Notas sobre o Simpósio Internacional de Tubarões Brancos

por: Lucia Malla Antigos, Ciência, Tubarões

Ocorreu entre os dias 7-10 de fevereiro o Simpósio Internacional De Tubarões Brancos (Carcharodon carcharias), aqui em Waikiki, Honolulu. Infelizmente não pude ir – e quase tive um treco por causa disso. Mas recebi de amigos que foram um pdf-resumão do que foi discutido.Simpósio Internacional De Tubarões Brancos

Deixo aqui traduzido aos interessados. Os destaques da discussão foram os descritos abaixo.

a. Sobre a população de tubarões brancos no nordeste do Pacífico

Tamanho da população de 200-300 indivíduos, que se reproduzem na costa sul da Califórnia, de Malibu até a baía de Vizcaino, no México. Os tubarões brancos são animais de sangue quente (reveja seus conceitos). Seus filhotes, para regular a temperatura corpórea idealmente, precisam estar em águas mais mornas. Portanto, é no México que fica a maior agregação. A cereja do bolo é que o governo do México protege a região da Baja California na lei, mas não age para reforçar a proteção. Com isso, a área é devastada anualmente para o mercado de barbatanas, lógico.

Os filhotes de tubarão branco se alimentam basicamente de peixes. Não comem humanos nem mamíferos costeiros (focas, por exemplo). Uma vez cescidos (~3 metros), eles começam a buscar focas e podem migrar para regiões de água um pouco mais temperada. Estudos genéticos com DNA mitocondrial mostram que a população de tubarões brancos do nordeste do Pacífico é derivada da população da Austrália/ Nova Zelândia, que se afastou por algumas dezenas de milhares de anos.

b. Sobre o “Great White Shark Café”

Para quem não conhece, essa é a denominação dada a um pedaço central do oceano Pacífico onde tubarões brancos de diferentes populações se encontram. Animais de ambos os sexos frequentem o café. Entretanto, os machos tendem a arrotar macheza ficar numa região mais a oeste, enquanto as fêmeas ficam tricotando agregadas mais a sudeste.

Para chegar ao café, os animais da Califórnia nadam ~5,000 milhas próximos à superfície o tempo todo até o café. Este já é um comportamento pra lá de bizarro neste animal, que costuma ir mais ao fundo quando migra. Uma vez no café, os tubarões vão para o fundo (até 1,200 m). Depois voltam à superfície. E ficam nesse sobe-desce contínuo na região.

Junto com os tubarões no Café, há também agregações de baleias cachalotes e de lulas-gigantes. A razão da existência do café é ainda alvo de intensos debates: um grupo acredita que os animais vão lá para comer, outro grupo de cientistas acha que eles vão lá para se reproduzir. Há evidências inconclusivas para as 2 hipóteses.

c. Outras informações curiosas

Até hoje os cientistas nunca presenciaram a cópula de tubarões brancos. Mas já viram as cicatrizes deixadas por tal evento, e são incrivelmente enormes, na cabeça das fêmeas. Os machos têm grande propensão a se alimentarem dos filhotes. Esta pode ser a razão pela qual fêmeas e machos têm diferentes padrões de migração nesta espécie. Há canibalismo intrauterino entre os filhotes de tubarão branco. O maior tubarão branco já pescado pesava 3.17 toneladas.

Tudo de tubarões sempre.

P.S.

Alguns anos depois, o Havaí veio com esta legislação pioneira pró-tubarões. Eeeeee!!!



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