Big Sur

por: Lucia Malla EUA, Praias, Viagens

Já que comecei a contar de estradas bonitas, resolvi emendar com um post sobre outra estrada belíssima que você não deve deixar de ver se estiver pela Califórnia: o Big Sur.

Considerada das estradas mais lindas do mundo, o Big Sur é na realidade um pedaço highway US-1, pedaço este que liga Carmel, logo ao sul de Monterey, a San Simeon, um pouco antes de San Luis Obispo. São cerca de 140 km de estrada pelo litoral cortando penhascos à beira-mar – e o Pacífico aqui mostra uma força e grandiosidade incríveis.

Quando rodamos pelo Big Sur, em fevereiro de 2007, saímos de Monterey – uma estadia obrigatória, já que o Aquário de lá é meu predileto do mundo. Logo em Carmel, a primeira parada, para sentir a vibe da cidadezinha simpática de milionários. Depois de Carmel, há um parque à beira da US-1 que é um must-stop: o Point Lobos, considerado o mais bonito daquela costa – e as inúmeras reentrâncias com piscinas de maré realmente impressionam.

Passadas algumas horas de trilhas pelo Point Lobos, seguimos em frente, pelo Big Sur. E aí que a estrada começa a mostrar suas facetas lindas. A cada curva, uma surpresa, uma visão, uma prainha escondida. E a constância do Pacífico, sempre no background, em azul profundo e feroz. Uma emoção.

Logo no início da estrada, fica a ponte do Bixby Creek, que é o ícone mais famoso do Big Sur. A ponte é bem alta, e ali abaixo fica uma rávina que termina no mar bruscamente. Pela ponte, passamos rumo ao sul – e Big Sur, o nome, vem do espanhol que predominou na região “El Grand Sur”, o grande Sul.

Não sei dizer qual melhor horário para rodar pela US-1. De manhã, com o sol iluminando o mar, as cores do Pacífico devem impressionar mais ainda; à tarde, com o sol se pondo no mar, o espetáculo de cores dos penhascos e prainhas é de embasbacar qualquer um. Difícil escolher. Se tiver tempo, faça nos dois sentidos – embora descendo pro sul seja mais fácil parar à beira da estrada.

O mar ali não dá trégua. Tirando em Point Lobos, onde dá pra dar uma caída na água, nos outros pontos as ondas assustam – e a beleza vem daí, do contínuo crash delas nos rochedos espetados da cadeia montanhosa que termina. É splash que não acaba mais. Mas há uma certa serenidade que a gente adquire vendo toda aquela movimentação ao longe, de cima: uma sensação de pequenez perante as belezas naturais que conforta.

Na beira do Big Sur estão também diversas cidadezinhas. Todas minúsculas. Entre elas, a “minha” cidade, de pouquíssimos habitante: Lucia, CA.

A estrada termina meio que aos poucos, e quando nos damos conta estamos nos afastando do litoral, rumo a San Luis Obispo. Mas nem precisa de explicação para acabar. Os 140 km anteriores que você acabou de completar – e que câmera fotográfica ou videográfica nenhuma faz jus à grandiosidade que você efetivamente vê – já são auto-explicativos. Você cruzou o Big Sur e como bem disse o gênio beatnik Kerouac em seu livro “Big Sur”:

“Ah, life is a gate, a way, a path to Paradise anyway […]”

Tudo de bom sempre.

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– O Big Sur é tão emblemático de “estrada litorânea em penhasco com visual lindo” que a costa da Dalmácia na Europa é apelidada de… Big Sur da Europa. E deve ter um Big Sur asiático e um Big Sur africano, apenas não achei no Google quais são. 😛



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