4 dias em Oahu, Havaí

por: Lucia Malla Havaí, Oahu, Viagens

Bastou o Riq mencionar em seu blog meu post de dicas da Big Island que recebi um email muito parecido da carioca Cristiana, pedindo dicas havaianas – desta vez para Oahu, a ilha em que moro. Mais: a viagem é a realização de um sonho da Cris. E com sonho, não se brinca… Então decidi fazer o mesmo: escrever um post com minhas dicas mallas para Oahu e publicar, para compartilhar com todos que por aqui passam. Vale mencionar que muitas das dicas podem estar mais detalhadas pelos posts da categoria “Havaí”. Ressalto que minhas dicas têm viés marinho, claro. Então vamoquevamo.

Vista aérea do lado sul da ilha de Oahu: Waikiki e a cratera do vulcão Diamond Head, paisagem mais conhecida de Oahu.

Oahu é a ilha mais populosa do arquipélago havaiano e onde fica a capital do estado, Honolulu. É a ilha que mais recebe turistas, a que tem melhor estrutura hoteleira e gastronômica, com o melhor transporte público no Havaí, a mais agitada e a menos “paradisíaca” – pela quantidade de pessoas, carros e afins que você vai encontrar onde for. Prepare o bolso, porque para turistas a ilha é cara – moradores apresentam carteira de identidade havaiana e têm desconto em boa parte das atrações (kama’aina rate). Prepare-se também para uma viagem mais urbe. Ou não, depende das suas escolhas de passeio, porque há lugares um pouco mais isolados mesmo em Oahu.

Waikiki vista da cratera do Diamond Head.

Dia 1 em Oahu – Havaí

Você chegou no aeroporto de Honolulu. Os grupos de turistas geralmente são recebidos com leis (colares de flores), para reforçar o conceito de “ilha da fantasia” que a maioria busca quando vem ao Hawaii. Recebi a visita de alguns amigos aqui desde que me mudei para cá e faço questão de manter a tradição dos leis. Porque ganhar flores (ainda mais em colares!) nunca é demais, eu adoro.

Para sair do aeroporto, as opções são: ônibus 19 ou 20, que vai direto pra Waikiki; táxi (não faço idéia de quanto seja a corrida); alugar um carro. Se você é do tipo viajante independente, alugue um carro, para poder visitar a ilha ao seu ritmo.

O hotel que a Cristiana escolheu, o Aqua Waikiki Wave, fica no burburinho de Waikiki, bem perto do Beachwalk (complexo de lojinhas e restaurantes). Mais uma vez, prepare o bolso. Tudo em Waikiki é mais caro. Se você quer economizar no que for, vai ter que sair de Waikiki para achar um preço menos “turista”. Por exemplo, um maitai no côco custa 20 dólares no bar do Pink Hotel; o mesmo drink pode custar 7 dólares num bar qualquer no Downtown. As lembrancinhas que estão à venda em Waikiki nas lojas ABC você provavelmente encontra no WalMart (perto do Ala Moana Shopping Mall) pela metade do preço.

Para passear, no 1º dia eu sugiro um “descanso” na praia de Waikiki mesmo. Porque em geral as pessoas chegam aqui cansadas da viagem longa aérea, com jetlag etc. Então nada melhor que um banho de mar com um vulcão ao fundo na paisagem para revigorar. Pode andar até Ala Moana também, curtir a praia e ver o pessoal canoando, surfando, etc. Se você tem fôlego, suba o Diamond Head – a entrada para a trilha é dentro da cratera.

Honolulu vista de dentro da cratera (e do cemitério-memorial) do Punchbowl.

À tarde, se quiser fazer um passeio light, vá ao cemitério de Punchbowl, onde estão enterrados os soldados de Pearl Harbor e de outras guerras. Muita gente acha bizarro eu sugerir um cemitério, mas é que o Punchbowl é um parque-cemitério (não tem atmosfera austera), fica dentro de uma cratera vulcânica e lá de cima, tem-se uma vista ótima da cidade de Honolulu. Dentro do cemitério, há também um memorial em painéis sobre as diversas etapas da guerra no Pacífico, o que não deixa de ser instrutivo. Depois do Punchbowl, pode descer pro Aloha Tower, em downtown, ver os peixinhos do píer e pegar um dos passeios de barco pra ver o pôr-do-sol no mar. É uma experiência calmante.

Aloha tower.

À noite, Waikiki tem diversos bares. e o International Market, que funciona até às 10, cheio de restaurantes bacanas (prepare o bolso). Se quiser jantar algo mais havaiano, pode ir até Ala Moana Boulevard e tentar o Highway Inn, que é um restaurante de comida havaiana deliciosa a preços módicos.

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Dia 2 em Oahu – Havaí

Eu gosto de sugerir aos meus amigos que comecem a visita a Oahu pelo lado leste da ilha. Passem a manhã em Hanauma Bay snorkelando, vendo o aquário natural magnífico que o local é, curtindo cada centímetro de recife de coral. Depois pegue o carro e continue dirigindo na direção leste, parando nos pontos cênicos – de dezembro a março há a possibilidade de se avistar baleias jubarte. Há diversas praias e cenários de tirar o fôlego. (Para mim, esta é a costa mais bonita da ilha.) Eu particularmente gosto de parar em Makapu’u, onde há um farol do lado direito e a Rabbit Island na frente. Makapu’u tem também uma trilha de acesso ao farol, que começa no estacionamento do parque, antes do grande penhasco. É uma trilha simples, dá pra fazer sem stress em menos de 2 horas, curtindo cada parada.

Antes de Makapu’u, há Sandy Beach, e ambas são praias de bodyboard e bodysurf (o nosso “jacaré”). Se você viaja com crianças e quer visitar um parque, perto de Makapu’u fica o Sea Life Park, onde pode-se ver golfinhos, focas havaianas, etc.

Surfe com os havaianos em Cockroach Bay.

Mais pra frente fica Cockroach Bay, onde os havaianos gostam de brincar de surfe – é também a praia predileta da atriz Evangeline Lilly, de “Lost” (informação fofocal do dia). Se você curte coisas mais “roots”, almoce em Waimanalo um tradicional hulihuli chicken. Como Waimanalo é praticamente a última praia do lado leste, se você já saiu de Hanauma Bay com fome, não vale a pena esperar: almoce algo em Hawaii Kai mesmo e depois prossiga pro resto do lado leste.

Dia 3 em Oahu – Havaí

Dia de visitar o North Shore – e North Shore é sinônimo de surfe, o esporte havaiano por excelência. Saia cedinho de Waikiki, para aproveitar ao máximo. E lembre-se: ondas gigantes, só no inverno. Se você visita o Havaí no verão, vai poder nadar em todas as praias no North Shore sem problemas.

Veja meu guia prático para visitar o North Shore de Oahu.

Há 2 caminhos pro North Shore, e a escolha de como ir depende do que você quer ver mais.

a) Caminho 1: é mais direto. Você pega a rodovia H1 sentido oeste, depois a H2 sentido North Shore. A H2 cruza a ilha pelo centro, num trajeto de 1h e meia sem trânsito, e desemboca em Hale’iwa, a cidade histórica do North Shore. Hale’iwa tem um centrinho simples e bacaninha. Do píer de Hale’iwa saem excursões para ver tubarões – mas precisa reservar com antecedência de pelo menos 24h. Em Hale’iwa também dê uma paradinha na Surf & Sea, primeira loja de surfe do estado, só pra entrar no clima surfista do local.

De Hale’iwa no sentido norte começam as praias famosas. Só há uma rodovia que liga todas as praias do North Shore, a Kamehameha (Kam) Highway, e ela só tem uma faixa. Nos fins de semana, é comum engarrafar; portanto, tenha paciência. A primeira praia na Kam é Turtle Beach, onde um grupo de voluntários toma conta diariamente das tartarugas-verdes que moram na baíazinha e vêm tomar sol na areia.

A segunda praia é a meca do surfe, Waimea Bay. Eu gosto de Waimea no verão, quando dá pra fazer snorkel. Atravessando a Kam highway em Waimea, há um parque com cachoeira, o Waimea Falls. Se você curte cachoeiras, vale visitar, mas se o tempo é curto, o local é dispensável.

Depois de Waimea vêm duas prainhas que também são ótimas pra snorkel: Three Tables e Shark’s Cove. Em Three Tables, praticamente na beiradinha a gente já vê um monte de peixes, lulas e o recife de coral. Ambas também são points de mergulho com cilindro no verão. No inverno, nem sonhe em entrar no mar sem uma prancha e confiança extrema em manobrá-la, porque ondas fortes, correnteza, rochas vulcânicas e fundo de coral não combinam para nós, reles mortais não-surfistas.

Os tubos perfeitos de Pipeline.

A próxima praia é Pipeline (ou Ehukai). Esse é o melhor point pra se apreciar o surfe em Oahu, pois em geral os surfistas estão mais próximos da areia. O mar é violento; o nome Pipeline vem do fato das ondas formarem tubos perfeitos cristalinos, como grandes manilhas. Eu sempre aproveito que estou em Pipeline e atravesso a rua para comer um pastel de feira num trailler brasileiro que também vende coxinhas – mas é claro, se você acabou de vir do Brasil, isso é dispensável. 😀

Saindo de mais um dia de labuta em Sunset Beach…

Depois de Pipe, chega-se a Sunset Beach, que é mais aberta e onde eu gosto de tomar sol. Para almoço, o ideal é dirigir até o Kahuhu onde há o tradicionalíssimo trailler do Giovanni’s Kahuku Shrimp. O Kahuku é uma área de produção de camarão e na beira da estrada há uma série de traillers. O Giovanni’s é branco e foi o 1º trailler a aparecer ali.

UPDATE 22/11/2013: Já há algum tempo que o Giovanni’s tem estado lotadaço sempre. Vários guias de turismo colocaram o trailler no mapa, que agora já tem um monte de mesas e é parada de ônibus enormes estilo CVC. Ao redor, uma feirinha de artesanato apareceu, até bacana. O serviço do Giovanni’s, entretanto, continua o mesmo de sempre, e obviamente não dá conta da demanda. Já tive que esperar mais de uma hora pra ser atendida, e não foi só uma vez. Tudo isso pra dizer: se você passar pelo Giovanni’s e estiver vazio, aproveite e coma – ainda é o melhor camarão. Mas se estiver cheio, não faça cerimônia e vá em algum dos outros traillers que vendem camarão pelas redondezas. São também bons, e o camarão vem do mesmo lugar, feito (quase) da mesma forma. 🙂

O Kahuku é a pontinha norte da ilha, portanto, saindo de lá, você começa a “voltar” na viagem ao redor da ilha. Pode parar em La’ie, para ver um pouco da praia, mas eu aconselho continuar direto e parar no Polynesian Cultural Center (PCC), um parque temático cultural onde você pode passar o dia inteiro, com direito a shows de diversas etnias polinésias e no fim da tarde, curtir um luau. O bacana do PCC é a oportunidade de aprender a diferença entre as diversas culturas polinésias num espaço relativamente pequeno. Mas prepare-se pra andar.

Trailler do Giovanni’s, o original.

b) Caminho 2: você sai de Waikiki de manhã e pega a Pali highway, sentido Kaneohe. Dê uma parada no Pali Lookout para ver a vista, você não se arrependerá. Depois entre na Kamehameha highway e inicie sua “viagem” pro North Shore. Vale parar em Chinaman’s Hat para uma nadada, em Kahana Bay para apreciar a paisagem e em La’ie. Mas como você está praticamente fazendo o caminho inverso ao (A), vai chegar no Kahuku Shrimp ainda cedo – sugiro parar e comer, porque aí terá a tarde toda para curtir o North Shore na calma.

Ilha do Chapéu de Chinês

Na praia do Chinaman’s Hat, do lado leste/windward da ilha.

E como você vem “pelo outro lado”, a primeira praia do North Shore será Sunset Beach. Todas as dicas que dei acima valem, apenas invertido o trajeto. E aí você volta no fim da tarde/à noite pela H2, passando pelo centro da ilha. Pode até sobrar um tempinho para parar no Dole Plantation, uma plantação/museu/lojinha de abacaxi que tem um labirinto enorme em formato de abacaxi e que fica na beira da H2. É divertido…

Eu particularmente prefiro mil vezes fazer o caminho 2. 🙂

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Dia 4 em Oahu – Havaí

Se você curte história, reserve no dia anterior um passeio a Pearl Harbor. O passeio pode levar a manhã inteira porque, além do Arizona Memorial, você pode fazer o tour completo e visitar o USS Missouri, o navio onde foi assinado o fim da 2a Guerra no Pacífico, e o submarino Bowfin. Mas lembre-se: é a perspectiva americana da história. Pearl Harbor ainda é uma base militar, então a segurança aqui é rigorosa na entrada.

Agora, se você ainda não se cansou de praia (e eu nunca me canso, diga-se de passagem), eu aconselho a passar a manhã em Kailua, do lado leste/windward da ilha. A Pali é a forma mais rápida de chegar em Kailua.

Em Lanikai Beach, a visão calmante das Mokuluas.

Kailua é uma praia de windsurfe e kitesurfe – portanto venta bastante. O mar ali é uma delícia e você pode alugar um caiaque e passear pela área. No canto direito de Kailua fica o acesso a Lanikai Beach, inúmeras vezes considerada uma das praias mais bonitas do Havaí – hoje em dia sua areia está desaparecendo, sendo levada pelo mar. Mas a visão das Mokuluas ainda faz da visita um must. Almoce no Teddy’s Burger, considerado o melhor hambúrguer da ilha por muitos – eu prefiro o The Counter, que fica do outro lado da ilha, no Kahala Mall, mas gosto não se discute, se lamenta. 😛

À tarde, em ambos os casos, vale uma visita ao lado oeste da ilha – basta seguir a H1 toda vida até ela virar Farrington Road, e continuar seguindo. O lado oeste (ou Waianae) é uma área dominada pelos havaianos tradicionais, e vem sofrendo pesadamente com a crise financeira. Há muitos homeless morando nas praias. Ali, há paisagens lindíssimas, ainda exuberantes e “selvagens”, como o vale de Makua e o point de surfe mais venerado pelos havaianos roots: Makaha Beach. Para snorkelar, é fundamental parar em Electric Beach (tem esse nome porque fica em frente a uma usina termelétrica) onde você vê tartarugas, um recife de coral maravilhoso e com sorte encontra até golfinhos rotadores – tem um grupo que ronda aquela área.

Vale de Makua, no lado oeste, o menos visitado (mas não menos lindo) da ilha de Oahu.

No lado oeste também fica Ko’olina, uma área de resort e apartamentos novos. Eu gosto de parar lá pra ver o pôr-do-sol da prainha lateral ao resort, mais escondida. No Havaí, as praias são públicas, então mesmo aquelas que estão em área hoteleira são desfrutadas por não-hóspedes.

Agora, se você estiver cansada de tanto dirigir, pode passar a tarde em Waikiki e visitar o Aquário. É pequeno, mas muito fofo, com diversos tanques de fauna do Pacífico e ênfase no ecossistema havaiano. Eu acho um passeio bacaninha – e que a maioria despreza, infelizmente.

Curta à noite tomando seu maitai de despedida. E não se esqueça de deixar um colar de flores na praia ou na estátua do Duke, no calçadão de Waikiki: diz a lenda que quem cumpre essa tarefa, um dia volta às ilhas… 😉

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É isso aí. Acho que exagerei no tamanho do post, mas são as sugestões que geralmente dou aos meus amigos que me visitam. Eles aparentemente gostam – pelo menos, ainda não ouvi reclamações diretas. 😛

Tudo de aloha sempre. E boa viagem, Cristiana! 🙂

4 dias em Oahu Havaí

Hula na rua, para alegrar seu fim de tarde.

P.S.: Um adendo. Se você estiver em Oahu numa sexta-feira, assista ao show de dança Hula perto do Hilton em Waikiki (e no BeachWalk também, que é o showzinho da foto acima) e aproveite o Aloha Friday, show de fogos de artifício que acontece toda sexta-feira. Pode ser uma besteira mas é um dos meus momentos prediletos: prelúdio do fim de semana que começa. 🙂

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