Black Coral Island: uma ilha para chamar de sua

“Uma ilha com recife de coral maravilhoso só para nós.”

Quando a proposta de passeio nos foi feita, achamos que era uma brincadeira. Mas, well, estávamos na Micronésia, onde não há local cheio de gente; então logo a ficha caiu e percebemos que nossos amigos, que nos faziam tal proposta indecente, estavam não só falando sério, como praticamente nos obrigando a ir com eles. Obrigação esta que eu e André aceitamos com um sorriso de canto a canto, claro.

Black Coral Island no horizonte, vista do município de Palikir.

O fim de semana chegou e íamos para a Black Coral Island, a menos de 30 minutos da costa de Pohnpei, no município de Palikir.  Nossos amigos nos avisaram, cheios de dedos: a ilha não tem luz elétrica nem água encanada, será que vocês vão se sentir desconfortáveis com isso, etc. Resposta imediata: não. Isso porque as palavras-chaves para a gente topar a parada já tinham sido ditas na primeira frase do convite: recife de coral maravilhoso. Só para a gente. Precisa mais?

E foi assim que nos dispusemos a acampar por um fim de semana numa ilha só nossa. Nossos amigos convidaram outro casal e suas filhas, e com isso éramos 8 pessoas. A 10 dólares por dia por pessoa – valor do aluguel da ilha (!!!), pechincha das pechinchas. (Aliás, vale ressaltar, a ilha consta como “acomodação” no website oficial do país. Se você acha que está indo para um hotel-resort… reveja seus conceitos e contatos.)

A ilha é privada e é uma área de conservação. Possui uma estrutura turística rudimentar, para espíritos mais aventureiros. Há 4 bangalôs de madeira, sem móveis; 2 banheiros “movidos” à água do mar; um galpão ao ar livre com uma “mesa” de centro de pedra, que funciona como o local de reunião da família, tradição bem micronésia/polinésia; e uma paisagem de cair o queixo.

Levamos absolutamente tudo que precisávamos pro fim de semana relax: de repelente a água potável, passando por cadeiras, colchões, comida e jogos de tabuleiro. Nada de celular ou eletrônico, que a idéia era desligar-se do mundo completamente. No sábado de manhãzinha, chegamos num píer improvisado na costa do Palikir e esperamos uns 30 minutos o barqueiro aparecer. Seriam 2 barcos que fariam a travessia, um com os nossos apetrechos e outro com a gente. Às 9 da manhã, estávamos embarcando rumo à ilha.

A chegada não podia ser mais impressionante. Afinal, a sensação era de que o paraíso existia e nós estávamos prestes a pisar nele. Os bangalôs na água, sonho romântico de 99.999% dos apaixonados por ilhas. Saca só o visu da varanda:

Desembarcamos as bagagens. Os barqueiros, com pressa de voltar pro continente, assim que deixaram a gente, zarparam – de acordo com nossos amigos, eles sempre se perguntam quem são os “loucos” que curtem ir para um lugar daqueles “sem nada”. O inferno de uns é o paraíso de outros, definitivamente.

Desembarque na ilha.

Área de “cozinha”.

Ajeitamos a cozinha improvisadérrima embaixo do galpão, tomamos um suco e… caímos na água. Que era um convite constante ao mergulho, diga-se de passagem. Ao lado, outra ilha um pouco maior, e entre as duas, um canal – geografia perfeita para ver diversos peixes legais.

Passamos a manhã inteira explorando o coral. A ilha leva o nome de Black Coral por causa de uma espécie de coral que existe ali, a Heliopora coerulea, que é preta – embora biologicamente seja considerado um blue coral. Mas, para os moradores locais, pelo visto o que vale é a cor real do bicho.

O blue coral que se chama Black Coral. Que dá nome à ilha.

O snorkel é espetacular. Por causa do isolamento e da presença do canal, a quantidade de peixes é absurda. O coral é super-saudável e biodiverso, com espécies das mais diversas cores. André e eu primeiro demos a volta na ilha, e depois ficamos explorando os inúmeros recantos dos vários cabeços de coral.

Hello, garoupinha!

O almoço foi já no meio da tarde, e depois dele, pausa para jogar palavras cruzadas, bocci (um jogo que lembra um pouco a bocha) e… cair na água de novo. Mais snorkel, porque aquele mar azul ali, na nossa cara, era muito convidativo. E a água morninha dava o toque chantilly ao paraíso aquático.

No horizonte à direita, a silhueta do atol de Ant. Que ficou pra próxima.

Depois do pôr-do-sol – maravilhoso, diga-se de passagem – começamos os trabalhos de janta. Uma divertida reunião de amigos, com muitas piadas e sorrisos. Tudo ao som da trilha sonora das ondinhas que batiam.

Hora da janta.

No dia seguinte, mal tinha acordado e fui tomar meu café ilhéu na varanda do bangalô. A maré estava cheia e uma moréia passeava por entre as pedrinhas. Fiquei da varanda só acompanhando a moréia em sua busca matinal pela mesma necessidade: café da manhã. 😀

Olha a cauda azul desse lagartinho, que charme!

O domingo amanheceu meio nublado. Demos uma olhada em algumas espécies terrestres que habitavam Black Coral.

Mas, óbvio, o tempo nublado não foi suficiente para inibir atividades de snorkel. Mais uma vez, caímos na água. A saúde daquele coral era tão inspiradora que a gente não podia perder um minuto sequer longe nele. Para se inspirar, mais e mais.

(Minha definição imaginária de paraíso perfeito com certeza inclui um recife daquele ao redor – embora não tenha visto nenhum tubarão, mas André viu uma raia, que é parente, vai…)

Na “sala” de jogos.

Depois do almoço, pausa para a jogatina de ilha: palavras cruzadas e baralho. Frisbie aquático na parte de fundo de areia. Mais snorkel. Ô vida…

Até que chegou a hora em que os barqueiros vinham nos buscar. Nossas tralhas diminuídas um pouco, já que bebidas e comidas foram consumidas e o coração e a mente estavam mais leves, da tranquilidade do isolamento de fim de semana que só uma ilha tropical deserta pode trazer.

A volta foi meio “molhada”, já que o mar estava um pouco mais mexido perto do continente e o barco ia em velocidade máxima. Mas ninguém se importou em se molhar, nem mesmo uma das meninas que lia um livro de papel sentada na popa – o livro quase se desintegrando e ela ali, firme e forte no enredo.

Black Coral virara um pontinho no horizonte de novo. E deixou saudade, já que só enquanto escrevo este post, já soltei uma profusão de suspiros e sorrisos pra mim mesma, relembrando as delícias deste fim de semana numa ilha deserta só nossa. Ao rever as fotos então… definitivamente, felicidade para mim é um mar azul repleto de amigos ao redor.

Tudo de mar sempre.



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