Na capital mundial do rum

por: Lucia Malla América Latina, Comes & bebes, EUA, Porto Rico, Viagens

Capital mundial do rum

Então que Porto Rico, além de cheia de fortes e biocuriosidades, também é conhecida como a “capital mundial do rum”. Por certo um título pra lá de bem-cotado dentro do turismo etílico. Tudo bem que San Juan deveria ser a capital, já que geograficamente o é, e Porto Rico não é uma cidade, e sim um território, mas… ei! Você que ainda não bebeu o suficiente e não tá entendendo nada do balacobaco! 😀

Fato é que Porto Rico se regozija com o título, então desestressemos com a confusão cidade X território. A razão simples pela qual Porto Rico virou a capital mundial do rum é porque fica ali a maior e mais famosa fábrica de rum do planeta, a Bacardi. E há um tour pra visitar a tal fábrica – é um dos tours mais populares da ilha, diga-se de passagem.

Sempre achei essa história de “tour em fábrica” muito sem graça. Afinal, você vê “meia dúzia de três” coisas interessantes e depois é jogado de leve numa loja temática heavy-duty. Tudo isto na tentativa de tirar mais dinheiro do seu bolso. Ou seja, o tour é na loja, claro. Então quando dá, evito tours assim. Porque termino achando uma perda de tempo (e grana) dos meus preciosos minutos numa viagem.

Como é o tour da Bacardi

O tour da Bacardi não é diferente. Entretanto, há o componente etílico da coisa, que torna tudo um pouco mais interessante. Afinal, você só tem que aguentar meia hora de tour para ir ao que interessa. Dois drinques gratuitos no final. #heleninhafeelings

E nem é tããão difícil de aguentar assim. A empresa fez uma réplica da hacienda da época em que Facundo Bacardi, o fundador, veio de Valencia na Espanha. Ele se estabeleceu em Santiago de Cuba, em 1851. Depois de muitas agruras econômicas e de saúde, Facundo adquiriu uma destilaria, em 1862. Como na época poucos eram alfabetizados, Facundo decidiu ter um símbolo que representasse a “nova” bebida que acabara de criar. Escolheu o morcego, que na sua região na Espanha era sinônimo de sorte nos negócios.

No pátio central da hacienda do tour, a gente vê uma grande escultura de morcego, além de alguns murais bonitos pintados em azulejo, contando a história do imperialismo espanhol (com um toque de rum, é claro). Se lembrarmos que o Caribe foi aterrorizado por piratas inúmeras vezes no século XIX, e eles são reconhecidos pelas suas pilhagens e seus “barris de rum”, temos a noção do que significou o negócio de Facundo para o comércio local…

Mas, claro, o rum não era restrito aos piratas. Todos tomavam. Quando a guerra Espanhola-Americana começou na virada do século XX, entretanto, os herdeiros de Facundo, depois de prisões e confusões, decidiram se alinhar politicamente com os americanos, pelo fim do domínio espanhol.

Big bang de drinks

De acordo com a história contada pelo guia do tour, criaram num bar em Cuba o famoso drink Cuba libre (rum + coca-cola). Este drink era uma celebração à tentativa de libertação de Cuba deste domínio. (Há problemas com essa estória, especificamente porque a Coca-cola só chegou em Cuba em 1900, alguns anos depois da guerra. Enfim, fica a dúvida para criar lendas e mais confusões.)

Quando Fidel Castro, já no século XX, começou a dar sinais de que subiria ao poder em Cuba, a fábrica se transferiu para a vizinha San Juan. Está estabelecida ali até hoje. O orgulho que Porto Rico passou a ter do “seu” rum também ajudou outro drinque a aparecer em San Juan: a piña colada. Esta delícia foi criada num bar na velha San Juan. É mistura básica de rum + suco de abacaxi + creme de côco. A piña colada fez tanto sucesso que hoje é o drinque oficial de Porto Rico.

Durante o tour pela hacienda Bacardi, somos colocados para sentir o cheiro de diversos tipos de rum ali produzidos. Dos que provei, o que mais gostei foi um com mel. Além disso, há uma explicação sobre o processo de fabricação do rum, a fermentação, o barril certo, etc. O tour termina numa sala como se fosse um bar. Ali, um guia-barman oficial mostra como são feitos diversos drinks que utilizam rum (mojitos, por exemplo). Além de contar algumas historinhas sobre eles.

Vamos ao que interessa: o open bar

O tour é gratuito. Depois de meia hora e de ver um cara fazendo drinques e não bebendo na sua frente, somos levados para a tal lojinha. E finalmente para o bar aberto, que torna essa lojinha das menos intragáveis do planeta. A loja vende todo tipo possível e imaginável de rum Bacardi (e suas variedades) e souvenirs. Já no bar, cada um que fez o tour tem direito a 2 drinques gratuitos. Era meio-dia, e eu ainda tinha atividades turísticas pela frente. Então tomei uma Cuba libre, um mojito e fui embora.

Achei o tour agradável. Esperava, por exemplo, bem mais sonolento. Entretanto, minha dica é: vá de tarde. Assim você já emenda o tour com um happy hour em Viejo San Juan. 😛

Tudo de bom sempre.

Para viajar e beber mais

  • Por incrível que pareça, esse tour da Bacardi é aberto a crianças. Elas só não podem beber, mas podem passear à vontade pelo local. Tem um trenzinho que faz um trajeto minúsculo entre a hacienda e o bar, inclusive.
  • Porto Rico também tem uma cerveja decente, a Medalla.

  • A pegadinha maior do tour da Bacardi, entretanto, é o transporte até lá. Você não vai de carro se quiser beber, né? Então os táxis, sabendo disso, cobram 40 dólares de Viejo San Juan até a fábrica. É caro. Para amenizar um pouco o preço, o mais barato é pegar o ferry ($0.50) de Viejo San Juan até Cataño. E depois de lá pegar um táxi – que custa 12 dólares e aceita fazer lotada. Na volta, faça o mesmo: lotada de táxi + ferry. Pegando o ferry, você ainda ganha de bônus uma vista linda de toda a antiga San Juan ao atravessar a baía. 😉

  • Sempre bom lembrar que este post foi patrocinado apenas pelo Bolso-Malla. Que foi criado pelo PMS – Partido das Mallices Supremas. 😀
  • Sempre bom lembrar também. O melhor guia ilustrado de drinques perfeitos do planeta é do Fábio Rex.



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