, os roteiros mudam radicalmente? O que não pode faltar nesse roteiro?

LM: Olha, eu sou adepta do equilíbrio. Planejo algumas coisas (geralmente aquelas que não podem ser deixadas de lado, como por exemplo permissão de parques) e outras deixo “no ar”. Acho que se a pessoa vai mochilar por muito tempo, deveria guardar um dia de descanso a cada 7 dias. Ter um dia sem ter que pensar em deslocamento, visitar museus, etc. Para relaxar num ambiente diferente do que está acostumado em casa e curtir a rotina de um povo diferente.

– Dá para mochilar em qualquer estação do ano?

LM: Eu acho que dá, basta saber escolher os destinos e planejar para não passar por situações que estraguem o passeio. Imprevistos vão acontecer inevitavelmente, mas o mochileiro pode se preparar para alguns deles e evitar aborrecimentos. Em questões de tempo, o que mais pode atrapalhar um mochileiro, em minha opinião, é a chuva; mas para isso, cubra sua mochila com uma proteção plástica e aproveite o passeio.

– Os destinos de um mochileiro precisam ter, no mínimo, que tipo de estrutura?

LM: Albergues são fundamentais, porque eles aliviam no preço do mais caro dos itens “crônicos” de uma viagem, que é o alojamento. Além de serem uma ótima pedida para conhecer gente, compartilhar dicas e experiências ao vivo. No último albergue que estive, em Buenos Aires, eles organizaram uma ida ao jogo do Boca, entre os alberguistas. O albergue “parou” para um grupo bastante internacionalizado aproveitar uma experiência argentina. Isso é muito legal, experiência única para o turista.

– Espíritos não aventureiros podem aproveitar uma viagem no estilo “mochileiro”? Se sim, como?

LM: Olha, eu acho que podem, mas eu sou uma pessoa mais desencanada e de repente meus parâmetros são fora da realidade da maior parte das pessoas que viajam no mundo. Muitas vezes vejo gente reclamando sobre coisas que para mim são super-divertidas numa viagem, mas para aquela pessoa obviamente não são. Eu mesmo devo reclamar de coisas que outros achariam besteira. Porque cada um viaja da maneira que mais gosta. O importante é a experiência. Agora se a pessoa nunca viaja mochilando e decide testar… acho que não deixa de ser uma experiência nova, não? Eu iria adorar a novidade.

– Pelas suas andanças, quais dicas você daria para as pessoas evitarem entrar em uma “roubada”?

LM: Leia sobre o local. Hoje em dia há diversos sites e blogs sobre os locais do mundo. Procure essas informações principalmente vinda das pessoas que moram no destino que você escolheu: eles são a melhor fonte para evitar roubadas. Mas eu acrescento um porém: muitas vezes o que é “roubada” para um, não é para outros. Boa parte dos sites que li sobre Buenos Aires, por exemplo, desaconselhavam ir à pé do El Caminito até o San Telmo (“é perigoso”, “o bairro é estranho”, etc.). Nós fizemos essa caminhada tranquilamente e adoramos. Em questão de segurança, não difere de andar num mercado de peixes em Tefé (AM) ou pelas ruas do Chinatown de São Francisco. Por isso, é importante auto-conhecimento e senso crítico, para saber detectar até que ponto aquela “roubada” escrita num guia é para você ou não.

– Por fim, o que não pode faltar na mochila?

LM: Como sou friorenta, na minha mochila não pode faltar uma blusa de lã merino, que é super-leve e quente. Além do óbvio: documentos, dinheiro e a vontade enorme de conhecer o mundo.

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P.S.: Espero organizar minha bagunça virtual e amanhã postar algumas fotos do LuluzinhaCamp, assim como minha impressão geral do delicioso encontro. Tenham calma, ok? 🙂



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