Parque Nacional Croata: Plitvicka Jezera

por: Lucia Malla Croácia, Europa, Parques Nacionais, Viagens

Quando estávamos planejando nossa viagem à Itália, esbarrei nesse post do Levi com uma lista dos 10 parques nacionais favoritos dos guardas florestais aposentados americanos. Como parte da brincadeira da lista, eles haviam escolhido apenas parques fora dos EUA, o que por si só já faz desta um pouco mais interessante. De qualquer modo, ao lê-la, um nome despontou imediatamente aos meus olhos: Plitvička Jezera, ou Parque Nacional dos Lagos de Plitvice. Porque afinal, planejávamos uma viagem pro norte da Itália, e no mapa, aquele parque não parecia “tão longe”. Incluímos no nosso trajeto.

Os desníveis que formam um degrau nos Lagos de Plitvice.

Plitvice fica no interior da Croácia, entre Split e Zagreb, pertinho da fronteira com a Bósnia-Herzegovina. É um parque nacional nomeado pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade em 1979. E para ser patrimônio, algo de único o local deveria oferecer. Embora nunca tenha ouvido falar de tal lugar, a curiosidade falou mais alto, e saímos pela manhã de Split, na costa, rumo a Plitvice, por uma estrada cheia de lembranças de guerra e paisagens naturais bonitas.

Não me decepcionei ao chegar lá.

O parque de Plitvice é composto por 16 lagos dispostos em degraus naturais, compostos de tufo calcário, rocha formada pela sedimentação das partículas de carbonato de cálcio presentes em alta quantidade na água da região. Os tufos vão se formando à medida que a água flui, num processo relativamente rápido e constante de modificação da paisagem local. Uma cachoeira que hoje existe pode estar ano que vem calcificada e a água ter se deslocado para outra queda. De acordo com a guia do parque, os níveis de calcário são tão elevados na água que qualquer objeto que ali caia se calcifica em pouco tempo. O exemplo disso é que vimos inúmeros galhos de árvores calcificados no fundo das lagoas.

O lago mais alto fica a 636m de altitude, e o mais baixo a 503m. Portanto, em 8km de extensão do sistema de lagos, há um desnível de mais de 100m de altura. Os “degraus” são a chave para apreciar o parque: a cada “degrau” por onde a água passa, vai sendo “filtrada” naturalmente. Vem daí a beleza maior de Plitvice: cada lago em um nível tem uma tonalidade diferente. É belíssimo.

Há 2 trilhas principais no parque: uma que passa pelos lagos “superiores” (da parte de cima do parque, mais altos e com queda de 100m), e outra dos lagos “inferiores” (os lagos abaixo de 535m, com menor desnível). A cada degrau, um monte de cachoeirinhas. Ambas as trilhas são extremamente acessíveis, com passarelas e sinalização que as tornam possíveis de ser feitas por qualquer pessoa disposta a andar. Entretanto, prepare-se para se molhar: muitos trechos passam perto demais das cachoeiras, algumas vezes dentro delas. Eu adorei, é um refresco pra caminhada.

Entretanto, era início da primavera, e um resquício de inverno ainda resistia no parque no dia que estávamos lá. A vegetação estava bem seca, o que frustrava nossas esperanças de boas fotos – mas por outro lado, dava ao passeio um ar mais “sombrio”. Só pude imaginar o quão lindo deve ser tudo aquilo no outono, com as folhas em tons amarelados e aqueles lagos variando do azul ao turquesa ao ciano ao verde. Deve ser um espetáculo belíssimo.

Mas há um “problema” no parque, que meus olhos chatos perceberam. Quer dizer, é um problema para quem nunca foi lá, não pros visitantes. Diferente de outros pontos conhecidos por suas cachoeiras (como Foz do Iguaçu), Plitvice não é fotogênico – e entenda aqui como fotogenia de um lugar a capacidade de uma imagem mostrar a beleza do local de forma a inspirar a pessoa a visitá-lo. Revirei a internet atrás de imagens de Plitvice antes de viajar, e confesso que me desanimei com as fotos que vi, a ponto de quase cancelar a ida até lá, porque “não parecia ser grande coisa”. Hoje, depois de visitar o parque, posso dizer que não encontrei uma foto sequer que corresponda a real imensidão de beleza que você vê ao estar lá. É um desses lugares que definitivamente você precisa ir, “ver pra crer” e não se influenciar só pelo que você vê nas propagandas. Lembre-se, o lugar está na lista da UNESCO, e isso por si só já merece ser levado em consideração na hora de fazer seus planos de viagem. 😉

Plitvice é maravilhoso, mas parece que se nega a ser revelado ao mundo. E isso torna o lugar mais especial ainda, em minha opinião. É o verdadeiro segredo da natureza, a experiência de grandeza não-fotografável, só passável no boca-a-boca, que fica registrada apenas em um local: na memória do viajante. A viagem até ali é fadada a ser literalmente inesquecível.

Tudo de bom sempre.

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Para viajar mais por Plitvice:

– Uma pequena demonstração do contraste dos lagos com a bela paisagem do outono pode ser vista neste post do Wild Wonders of Europe.

– Há vários hotéis dentro do parque e a melhor maneira de curtir é ficar num deles. A cidade mais próxima é Vrelo, e não é tão perto assim.

– A coleção de fotos de Plitvice que eu mais gostei está aqui. Mas repito: não condiz com a beleza natural do lugar. – De acordo com a senhora que vendia doces na porta do parque, o modo correto de falar Plitvice em croata é “Plifis”. Vocês não fazem idéia do malabarismo que foi para eu conseguir essa informação dela. 😀

– O site oficial do parque, para quem quiser se aventurar em croata.

– O post é dedicado, claro, ao Levi. Valeu, camarada! Tudo de grandes aventuras sempre pra você. 🙂

UPDATE: A Carla deixou nos comentários o link pro post dela com fotos do Plitvice congelado! Lindíssimo, vão lá conferir!



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