Visita ao Projeto Jibóia

por: Lucia Malla Animais, Bonito & Pantanal, Brasil, Viagens

O rapaz da foto abaixo chama-se Henrique e está com uma das suas jibóias de estimação enrolada na cabeça e em seu corpo. Ele não é maluco nem suicida; é somente o responsável por uma iniciativa de educação faunística em Bonito muito interessante, que visitamos num dia à noite: o Projeto Jibóia.Visita ao Projeto Jibóia

O que é o Projeto Jiboia

O Projeto Jibóia é um plano de divulgação e informação desenvolvido pelo Henrique, um entusiasta sobre cobras, principalmente a jibóia (Boa constrictor). A idéia é tentar desmistificar do imaginário popular a má reputação que a cobra possui, como o “grande animal predador comedor de gente”. (Sounds familiar?)

Henrique não é acadêmico nem cientista de cobras. Embora use uma variedade de informações específicas da biologia de répteis angariadas pelos herpetólogos nas últimas décadas. Seu interesse por cobras começou em 1983, quando viajou para a Austrália e pela primeira vez entrou em contato com uma cobra de verdade em um parque.

Desde então, começou a adquirir cobras. Hoje é o feliz proprietário de 9 jibóias de diferentes colorações. Suas cobras possuem todas certificado de origem. São, portanto, “legais” no país, adquiridas antes da proibição do IBAMA para o comércio de cobras. Ele está, aliás, mais animado na adoção das cobras como animais de estimação. Deixa claro que seus anseios estão virados para o pet market.

A palestra do Jiboia

Através de uma palestra bem vibrante – Henrique é um excelente orador – ele introduz o mundo das cobras para o público de forma inusitada: logo no início ele pega uma de suas amiguinhas e coloca em seu corpo, que se transforma em “árvore” para o animal. Por todo o resto da palestra de mais de uma hora, enquanto ele fala, a jibóia passeia pelo seu corpo.

Ele discorre sobre fatos científicos das cobras, explica o básico na identificação, problemas de conservação, aponta os entraves burocráticos do IBAMA e cia. ltda. para a existência de jibóias como animais de estimação (uma cobra criada em viveiro nos EUA custa 50 dólares, aqui de 800 a 3000 reais, devido à proibição da existência de criadouros), comenta sobre o surgimento das lendas envolvendo esses animais (como a que minha avó contava de que a cobra mamava no peito das gestantes), enfim, dá uma bela geralzona sobre cobras. Sem esquecer de frisar sempre que a cobra é um animal selvagem defensivo, que se importunado atacará – como a maioria dos animais, aliás.

Visita ao Projeto Jiboia - Bonito

Jibóia usando a língua como ferramenta olfativa.

Desmistificação

A mensagem central é a desmistificação do medo de cobras não-peçonhentas, mas no final das contas, o que Henrique proporciona é uma aula sobre como envolver as pessoas e tornar extremamente interessante a conservação de um predador grande na cadeia alimentar. Minha sogra, professora da USP e herpetóloga, além de lecionar aos estudantes universitários, também fazia isso no boca a boca para as comunidades do Vale do Ribeira em São Paulo, quando explicava aos moradores locais a importância dos répteis e de sua preservação. O formato que Henrique usa acrescenta ares de exibicionismo. Afinal, todos na platéia são convidados a tirarem uma foto com uma jibóia enrolada em si.

Em minha opinião, é uma estratégia eficiente para diminuir o distanciamento que as pessoas criam desses animais supostamente “perigosos”. Ao tocar o animal, senti-lo andar na sua pele, a pessoa finalmente percebe o quão exagerado é o medo que tem. Portanto, a interação leva indiretamente a uma maior facilidade para a mensagem conservacionista ser incorporada. Acho que facilita a proteção da espécie. Afinal, uma vez criado um laço afetivo com um animal, fica difícil para as pessoas consumirem o mesmo.


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Pegando na cobra

Depois da palestra, é hora de manipular a cobra. Um a um, todos a seguram. Há os que não ligam, há os jovens que querem mostrar às meninas de sua cidade o quão “corajosos” são, há as que dão chilique total. Mas há principalmente a oportunidade da manipulação. É aí que penso que esse tipo de divulgação pode funcionar. Um projeto que vale ser visitado em Bonito.

E é claro, apesar de já ter manipulado uma jibóia viva nas aulas de zoologia, também entrei na brincadeira.

Visita ao Projeto Jiboia

Não são um colar supimpa? 😀

Tudo de bom sempre.

P.S.

  • Os passeios feitos em Bonito em outubro/2008 pela blogueira foram apoiados (#ap) pela Bonito Brazil.


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