Sexta Sub: na gaiola

por: Lucia Malla Animais, Havaí, Oahu, Sexta Sub, Tubarões

Domingo retrasado, me aventurei num dos tours mais conhecidos do Havaí: o mergulho na gaiola com os tubarões-de-Galápagos (Carcharhinus galapagensis) no North Shore. Um passeio cujo impacto à sociedade e ao comportamento do animal já foi investigado pela Universidade. Principalmente, demonstrado que tem impacto neutro.

Como é o mergulho na gaiola no Havaí

Sexta Sub - Na gaiola

Uma Malla na gaiola.

Basicamente, entrei numa gaiola de 8 pés de altura (como vocês podem ver na foto), em meio a um grupo de mais de 30 tubarões. A gaiola possui uma bóia, mantendo-a na superfície. Entretanto, o mar estava levemente agitado, e a gaiola ficava subindo e descendo, ao balanço da maré. Ao entrar na gaiola, os animais começam a circular ao redor: você é a atração para eles. Extremamente curiosos, eles passam ao lado da gaiola, olhos nos olhos com a gente, com uma cara intrigante – e intrigada. Alguns com seus peixinhos limpadores nas costas; outros, mais vagarosos, parecem apenas passear ali. É inesquecível a emoção.

O barco sai do píer de Hale’iwa, no North Shore, e o local onde os tubarões ficam está a 3 milhas da costa. Aquela área é um dos pontos de pesca favoritos no North Shore – e os tubarões ficam ali porque se acostumaram a comer os restos da pesca. Durante a operação de mergulho em gaiola, não vi nenhum barco de pesca ao redor, mas imagino que mais cedo eles devessem estar ali. Bom, pelo menos os tubarões ainda estavam.

Quais espécies de tubarão você vê neste passeio no Havaí?

Tubarões de Galápagos

O que você vê de dentro da gaiola…

Os tubarões-de-Galápagos têm esse nome porque foram identificados pela 1a vez nas Ilhas Galápagos. Mas não estão restritos a Galápagos, pelo contrário, estão presentes em diversas outras ilhas oceânicas do mundo, como no Havaí e nas Bahamas. É um tubarão relativamente agressivo e seu tamanho é considerável. Uma das precauções ao mergulhar com eles é que não se coloque a mão fora das grades. Afinal, eles podem atacar, achando que é um pedaço de peixe deixado pra trás pelos pescadores.

Há outras espécies de tubarões comuns no Havaí. Mas em geral, os de Galápagos são os que aparecem no ponto deste passeio.

Minha avaliação final do mergulho na gaiola

Não considero essa uma atividade radical, mas é claro que o tour é vendido como algo de “alta adrenalina”: quando o assunto é tubarão, medo vende. Eu, por outro lado, ciente da minha posição de “invasora” da casa deles, tentei respeitá-los, evitando movimentos bruscos e observando muito, sem querer “atiçá-los” (ou acariciá-los, que é o que dá vontade de fazer mesmo).

Há também outra perspectiva interessante nesse passeio. A experiência dentro da gaiola é filosoficamente estimulante. Porque o animal está em seu ambiente natural, e você ali é o “confinado”. É de certa forma educativo, pois estamos ali na situação oposta do zoológico ou do aquário. É nossa liberdade que está bem restringida em favor do ambiente. Afinal, por um motivo óbvio, você pode sofrer um acidente se não estiver assim. Mas divago; é muito interessante. Os tubarões se “divertindo” naquele momento com o objeto metálico estranho que traz uns animais mais estranhos ainda dentro. A curiosidade que os faz circular ao redor o tempo todo. Ou o condicionamento que a pesca trouxe, de que barcos = comida. E você ali, naquele meio, sendo visto como tal. Fascinante para a experiência de um biólogo.

Essas foram minhas “viagens” na volta para casa…

Tudo de tubarão sempre.

P.S.

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