Yes – uma viagem musical

por: Lucia Malla Música

“I’ve seen all good people turn their heads each day/ so satisfied I’m on my way.”

Sexta passada André e eu fomos a um show do Yes. Uma overdose de nostalgia ouvir aqueles acordes tão década de 70 ao vivo de novo – em 2003, fomos a um show deles aqui em Honolulu também. Da formação mais famosa da década de 70 no palco estavam o baixista Chris Squire, o guitarrista Steve Howe e o batera Alan White.

Impossível não comparar com o show anterior em que fomos – coincidentemente a última vez que eles estiveram por aqui. Em 2003, Rick Wakeman estava nos teclados, com sua capa de mago Merlin e sua sonoridade arrepiante. O show fora com a Orquestra Sinfônica de Honolulu (que mudou de nome depois de vários apuros financeiros), e naquele momento, pensei que não haveria combinação melhor de musicalidade pro Yes que essa – sempre achei que o rock’n roll deles beirava muito a orquestração, então para mim foi como se um sonho antigo se realizasse, ouvir Yes com uma sinfônica.

Várias das músicas que o Yes tocou em 2003 tiveram um upgrade considerável com a ressonância da orquestra ao fundo, e eles já vinham se utilizando de sinfônicas desde a década de 90. Violinos e violoncelos deram frescor aos diversos smurfs psicodélicos que rondavam pelas guitarras e teclados da banda nos momentos iniciais da banda. Mas mais importante pra turnê de 2003: Jon Anderson ainda estava nos vocais, com seus agudos fantasticamente harmônicos. (O vídeo abaixo é do mesmo show, mas na Filadélfia. Não achei o de Honolulu no YouTube.)

 

Aí que eu não esperava mais nada do Yes, depois da composição perfeita com a orquestra.

Mas veio 2012, e estamos André e eu mais uma vez na platéia em Honolulu, e o Yes mais uma vez surpreende. 40 anos de rock progressivo depois, mostraram que ainda há potencial para novas idéias e musicalidades.

Jon Anderson aparentemente se aposentou do Yes, e o vocalista da banda agora é Jon Davison. (Vocalista de outra banda de progressivo, a Glass Hammer.) A similaridade dos nomes é mera coincidência, mas vale mais que isso: Jon Davison é a própria voz de Anderson da década de 70. A sensação que tive foi que Davison participou de Woodstock em 1968, foi congelado por 40 anos, e agora descongelado pra cantar no Yes. 😀

Porque ele personifica tudo que o Yes representa em termos musicais, culturais, estéticos. Foi o vocalista de agudos perfeitos para substituir o que já era um agudo perfeito. Sua presença de palco traz uma atmosfera de “paz e amor” tão clara, é de uma solidez e concatenação com o período hippie tão envolventes, que fica até difícil imaginar como ele se situa na contemporaneidade.

“I’ll be the roundabout/ the words will make you out and out”

Mas é no design gráfico que eu acho que ainda há espaço de montão pro Yes se contemporalizar mais ainda. Porque uma das maiores riquezas da banda, depois dos acordes felizes e super-longos, era o design gráfico das capas dos LPs, cheio de desenhos intricados e super-elaborados. Em alguns momentos do show na 6a feira, ficou claro que esse é o provável próximo passo da banda, que já trouxe pro vídeo atrás do palco algumas dessas viagens desenhadas (flashbacks dos álbuns “Close to the Edge” e “Relayer“), te levando a “sobrevoar” as paisagens que antes eram apenas bidimensionais. Podem dar risada à vontade, mas para mim ficou claro que o Yes é uma das bandas que mais se beneficiaria de um show com telão em… 3D! Ao som melódico-harmônico concatenado, essa tridimensionalização visual da música seria a experiência que faltava pra laquear o sentimento positivo de paz & amor que eles emanam.

E se depender das minhas viagens na maionese, a trajetória do Yes ainda tem muitos quilômetros de topografia oceânica pela frente… 😛

Tudo de yes sempre.

“And you and I climb, crossing the shapes of the morning

And you and I reach over the sun for the river

And you and I climb, clearer, towards the movement

And you and I called over valleys of endless seas…”

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P.S.: – Pecado capital total, eu sei, mas minha música preferida deles ainda é uma que está entre as que os próprios membros da banda mais repudiam: “Saving my heart”, do depredado álbum “Union”.

– O post é dedicado ao Gabriel, amigo de tantos Yes.

– E já que falamos de música, que tal votar na nova geração? O amigo querido Flavio Prada tem uma prole talentosa, que está participando do concurso Upload 2012, parte do Uploadsounds. Vale dar uma ouvida no Jambow Jane, curtir e espalhar pros amigos!

(E você sabe que seu blog está ficando velho quando lembra que a criança de um post que escrevi “outro dia” hoje tem uma banda que já concorre em festivais de música. Céus, o tempo voa…)



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