IUCN Underwater Photographer of the Year 2011

IUCN Underwater Photographer of the Year 2011

Esta lindíssima foto de mangue (opinião cheia de bias, eu sei), tirada em nossa viagem a Pohnpei (Micronésia) em janeiro, acaba de ser premiada pelo International Union for Conservation of Nature  (IUCN, aquele mesmo que faz a lista de animais em extinção que o mundo todo usa como parâmetro) no concurso de Underwater Photographer of the Year. O André ficou em 2º lugar no concurso de fotógrafos sub, e a foto deste mangue aparece na capa da revista Marine News número 8, organizada pelo IUCN. Há duas outras fotos de Pohnpei que o André tirou em janeiro passado nesta edição da revista, e dá pra fazer o download em baixa e alta resolução, à escolha do freguês.

(Aliás, o website do Programa Polar e Marinho Global do IUCN tem informações ótimas sobre questões de sustentabilidade, oceanos e outras verdices e azulzices… se eu fosse você, aproveitava e dava uma passeada por lá.)

Para mim, este prêmio do André é especialmente bacana. Embora seja uma competição “menor” dentro do mundo da fotografia, é uma competição “maior” em termos de proteção ambiental. O  IUCN é uma organização idônea que há muito prezo pela excelente qualidade do serviço que presta – além da agregação ótima de cientistas em seu quadro de colaboradores. É de uma preciosidade enorme que a fotografia de alguém seja reconhecida por quem entende e valoriza a vida animal em toda sua plenitude, por quem faz de tudo para protegê-la e catalogá-la de maneira organizada. É um prêmio para se orgulhar, e por isso estamos especialmente felizes. Dada a abrangência de atuação do IUCN, este prêmio carrega boas chances de ajudar a educar alguém mais pra frente. (Efeito formiguinha, lembram?)

Enfim. A história por trás dessa foto é de uma aventura oportunista. Estávamos com um casal de amigos no barquinho deles, navegando pela laguna de Pohnpei em direção às ruínas de Nan Madol. Bem no meio da laguna, perto de umas ilhotas sem nem espaço pra desembarque, o motor do barco pifou feio. Uma certa angústia se espalhou entre a gente, porque além de não termos comunicação adequada, estávamos realmente numa área remota da laguna. Ou seja, se o motor pifasse de vez, estávamos literalmente no sal, ilhados por ali sabe-se lá até quando.

Nosso amigo Simon teve que desligar o motor forçadamente, e nós, no meio do azul, sem barco, resolvemos remar até uma das ilhotas. Nela, um monte de árvores de mangue, em meio a um mar de visibilidade assustadora de tão linda. Simon olhou mais de perto o motor e percebeu que o caso não era tão grave, mas requereria tempo: foi a senha para o André imediatamente pular na água e começar a fotografar, já que a situação ficou sob controle. Felizmente não era algo complexo, e menos de meia hora depois, estava tudo arrumado.

Mas aí uma vez consertado o motor, já tendo percebido o pedaço de paraíso que aquela ilhota no meio do nada era, decidimos unanimemente ficar por lá um tempo, curtindo o visual, a paz e o barulhinho gostoso de ondinhas.

Um barco quebrado, amigos e uma ilha deserta só nossa, num mar de água cristalina: ah, a vida é boa e cheia de possibilidades, como bem diz meu amigo Inagaki. (A ilhota toda está na foto, pra vocês terem uma idéia do tamanho da parada…)

Foi dessa adversidade, de um problema mecânico, que surgiu portanto a oportunidade da foto. Há males que definitivamente vêm para bem, não?

E que venham mais barquinhos quebrados! (Afe, se o Simon ouve isso…) 😀

Tudo de bom sempre.



192
×Fechar