Blog Action Day 2009: Era uma vez Tuvalu

Era uma vez Tuvalu.

Para quem não conhece, o Blog Action Day é uma mega-super-über-blogagem coletiva mundial. Neste dia, blogs do mundo inteiro são convidados a escrever sobre um mesmo tema de importância geral ao planeta. Em 2007, o tema foi Meio Ambiente – e eu participei comentando sobre o gelo do Ártico. Em 2008, o tema foi Pobreza, e não participei porque estava literalmente na estrada. Este ano, o Blog Action Day resolveu discutir sobre Mudanças Climáticas, um tema muito caro por mim.

Na página de abertura do site do Blog Action Day, tem lá aliás umas sugestões de temas para blogs de diferentes segmentos. Para blogs de viagens, a sugestão é:

“(…) escrever sobre os lugares que você quer ver agora, antes das alterações climáticas os tornarem de difícil acesso, ou até, sob o mar.”

Coincidência das coincidências, já estava acumulando links e afins para um texto sobre Tuvalu. Porque este será um dos primeiros países a desaparecer no evento de elevação do nível dos mares. Por um motivo nada aleatório: estamos muito tentados a fazer uma viagem de mergulho para lá num futuro breve. Ou antes do mar invadir por completo… Então a oportunidade juntou-se com a vontade e apertou o botão do play da escrita bloguística.

Tuvalu e as mudanças climáticas

Tuvalu é um atol-arquipélago do Pacífico Sul, próximo a Fiji, e a meio caminho entre Havaí e Austrália. No Google Earth, dá pra ter uma noção melhor do quão esse pedacinho do mundo de 26 km2 é no meio do azul. É o ponto amarelo (um pin) no meio do azul no mapa abaixo.

Tuvalu

(Do Google Earth)

Para complicar a situação, a altura máxima do país é 4.5 metros. Ou seja, no provável evento de uma elevação dos níveis dos mares, o país inunda (entenda-se desaparece). Em 2002 e 2005, os habitantes locais puderam aliás ter uma idéia do que isso significa, quando um aumento do nível das marés deixou todos embaixo d’água. E ainda tem quem quer transformar isso em atração turística…

Enquanto cientistas debatem sobre quanto será essa elevação, o governo local [link excelente em pdf], junto a ONU, vem tomando providências para garantir a sua população um refúgio para quando suas casas afundarem. Afinal, provavelmente serão evacuados todos para Austrália e/ou Nova Zelândia. Além de abraçar a energia solar, que é o mínimo que se espera do governo de um país muito vulnerável pode fazer. Vale ressaltar que um medo do governo, entretanto, é que o povo de Tuvalu perca a sua identidade cultural ao se mudar para outro país. Ou seja, medo de que bizarramente virem “arqueologia” ou “fósseis vivos”, longe de seu habitat natural – seu país afundado.

O Projeto 10000 Tuvaluans

Aproveitando a era digital, e pensando principalmente nessa perspectiva do problema (entre outras…), um grupo do Japão decidiu montar o 10000 Tuvaluans. Este é um projeto de levantamento das histórias pessoais dos tuvaluanos. Além disso, agrupou recentemente o Tuvalu Visualization Project. Um projeto muito bacana que humaniza o problema do aquecimento global, ao mostrar o rosto dos habitantes de cada uma das casas de Tuvalu. Portanto, um verdadeiro mapa humano do país.


Via site do projeto, dá pra fazer o download de um aplicativo pro Google Earth (minha webparada favorita, by the way). Este aplicativo te permite surfar pelas casas de cada um, pelos recantos do atol, ouvir depoimentos, mandar mensagens, etc.

Era uma vez Tuvalu

(Tirado daqui.)

Ao permitir a comunicação, abre oportunidade para trazer o problema das mudanças climáticas para mais perto da gente, e isso a meu ver é muito valioso. Porque um dos problemas que eu vejo sempre nessas coisas da conscientização de massa é a falta de humanização do problema, falta de proximidade com nossa realidade, nosso dia-a-dia. No sentido de que sempre lidamos com “entidades” abstratas na hora de reclamar e conclamar soluções: governo, população, refugiados etc. Mas essas “abstrações” são formadas por indivíduos. E embora essa afirmação pareça um tanto óbvia, quando a gente lida com os problemas no âmbito macro tem porém uma tendência forte a desumanizar, transformar em número.

O Projeto 10,000 Tuvaluans chacoalha um pouco essa noção e nos relembra decerto que, atrás de cada número, há uma história, cheia de experiências e emoções. E onde há emoções, há aproximação, o primeiro passo para a real conscientização de qualquer problema, inclusive das mudanças climáticas. Como bem disse Heidegger:

“Só entendemos quando fazemos parte do que nos é dito.”

Tudo de melhor ao povo de Tuvalu.

Outras contribuições ao Blog Action Day 2009 na blogosfera brazuca



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