Sexta Sub: tubarão-tigre

por: Lucia Malla Animais, Ciência, Ecologia & meio ambiente, Sexta Sub, Tubarões

tubarão-tigre

Este é um tubarão-tigre, Galeocerdo cuvier. Mais especificamente, uma fêmea. Foi capturada praticamente ainda na infância, para pesquisa, por um breve período aqui na Universidade do Havaí. Enquanto estava no cativeiro, fomos visitá-la. Media cerca de 1 metro e meio.

Na realidade, duas fêmeas foram coletadas juntas, com pouca diferença de idade. Esta aí, assim que chegou no cativeiro, arrumou logo esse peixe amarelo (um filhote de xaréu dourado) como companheiro – e o peixe a seguia para todo lugar que nadava. Limpava sua pele, brincava, enfim, pareciam companheiros de longa data. A outra fêmea, um pouco mais velha, não tinha um peixe “amigo” na cola (talvez pela idade), e estranhamente não se adaptou ao cativeiro, tendo que ser devolvida ao mar aberto pouco tempo depois de capturada.

A relação do tubarão-tigre com esse pequeno peixinho amarelo é apenas uma observação no caso dessa espécie em cativeiro, carece de validade estatística (n de um não vale, né?). Entretanto, seria interessante ser aprofundada. Quem precisa de quem: o tubarão do peixe amarelo, ou o peixe amarelo do tubarão? Será que tal interação está relacionada à idade do tubarão – mais novo, mais maleável com os animais ao redor? Ou é apenas uma coincidência do cativeiro?

Fato é que tubarões-tigres são conhecidos por serem a 2a espécie que mais ataca humanos, e aqui no Hawaii, é a espécie que porcentualmente mais ataca (talvez porque seja, das mais agressivas, a mais abundante na região). Uma das razões disso também advém do fato de terem uma dieta extremamente genérica, provando (e aprovando) qualquer coisa que se mexa e seja de tamanho proporcional à sua fome no momento da caça. Enfim, é uma dessas espécies que você prefere não encontrar debaixo d’água quando está mergulhando.

Então que a oportunidade de ver uma tubarão-tigre jovem de pertinho, e ainda por cima poder observar seu comportamento por algumas horas, foi a razão número 1 pela qual fomos visitá-la. Ela estava num cativeiro relativamente grande, e na maior parte do tempo, demonstrou o que todo tubarão bem alimentado faz: ignorou solenemente nossa presença e se restringiu ao extremo oposto de onde estávamos. Aos poucos, entretanto, foi ficando mais acostumada com a gente, e nadando cada vez mais próxima. Mais de 1 hora depois, finalmente nadou perto o suficiente para conseguir ser fotografada. Aparentemente também, ela achou muito intrigante a caixa-estanque da câmera sub, porque nadava e voltava sempre pra “inspecionar” o objeto, com olhos de muita curiosidade.

Cerca de 2 meses depois, fomos visitá-la de novo. Ainda com o peixe amarelo na cola. Mas crescera absurdamente, chegando muito perto dos 3m. De modo que dias depois dessa visita, os pesquisadores a devolveram ao mar aberto, depois de servir de base para observações valiosas – e ainda deve trazer dados, já que foi liberada com uma tag de satélite.

Deve estar por aí, nadando pelo Pacífico. E me pergunto: que fim será que levou o peixinho (que agora deve ser peixão) amarelo? 🙂

Ah, curiosidades da vida….

Tudo de bom sempre.

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– Minha awesome colega de PhD Christie Wilcox fez um pequeno vídeo com essa mesma tubarã, e postou no youtube dela há um tempo. Ela também tem um post excelente sobre tubarões e câncer, que merece ser devorado por todos.



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