7 anos (!!!) viajando com a Malla pelo mundo

por: Lucia Malla Antigos, Blogversário

Dizem que 7 é conta de mentiroso, mas eis que meu blog chega de verdade a essa idade virtual. Incrível, ainda estou me perguntando como consegui mantê-lo rodando em meio a tanto fuzuê. 7 anos de muito papo furado, reflexão, risadas, viagens, mallices e afins. 7 anos de palavras.

É muita coisa. Este é o post de número 1228, para vocês terem uma idéia. Fora os comentários, que são em 99% dos casos muito positivos que são muitos milhares. Me sinto feliz e ao mesmo tempo impressionada. Obrigada a todos vocês, amig@s de muito tempo, amig@s recentes, amig@s reais ou (ainda) só virtuais, por dedicarem alguns minutos a interagirem nesse nanoespaço virtual, onde se conversa de tudo e mais um pouco – se tiver mar no meio então, a conversa rende…

Prêmio Malla Bloggel

Todo ano, faço nesta data o já chavão Prêmio Malla Bloggel. Na realidade ele virou uma compilação dos posts do ano, uma espécie de retrospectiva adiantada. Pode parecer um nada, mas eu uso estes posts à beça, principalmente quando quero achar algo obscuro no blog – ou usava, já que o pessoal do typepad fez uma melhora nota 10 na ferramenta de busca.

Acho que este ano a maior mudança aliás, foi finalmente o domínio próprio, com a hospedagem num servidor que tenho curtido bastante. A consolidação da minha revistinha de variedades pessoal de publicação aleatória. Que não teria saído direito, não contasse eu com a ajuda de backstage do sempre adorado Tiagón, mestre dos magos das estripolias musicais e blogais. Ainda há muito a fazer (“Havaí by Malla“, por exemplo) mas devagar e sempre é que a gente trabalha. Obrigada, grande el_rey.

(E o Faça a sua parte, o outro blog de que participo, também mudou de endereço este ano.)

Mas também em 2011 houve uma queda nos posts, tanto em quantidade como em densidade. Por um motivo nobre: meu doutorado anda a mil, ou seja, a vida offline chama constantemente. Mas não reclamo, porque o trabalho tem sido pra lá de gratificante. Se tudo correr bem, ano que vem termino. Fingers crossed.

Bom, chega de intros. Vamos lá, então, à compilação/ prêmios deste ano de 2011.

Vencedores do Malla Bloggel 2011

1) Economia

Escrevi pouquíssimo sobre economia este ano. Mas ganha destaque o que considero mais interessante: o que analisa as sacolas plásticas x sacolas de pano. Embora, confesso, falar da economia de ilhas do Pacífico, como Nauru, sempre me empolga… #islomaniacfeelings

2) Ciência e medicina

Em compensação, sobre ciência foram vááários posts, resultado de uma mente que atualmente não para de pensar em experimentos (#divãdapós). Um dos trabalhos com que colaborei foi publicado, fui a 2 congressos supimpas – e num deles, presenciei a mudança de diretrizes nutricionais oficiais sobre vitamina D ser discutida e implementada. Contei um pouco colateralmente da ciência de 2 labs vizinhos, e conheci ao vivo e a cores um dos grandes nomes da blogosfera científica, o PZ. Mas o post que mais gostei mesmo de escrever foi derivado de uma paixão musical: a ciência do improviso de Pat Metheny, vencedor total dessa categoria. Porque foi um momento desses que ainda me arrepiam quando lembro que presenciei.

3) Literatura

Nosso livro virou exposição em praça pública pelo interior do estado de São Paulo – e isso só já basta para nos realizar pelo ano. Mas em abril fiz uma resenha de um livro que me emocionou muito, pelas reflexões éticas e de vida que gerou: a vida imortal de Henrietta Lacks. HeLa é vencedora.

4) Política

Foi uma notícia atrás da outra num âmbito político que muito me interessa: a proteção dos tubarões. Primeiro foi o Havaí (ainda em 2010) a tornar ilegal o comércio de barbatanas, depois os estados de Washington e Oregon, e por último, nessa 6a feira, a Califórnia, onde reside a maior população de chineses nos EUA – a assinatura da lei na 6a feira pelo governador do estado é de uma força política inestimável para uma proteção efetiva. E é assim a meu ver que se faz conservação: detecta-se um problema, divulga-se, organiza-se politicamente para a ação real, que mudam cabeças e mundos.

Mas não foi só isso. No campo mundial, Palau, as Bahamas e as Ilhas Marshall se tornaram países 100% santuários de tubarões. A Micronésia inteira se organiza para seguir o mesmo caminho. A gente pode achar que não é nada, mas aos poucos as nações que têm vasto território marinho – e que portanto dependem do mar para sobrevivência – vão atentando para a importância dos tubarões para o ecossistema como um todo, e agem politicamente pela sua proteção. Estas nações minúsculas no contexto estratégico-político mundial vão dando o exemplo, que – dedos cruzados – um dia chegará no pé do ouvido das grandes nações influentes do planeta.

Eu acho esta talvez a maior prova de que o efeito formiguinha funciona: porque um dia ele chega na boca de urna. E é nessa hora que o resultado sai.

(Mas ainda há muito a ser feito, então essas vitórias políticas precisam ser realistas, e não apenas comemorativas: agora é olhar com carinho pros países que ainda não o fazem.)

5) Popularidade Google

Foi logo na inauguração do blog na nova casa typepad que ele teve sua popularidade máxima, com o relato do tsunami aqui no Havaí. A explicitação das mazelas sociais, políticas e econômicas da vida em Fernando de Noronha também rendeu bastante visitas.

Mas o fato é que, apesar de eu ter um contador ali me dizendo quanta gente visita e de onde, há meses não o abro. Então, sei lá, de repente algum post virou trend e eu nem tô sabendo ainda. E com sinceridade, nessa altura do campeonato blogosférico, realmente não é uma prioridade essa preocupação. Quero mais é escrever e deixar aqui minhas viagens na maionese, para um ou um milhão de leitores.

6) Fotografia

Como já citei lá em cima, nosso livro virou exposição, e isso já é um prêmio máximo de fotografia pra gente. Mas, além dessa delícia, André foi premiado 3 vezes este ano: no italiano Asferico, no espanhol FotoCam e pela competição do IUCN – essa, a mais especial de todas, com uma foto que ainda me tira o fôlego de tão linda. De quebra, ainda apresentei um vídeo chamado “Underwater Rainbow” que produzimos no congresso de Endocrinologia que fui, ganhamos uma aquarela baseada em diversas fotos do ASPSP e uma coincidência fotográfica aconteceu num jornal britânico.

Confesso, entretanto, que tenho curtido à beça as saídas para fotografar sem compromisso. Tipo, para ver os fogos de 4 de julho ou a super-lua. Pela simplicidade e tranquilidade do momento – são imagens just for fun mesmo. Adoro.

7) Filosofia do mundo

Teve uma filosofia de bar que tentei pôr mais em prática este ano: um maior distanciamento da vida virtual. Tudo bem que foi acidental, dada a minha tese de doutorado e necessidade de escrever artigos científicos, mas mesmo assim, é uma experiência colorida.

Entretanto, é a filosofia/projeto inusitado e divertido de um amigo de muitos carnavais que vence, porque é uma dessas maluquices saudáveis que adicionam e enriquecem. Uma filosofia, afinal, muito bacana de viajar – e de viver.

8) Visita ilustre

Os blogs têm se esvaziado a cada dia que passa. Alguns dizem que eles morreram, mas para mim, eles estão apenas hibernando, pra voltarem mais descansados. Um dia acordam serelepes, dando bananas pros que ousaram discordar de sua highlanderzice. Enquanto isso, nesse período mais manso, as visitas mais ilustres são sem dúvida dos amigos. Aqueles que vêm quietinhos ou não, compartilhar um pouco das suas opiniões, reflexões e sorrisos. Obrigada a vocês todos, ilustres amig@s. 🙂

9) Pior título de post

Há vários posts que saem com títulos bizarros, mas este ano acho que o vencedor foi o relato da passagem por Guam. Pitada de chamorro? Pééééssimo.

10) Melhor viagem real relativamente longa

Este ano fiz 4 viagens consideradas “longas”, 2 a trabalho (Washington DC, para o EB, e Boston, com uma escapada vapt-vupt a New York) e 2 a lazer – quer dizer, no Brasil, o lazer foi só encontrar amigos em Sampa, porque depois no ES foi trabalho duro. Mas fato é que a melhor viagem deste ano foi sem dúvida nossa ida à Pohnpei com o Island Hopper, onde mergulhamos e passamos o fim de semana numa ilha deserta, onde snorkelamos à beça e aprendemos sobre o passado cheio de mistério do povo que ali vive. Pohnpei rendeu diversos posts, e ainda vai render mais…

11) Melhor viagem real relativamente curta

Também tivemos várias viagens de fim de semana, todas às ilhas vizinhas: Maui, Big Island e Kauai. Não dá pra escolher qual dessas viagens foi melhor, porque em Maui comemorei meu aniversário; na Big Island, fomos 2 vezes, uma durante o tsunami (o que não deixa de ser marcante, apesar de tudo) e outra para mergulhar intensamente; e no Kauai, fomos com meu sogro, mostrá-lo a maravilha que a Na Pali Coast é. Me diverti muito em todas estas mini-viagens.

12) Viagem na maionese

Uma viagem na maionese super-bacana foi esse lance das escadas rolantes na Suécia. Queria que a moda pegasse… Vi também ao vivo a viagem artística super-bonita em vidro do Chihuly, que amei muito. Arte é o marshmallow da vida, né?

13) Onde fica?

Apesar de termos ido visitar uma estátua na Big Island que fica no fim do mundo da ilha, o lugar mais desconhecido do qual falei neste ano foi Ulleung-do, na Coréia do Sul, uma ilha totalmente fora das rotas de turismo, mesmo entre coreanos. Não tem U nem Pohnpei que batam essa obscuridade…

14) Tudo de bom sempre

Nosso projeto de aquaponia caseira tem sido tudo de bom sempre. Começou em abril, plantamos um tantão de alface – que já foram devidamente comidas -, tomate, pepino e afins, e hoje temos uma floresta de manjericão (são mais de 10 pés), um pé de couve enorme que garante a couve mineira nossa de cada dia, e muita cebolinha, alecrim e hortelã. Há intensa rotatividade de culturas (me sinto uma fazendeira urbana), e as tilápias continuam lá, firmes e fortes, dando nutrientes para as plantas todas. Uma delícia.

15) Mallice da Malla

Eu amo listas, todo mundo sabe. Então esse ano diversas mallices foram expostas e compiladas na forma de listas. Uma tendência que deve continuar… 😛

16) Malla Bloggel da Paz

Às crianças que publicaram um artigo científico – que notícia-presente de Natal! Elas não sabem, mas me deram uma energia e vitalidade enorme para prosseguir na caminhada árdua que é o doutorado. Thank you very much, Blackawton scientists!

E que venha mais um ano de blo(g/b)agens!!!!!

Tudo de bom sempre. Tin-tin! 🙂

7 anos de uma Malla pelo mundo

No mar da Na Pali Coast, Kauai.

P.S.:

1) Lá na página do facebook do blog, tem uma perguntinha-pesquisa pros amigos que quiserem responder…

2) Se bater a saudade/curiosidade e você tiver saco tempo, segue abaixo as demais retrospectivas mallas.

Cada aniversário do Mallablog



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