Do you Getty?

por: Lucia Malla Arte, Artes Plásticas, EUA, Viagens

Do you Getty

Eu adoro arte moderna e contemporânea. Desculpem os mais rococós, mas o meu estilo é minimalista moderno: linhas, quadrados, pinceladas jogadas, tudo bem colorido. Quanto mais abstrato, melhor – pense Mondrian e Lucio Fontana.

De modo que um dos passeios que mais me interessava em LA era visitar o Museu J. Paul Getty, localizado no Getty Center, ao topo de um morro perto de Beverly Hills/Santa Monica. Lembro de ter lido uma reportagem à época da abertura do museu em 1997 sobre a arquitetura aberta, super-Califórnia do centro, idealizada pelo arquiteto Richard Meier. E naquela reportagem já me apaixonei pela idéia de visitá-lo.

Visitei LA diversas vezes antes de conseguir visitar o Getty. Finalmente no ano passado consegui ter um dia livre inteiro para curtir como eu sonhava o museu, com calma. E olha, recomendo de montão, mesmo que você seja uma pessoa avessa às artes em geral.

Porque o Getty Center é mais que um museu de arte: é um parque. E dos mais lindos, com um complexo de museus e jardins traçados de forma a realçar ainda mais o conjunto arquitetônico. Tudo com aquele ar californiano despojado.

É uma celebração da modernidade e da arte.

Você chega, deixa seu carro no estacionamento no sopé do morro (eu fui de busão, então parei no ponto também no sopé) e enquanto espera pelo trenzinho que te levará ao museu no topo do morro, já começa sua viagem pelo jardim de esculturas.

Aliás, pegar um trenzinho pra chegar ao museu é para mim é uma grande metáfora pra idéia de como a gente deve apreciar a arte: deixando sua vida real lá embaixo e caminhando todos rumo ao “céu” do belo, onde sonhamos, viajamos com os artistas por completo. É um desprendimento delicioso.

(No dia que eu fui, fazia um sol lindíssimo. Então o branco/beige claro dos prédios ganhou um ar tão mais leve… convite perfeito para a contemplação vanguardista.)

O lugar é acima de tudo extremamente fotogênico. À parte o fato de que você esbarra nos jardins com esculturas do Roy Lichtenstein (#morri) e do Giacometti, o traçado é todo fluido, valorizando em cada esquina do complexo de prédios a vista maravilhosa que se tem lá de cima da Grande LA.

O paisagismo é repleto de cactos, cada um mais lindo que o outro. É impossível não ter aquele feeling de California Dreaming porque a arquitetura do local te convida a isso em cada detalhe.

Tudo é claro, aberto, ensolarado: o céu é o limite.

O museu em si é também um espetáculo, com um acervo sensacional de obras renascentistas. Mas eu, fã de arte moderna e contemporânea, me emocionei mesmo vendo o Iris do van Gogh (finalmente!) e a exposição do acervo fotográfico do próprio museu, lindíssima.

Para jogar chantilly na visita, a cafeteria do Getty Center é bem bacana. Lembro que almocei uma salada com beterrabas fenomenal, a um preço justo, sem exploração.

E hoje, se alguém me pergunta: “tenho só uma tarde em LA, o que eu visito?” Minha resposta imediata invariável é (se não for uma segunda-feira, quando o centro fecha): vá ao Getty Center.

Você não vai se arrepender.

Tudo de bom sempre.



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