Sharkwater na China

por: Lucia Malla Antigos, China, Cinema, Oceanos, Tubarões

Sharkwater

Barbatanas de tubarão secando em embarcação brasileira.

Rob Stewart, o autor-diretor-produtor-faztudo de “Sharkwater”, documentário-denúncia sobre as causas, complexidades e consequências do comércio de barbatanas de tubarão no planeta, divulgou semana passada em seu blog uma campanha para tentar levantar fundos e levar seu filme para os cinemas na China.

Pode parecer um “nada”, mas é na verdade uma atitude preciosa quando falamos de comércio de barbatanas de tubarão. Veja bem, a China é o maior mercado consumidor de barbatanas do planeta. Estima-se que 80% das barbatanas coletadas no mundo vão parar no porto de Hong Kong, de onde são distribuídas para o resto do país (e vizinhos da Ásia) e servidas em bufês de casamento, jantares de negócios e outras situações de status dentro da sociedade chinesa. Mas o mais gritante – e que o post de Stewart cita – é que na China, a tradução de “sopa de barbatana de tubarão” é “sopa de asa de peixe”. Ou seja, o chinês médio pode não saber que está depletando um animal topo de cadeia alimentar do ecossistema. Junte-se a isso a história que ouvi de um divemaster nas Filipinas: os chineses que iam mergulhar diziam que “não tinha problema retirar a barbatana do tubarão, porque ela regenera” (!!!!). O que, obviamente, não é verdade: uma vez retirada a barbatana, o animal não consegue mais nadar e morre de fome (não consegue caçar) e afogado (a maioria dos tubarões atuais precisa nadar para “ventilar” a brânquia e respirar). Mas aparentemente, é essa lenda que é passada pelos chineses aos mais jovens.

No documentário “Sharkwater”, Rob Stewart tenta explicar porque o hábito de comer sopa de barbatana está dizimando todo um grupo de animais do planeta – veja bem, não é uma espécie, é um grupo. Além disso, mostra o quão intricada é a rede de intrigas que envolve esse comércio – e no documentário rola até um certo drama, como se só a história do massacre aos tubarões já não fosse drama suficiente. Então mostrar essa realidade crua aos chineses, que são a maioria populacional que consome a tal sopa, é um passo muito significativo para a conscientização. Se considerarmos que menos de 10% das pessoas que virem o filme serão impactadas por ele, ainda assim, na super-populosa China, isso pode ser um número significativo de pessoas. Pode fazer a diferença. Eu espero imensamente que faça. Fingers crossed.

Rob Stewart e a ONG Save The Blue se uniram então nesse levantamento de fundos para tentar levar o filme à China. Se você acha que pode doar, doe; se não pode, ajude a divulgar. Os tubarões agradecem a preocupação. 🙂

Barbatanas à venda em loja de Hong Kong, na Des Voeux street.

Tudo de bom sempre.

***********

– Se intencionamos parar com a matança desenfreada de tubarões, é preciso haver melhores estratégias de educação/informação do consumidor, principalmente mais direcionadas ao público-alvo que mais consome (no caso, os países asiáticos). Por isso, meu post. Nessa semana, o DPG postou uma propaganda contra o consumo de sopa de barbatana de tubarão. O vídeo “Not on our menu” encontra-se aqui e no DivePhotoGuide o Jason Heller pincela mais detalhes. É um passo, uma atitude; tomara que inspire outras mais.

– Publicado também no Faça a sua parte.



138
×Fechar