Cataratas do Iguaçu: o lado brasileiro

por: Lucia Malla Brasil, Paraná, Parques Nacionais, Viagens

Há uma rixa engraçada quando o assunto é Cataratas do Iguaçu: qual lado da famosa maravilha natural é mais bonito, o brasileiro ou o argentino? Em geral, a balança pende pesadamente pro lado brasileiro, já que é deste lado que temos a melhor visão geral do esplendor gigantesco das Cataratas. Que por lógica, se as Cataratas do lado brasileiro são vistas dali, estão portanto visíveis do outro lado, o argentino.

Cataratas do Iguaçu vista aérea - lado brasileiro

O traço verde marca a linha imaginária que passa pelo rio Iguaçu e separa a fronteira de Argentina (do lado esquerdo) e Brasil (do lado direito).

Da primeira vez que fui a Foz do Iguaçu, visitei apenas o parque brasileiro. Então nada poderia acrescentar de opinião, já que desconhecia o lado argentino da atração. Dessa vez, porém, fiz questão de visitar ambos os lados. Agora portanto, posso traçar minha opinião sobre essa discussão adorável de tão supérflua. 🙂

Prefiro inclusive, fazer em 2 partes. Tem também muita foto, vamos dividir para não cansar demais, afinal.

Hoje, só comento sobre as Cataratas do Iguaçu do lado brasileiro. Amanhã, vem o lado argentino. Combinado?

Visita às Cataratas do Iguaçu do lado brasileiro

Cataratas do Iguaçu lado brasileiro

Visitar o Parque Nacional das Cataratas do Iguaçu é um dos passeios mais tradicionais do turismo nacional. Portanto não espere solidão. O Parque, à medida que foi crescendo em visitação, foi se adequando para tal e me impressionei dessa última vez com a qualidade do gerenciamento de tanta gente que eles agora possuem. Não é para menos: são quase 1 milhão de visitantes por ano.

É simplesmente impossível não haver impacto ambiental com tanta gente transitando. As trilhas e passarelas bem feitas e bem mantidas e a estrutura organizacional para os passeios (como transporte de qualidade e elevador na parte final) tornou, entretanto, a tarefa de administrar tanta gente muito mais tranquila. A floresta ciliar inegavelmente agradece.

Catartas do Iguaçu - ônibus do parque nacional

O ônibus de “onça” que pegamos para ir pro início da trilha. Vimos ainda as versões “tucano”, “quati” e “cobra”, todos com os mesmos desenhos coloridos e divertidos. Adorei.

Cataratas do Iguaçu do lado brasileiro

Um pedaço da visão que temos das Cataratas logo que a trilha começa a margear o rio.

Sobre as Cataratas em si, reproduzo aqui o texto da plaquinha afixada perto do elevador do Parque:

“descobertas pelo espanhol Alvar Nuñes Cabeza, no ano de 1542, as 275 quedas que compõem esta belíssima paisagem têm 65 metros de altura e vazão média de 1500 metros cúbicos de água por segundo. São também as maiores do mundo em extensão, com 2700 metros de largura.”

Haja água.

A trilha principal do Parque

Quando chegamos no Parque, já eram umas 3 e meia da tarde de sexta-feira. Depois de comprarmos a entrada, corremos para o ponto de onde sai o ônibus que leva até o início da trilha principal. Se antes a gente podia ir em ônibus comum até esse local, hoje não entra mais nem carro. Democratizou-se a chegada às Cataratas e acho isso muito bom. Menos pessoas circulando ao léo significa mais facilidade em saber onde elas estão. Evita-se, portanto, um pouco da degradação florestal. Tudo em nome do equilíbrio qualidade/quantidade.

A maior parte das pessoas desce no início da trilha principal. Sob o ponto-de-vista do turista, a trilha do lado brasileiro é ótima. Porque há poucos pedaços de mata intensa. Além disso, em poucos passos chegamos a um ponto onde começa-se a ver a maravilha das Cataratas. A primeira visão, aliás, impressiona muito. Porque é muita água, vários saltos ao longe que se descortinam. Tudo é superlativo (definição by ©Camburizinho).

E à medida que você vai caminhando na trilha que margeia o rio Iguaçu e as Cataratas, a superlatividade só aumenta… Até o gran finale, quando você chega na ponta da passarela mais próxima à queda. E então pode ver de frente a que considero a queda d’água mais impressionante das Cataratas, o salto Floriano. Este salto começa ao lado do elevador de subida para a Praça de Alimentação das Cataratas do lado brasileiro.

É uma trilha de várias visões, todas engrandecedoras da maravilha que as Cataratas realmente são. Então pro turista menos acostumado a andar em trilhas, mato, etc. essa “distração” proporcionada por essas visões realmente o impulsionam a continuar andando. E principalmente a continuar sentindo o que é a proximidade com o verde, com o mundo natural, etc. Como opção ecológica inicial, acho interessante que o Parque, ao se organizar, possa proporcionar essa experiência para o maior número de pessoas possível.

Visita ao fim do dia

André nunca tinha ido a Foz e se impressionou com a grandiosidade das Cataratas – quem não se impressiona?… Só que o parque fecha às 17hs. Como chegamos lá tarde, terminamos indo rapidamente para as passarelas “molhadas”, fotografar de perto as cataratas que fazem a fama do lado brasileiro. Vários grupos se agregavam por ali, já que o ponto é o highlight do lado brasileiro. Milhares de cliques fotográficos cheios de respingos por todos os lados. Foi quando uma surpresa aconteceu. Uma garça resolveu pescar nas rochas próximas as passarelas.

O pôr-do-sol já começava a se revelar e a garça ali, fazendo incursões inusitadas e vôos rasantes nas “cachoeiras” para tentar abocanhar sua janta. Um espetáculo tão bonito que muitos turistas pararam para assistir. (Porque há os visitantes que só fazem “o caminho da procissão”, como dizia minha vó. Não param pra nada, como se estivessem em uma gincana para chegar mais rápido ao ponto final e voltar. Perdem muitas vezes as melhores surpresas de um passeio que tem tudo pra ser “comum”…)

A garça então se distanciou e nós começamos a subir em direção ao ponto final.

Saída pela lojinha, claro

Na Torre, os brasileiros mostram que aprenderam direitinho o esquema de como ganhar dinheiro dos parques dos americanos. Afinal, uma lojinha de souvenirs aguarda todos os turistas que por ali passam, assim como uma lanchonete.

Para mim, entretanto, é a lojinha de parque com o visual mais bonito olhando da vitrine… Mesmo não consumindo nada, é uma delícia olhar pelo vidro. Imagino em dias de chuva como não deve ficar magnânimo tudo aquilo.

Ou vocês não acham? 🙂

Estávamos no alto da Torre ainda fotografando quando o guardinha do Parque se aproximou. Alertou-nos de que em poucos minutos sairia o último ônibus com destino à entrada do Parque. Ou seja, se perdêssemos aquele, teríamos que andar os 5 km de asfalto que cortam a mata. Mas sem pressa, conseguimos pegar o ônibus. Que interessantemente já tinha vários funcionários nele. Afinal, era o fim do turno mesmo.

De volta à entrada, pegamos o carro no estacionamento e fomos em direção a Foz do Iguaçu. A noite já adentrava e um rodízio de caldos e sopas nos aguardava. Depois de ver tanta água, a inspiração era só de “comer” líquido também… 😀

Tudo de bom sempre.

Para viajar mais nas Cataratas do Iguaçu do lado brasileiro

  • Um post muito pessoal e legal sobre Cataratas foi o que o Explorador da Rede escreveu quando visitou a atração. A definição de Iguaçu em guarani é muito engraçada. Só o Camburizinho mesmo… 😀
  • Aliás, faço eco ao Camburizinho quando ele diz:

“É realmente um desses lugares que você precisa ver antes de morrer. É hipnotizante contemplar aquele tanto de água caindo, envolvido pela névoa como se você fosse parte delas, por horas ver a mesma coisa sem cansar e notar algo diferente a cada variação da luz ou mudança do vento. “Y-Guazú” é superlativo.”

É a melhor definição das Cataratas que ouvi, tanto que a usei aqui também.

  • As hordas de quatis que atazanaram a primeira visita que fiz às Cataratas em 1999, desapareceram. Parece que as pessoas passaram a obedecer as placas de não dar comida aos animais. Com isso, eles decidiram voltar a caçar alimento na mata. Interessante.


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