Por que Porto Rico?

por: Lucia Malla América Latina, EUA, Ilhas, Porto Rico, Viagens

Preciso confessar: Porto Rico não estava nem na minha lista top 100 de locais do mundo que eu queria visitar um dia. Apesar de estar no Caribe, o que provavelmente aumenta a chance de um mar azul-lindo maravilhoso para mergulhar, por razões que a própria razão desconhece a ilha-território americano era uma total esquecida para mim.

Os EUA que falam espanhol, terra de cantores pop (Jennifer Lopez e Ricky Martin, mais alguém?), piña colada; era só isso que eu me lembrava sobre Porto Rico. (Ah, e que nas últimas eleições nos EUA eles votaram num plebiscito para se tornar um estado americano.) Como podia uma ilha passar tão em branco para uma islomaniac como eu?

Viejo San Juan, visto da baía de San Juan.

Até que apareceu um congresso para eu ir em San Juan, capital de Porto Rico, no início de dezembro passado. Mais: com um workshop uns dias antes que eu tinha que participar (palavras da minha chefe) – e um fim-de-semana no meio, para me garantir 2 dias de folga/passeio. Eis que me vi em meados de novembro tendo que ler sobre o que poderia fazer nesta ilha “misteriosa”. Nesta busca alucinada, achei um blog fenomenal só sobre atrações e passeios em Porto Rico, o Puerto Rico Day Trips, mantido por um casal muito simpático. Baseada em diversos posts dali e mais um post do Riq sobre o destino, fui selecionando atividades para passar meus 10 dias na ilha – apenas 3 de passeios.

Centro de Convenções de Porto Rico.

O congresso era no Centro de Convenções de Porto Rico, então o hotel selecionado fora o mais próximo do Centro de Convenções, o Sheraton – o que significa longe da maior parte das coisas interessantes a se fazer em San Juan, próximo apenas de uma pista de pouso para aviões menores. Mas, apesar disso, o ônibus dali para o bairro mais famoso de Viejo San Juan custava 0.75 centavos de dólar, e o preço dos táxis não eram tão proibitivos. Ou seja, muito tranquilo de se locomover e poder passear.

Com poucos dias, tirei um dia inteiro para passear por Viejo San Juan (que merece um post separado de tão legal!), fui um dia para Fajardo mergulhar e ver a Biobay (outro post…), e no outro dia andei pelos bairros de Condado e Isla Verde. Mas, mesmo nos dias de congresso, terminei indo uma vez ou outra à tardinha para Viejo San Juan, para degustar as vááárias comidinhas de rua, e em particular para me esbaldar no Carlis Bistro, um templo do jazz raiz e pérola do cais do porto de Viejo San Juan, com um ceviche de manga que era realmente a love supreme.

Ainda em termos de gastronomia, em Isla Verde fomos jantar num ótimo restaurante chamado Metropol, de comida creolla e porto-riquenha, que fica ao lado de uma rinha de galos de briga – em Porto Rico, tal atividade é legalizada. Apesar da vizinhança, a atmosfera do restaurante é bem informal, e nossa enorme mesa se esbaldou em mojitos, tamales, montunos e mofongos.

Até a esperada piña colada se revelou em Porto Rico um tanto mais… charmosa. 🙂

Entre conversas com cientistas locais sobre o recente plebiscito em que opiniões ainda estão ardorosamente divididas, andanças por fortes históricos e cassinos, curiosidades biológicas intrigantes e fascinantes, pessoas super-animadas e piña coladas ao som de salsa, Porto Rico passou de excelente surpresa de viagem a uma recomendação irresistível e imperdível para quem vai ao Caribe. Mais uma vez comprovou-se a tese (e ficou a lição para mim): só julgue um lugar depois de visitá-lo. Porto Rico foi para mim uma serendipidade, deliciosa e cheia de charme, como as melhores serendipidades costumam ser.

Tudo de bom sempre.

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