Maravilha do mundo: Chichén Itzá

por: Lucia Malla América Latina, México, Parques Nacionais, Viagens

Chichén Itzá

Arquitetura maia: a Pirâmide de Chichén Itzá.

Em nossa viagem pela Península de Yucatán no México, além de mergulhos e snorkel para ver as preciosidades do mundo subaquático maia, incluímos um dia fora da água para nos embasbacarmos com outra preciosidade da região: o Parque Histórico da Cidade Pré-Hispânica de Chichén Itzá – ou Chichen Itza sem acentos, na facilitada grafia não-maia.

Osario, versão mini da Pirâmide de Kukulkan.

André e eu fomos para Chichen Itza saindo de Tulum. O trajeto é feito pela estrada 109, que passa perto de Coba e por dentro de Valladolid – e na rota de alguns cenotes. Apesar de supostamente nova, a estrada é meio desértica, de modo que meu conselho é abastecer o carro antes de começar o trajeto – que não é tão longo, coisa de 3h no máximo; mas prevenir é melhor que remediar.

Chichen Itza

Escadaria da Pirâmide de Kukulkan. 

A 1a visão que a gente tem quando chega em Chichen Itza é arrebatadora. Lá, logo na entrada do parque depois das catracas, está a fabulosa Pirâmide de Kukulkan (também chamada El Castillo ou Quetzalcoatl), símbolo máximo da civilização maia. Em sua posição central, ela representa toda a imponência e poder que os maias possuíam entre 800 e 1200 DC. Dada sua preciosidade arquitetônica – e de todo o sítio arqueológico – Chichen Itza foi declarada patrimônio histórico da humanidade em 1988 e uma das 7 maravilhas do mundo moderno em 2007, sedimentando sua importância arqueológica e histórica pro mundo.

Kukulkan é o nome maia da divindade Cobra. Ela está representada por uma escultura no “corrimão” da escadaria da face norte da pirâmide. A pirâmide em si tem ~30m de altura e 91 degraus por face, o que somados e adicionando o degrau final ao topo, comum a todos os lados, dão 365 degraus na pirâmide, o número de dias do calendário que os maias utilizavam. Dado o nível de sofisticação da civilização maia, fica facilmente subentendido que tal número não é uma simples “coincidência”, e sim uma manobra arquitetônica provavelmente de caráter reverencial. Além disso, a pirâmide tem dentro um outro templo, com um trono em formato de jaguar – veja foto aqui. O templo do templo.

A “Casa Vermelha”, exemplo de antiga residência na cidade de Chichen Itza.

Na minha até então ignorância sobre cultura maia, pensava eu que a pirâmide de Kukulkan era uma estrutura solitária (ou no máximo com uns poucos prédios ao redor). Ledo engano. A pirâmide é parte da cidade arqueológica de Chichen Itza, ou melhor metrópole, estrategicamente localizada próxima a 2 cenotes – prováveis fontes de água fresca pros antigos habitantes da região.

Templo dos Guerreiros.

A cidade possui, para deleite completo dos apaixonados por história mesoamericana, outras tantas ruínas, como o Templo dos Guerreiros, a Muralha dos Crânios, o Osario, a Igreja (“La Iglesia”), o Mercado, a Casa das Monjas, a Casa Colorada, e a minha ruína favorita de lá, o “El Caracol”.

“El Caracol” é o nome da construção que abrigava o antigo observatório astronômico da cidade de Chichen Itza. A civilização maia foi notoriamente conhecida por utilizar muitos fenômenos astronômicos para guiar seu calendário e rotina de vida. E claro, adorei porque era a lembrança de que pelo menos um quê de ciência já se praticava por aquelas redondezas há tempos… #scienceisawesome

Falando em lembrança, a oportunidade de comprar “lembrancinhas” maias está espalhada por todo o parque, sob a forma de camelôs entre uma ruína e outra. Vende-se principalmente cerâmica colorida (uma graça!), bolsas, bijuterias, instrumentos musicais de madeira e outros cacarecos. Tudo supostamente com um toque misterioso maia – embora você ache os mesmos artefatos por Cancún ou Tulum. A presença dos camelôs não chega a atrapalhar a visita ao sítio arqueológico, pelo contrário: senti como se eles trouxessem de volta um pouco da vida e rotina da cidade antiga, de como poderia ser a movimentação há alguns séculos, quando os maias por ali andavam e mercadeavam.

Nós passeamos pelo sítio histórico em uma tarde inteira. Achei que poderíamos ter gasto um dia ali, facilmente. Não sei se é permitido, mas o ideal seria levar uma toalha de piquenique, e fazer um lanchinho no gramado (ou pelo menos, dar uma descansada…). Há vários recantos calmos e deliciosos para tal desfrute pelo parque. Descansar olhando pras ruínas maias, apreciando todo o complexo ao redor e viajando no passado complexo e cheio de mistérios dessa civilização incrivelmente avançada e fascinante. Fica a dica. 🙂

Tudo de bom sempre.

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Para viajar mais pelo mundo maia:

– Até hoje, discute-se a razão do desaparecimento da civilização maia. Os espanhóis e a ICAR, Inc. destruíram documentos e relíquias, mas a causa maior do fim da civilização ainda é mistério. As hipóteses vão de furacões a revoltas populares, passando por doenças e guerras. A última sugestão é de que eles tenham sido – ironia histórica? – vítimas de mudanças climáticas

– A National Geographic tem uma edição inteira dedicada à civilização e história maia. Aos interessados e apaixonados pelo tema, vale a leitura de todos os artigos.

– Um bom site de viagens para Chichen Itza, e um bom mapa do sítio arqueológico.

– Foram os maias que supostamente “previram” o fim do mundo para 2012 – e geraram aí o meme mais comentado do último Réveillon (supostamente o último de nossas vidas…). Aos supersticiosos que levaram a estória à sério, relaxem: acharam recentemente um mural em Xultún, Guatemala que muda a data do apocalipse para pelo menos 7,000 anos a frente. 😀



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