Malla no Globo

por: Lucia Malla Blogosfera & mídia social, Entrevistas, Publicidade

Hoje de manhã cedo, minha amiga Maria Paula me linkou no Facebook a uma reportagem do caderno Boa Viagem do jornal O Globo. A matéria fala sobre blogs de viagem, e em tem uma página dedicada aos blogs escritos por pessoas que moram num destino no exterior, e que se especializam neste destino.

Estou lá acompanhada de pessoas queridíssimas, como a Lina Hauteville do Conexão Paris, o Riq Freire do Viaje na Viagem, a Mari Campos do Pelo Mundo, a Janaina Calaça do Jeguiando, a Maryanne do Hotel California, o Ducs do Ducs Amsterdam, a Dri Miller do Dri Everywhere, o Rodrigo Purisch do Aquela Passagem, a Claudia Saleh do Aprendiz de Viajante, e o Seth Kugel do Frugal Traveler no NYTimes.

Ainda não li a reportagem toda, mas sei que jornal tem restrições sérias de espaço – e eu, problemas sérios de concisão. Então para os curiosos, deixo aqui minhas respostas completas à entrevista, feita por email pela simpaticíssima jornalista Fernanda Dutra de Oliveira.

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Malla no Globo

Uma Malla no topo do Mauna Kea.

 

 – Desde 2004 tendo blogs, você já deve ter leitores que te acompanham por muitos anos, não? Como você se relaciona com eles? Tem gente que tira todas as dúvidas possíveis e te pentelha um pouco? Você já chegou a encontrar alguém ao vivo?

LM: Muitos dos meus leitores mais antigos viraram grandes amigos, pessoas com as quais curto interagir offline. A lista é longa, felizmente. Conheci muita gente via blog durante os 2 anos em que morei no Brasil, 2007-2008, e muitos ainda revejo quando volto ao Brasil. Já visitei vários deles no exterior também. O blog foi um veículo peculiar e bacana de construção de conexões e amizades, e a internet ajuda a manter os laços de uma forma que chamo de “spaceless” – não interessa que eu esteja numa ilha remota do Pacífico, fico sabendo das aventuras de muitos como se estivesse perto, tomando um café na casa deles. É uma delícia.
No blog, tento me relacionar de maneira cortês. Valorizo muito as pessoas que tiram um tempo da sua “viagem” pela internet para visitar meu espaço virtual, e é mais honra ainda quando separam um tempo para escrever um comentário bacana, educado.
Se uma dúvida é honesta, sincera, não acho que seja uma pentelhação, independente da quantidade de perguntas. Acredito que quando perguntamos sinceramente, sempre aprendemos algo. Agora, é um pouco desanimador quando percebo que a pergunta vem com um ar de preguiça de pesquisar no Google (coisas do tipo “viajo dia tal, fico tantos dias, você pode me passar dicas de tudo sobre o Havaí?”). Uma lástima, mas acontece. Em casos assim, geralmente não respondo.

 Quais são as dúvidas mais comuns sobre o Havaí? 

LM: Brinco que a dúvida mais comum é aquela que, quem responder com 100% de certeza, levará um Nobel para casa: se vai chover daqui a “x” meses (“x” geralmente é o dia viagem da pessoa que pergunta). E interessantemente não é uma questão específica pro Havaí, vale para outros destinos também. Há probabilidades de meses mais ou menos chuvosos, baseadas em dados coletados ao longo dos anos, mas não podemos hoje bater o martelo do futuro em questões meteorológicas. Tudo que digo em geral é que o tempo no Havaí é estável o ano inteiro, com sol, mas não posso afirmar com 100% de certeza que não vai chover. E algumas pessoas parecem querer 100% de certeza, o que é impossível.

 Como você seleciona o que vai postar como dica e o que não vai? Tem algum lugar que você deixa de publicar só pra preservar como “seu”?

LM: Lugares de turismo não têm “dono”, então não tem como nada ser “meu” ou de ninguém. A meu ver, as vivências de cada um são diferentes, e é isso o mais bacana da internet, abriu a possibilidade de ouvirmos mais perspectivas dos lugares pela ótica pessoal de cada um. Não importa quantas vezes se vá a um destino, é o que a pessoa sentiu e experimentou ao visitar o local naquele dia/momento que torna um post mais interessante; é a sua perspectiva pessoal, única, do local. Essa abertura de possibilidade leva também ao aprendizado, à medida que nós mesmos, ao ler o relato do outro, muitas vezes nos confrontarmos com nossas “verdades”. Não se sai ileso de um bom texto de viagem.
Dito isso, há lugares/dicas que já fui/gosto e dos quais ainda não publiquei nada, não por medo do “efeito Lonely Planet”, mas por pura falta de tempo. Um dia sento e escrevo sobre eles. 🙂
No geral, tenho apenas uma regra para postar sobre viagens: não escrevo sobre o que não tenha pessoalmente testado ou que amigos muito próximos tenham testado e gostado, baseado no perfil deles. Não publico releases. Se nunca testei algo, mas achei interessante a idéia, escrevo exatamente assim, prevalecendo a transparência sempre.

– O blog te gera dividendos? Isso é algo que você já considerou fazer? Se não, por quê?

LM: Já rendeu. Hoje uso mais como um cartão de visitas, uma oportunidade de network ou um espaço virtual pra me expressar mesmo – publico de turismo a ciência, passando por reflexões cotidianas e fotografia, dependendo apenas da minha vontade. O mundo dos blogs mudou muito desde 2004, quando comecei o meu. Hoje há mais profissionalismo, mas sinto que isso também trouxe um certo engessamento entre os blogs, muita repetição de estilo e pouca pessoalidade, que é a maior graça da brincadeira. Acho que com vontade, dá pra misturar os temas sem perder a ternura, sempre.
Tenho alguns projetos futuros para o blog que podem gerar dividendos. Mas no momento, meu foco é terminar minha tese de doutorado em Biologia Celular e Molecular. Assim que eu defender, começo a pôr os projetos em prática. Stay tuned. 🙂

 

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Muito obrigada, Fernanda, pela participação e pela reportagem!

 

PS: – De acordo com o Boa Viagem no twitter, a reportagem sai online amanhã. Deixarei o link aqui, assim que conseguir, ok? 🙂   Link da reportagem do Boa Viagem.

– A Lina publicou uma nota no blog dela com uma foto da reportagem.

UPDATE: O Riq Freire, a Dri e a Claudia também postaram sobre a matéria.



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