Sexta Sub: mergulho em Aqaba, Jordânia

por: Lucia Malla Ásia, Jordânia, Mergulho, Sexta Sub

Mês passado, André esteve a trabalho em Israel, e aproveitou um dia livre para cruzar a fronteira com a Jordânia e mergulhar no litoral do Golfo de Aqaba, no Mar Vermelho. E, como não poderia deixar de ser, fez um comentário especial aqui pro blog dos mergulhos em Aqaba. <3  E é claro que eu fiquei com água na boca de vontade de mergulhar lá ontem. 🙂

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“Esta viagem foi minha primeira vez mergulhando no Mar Vermelho. No dia anterior, já havia feito alguns mergulhos em Eilat, Israel, quando decidi de sopetão passar o dia em Aqaba, na Jordânia, que fica a apenas 2 milhas de Eilat. (OBS.: O mar ali é um pouco mais salgado que a média, e ao mergulhar você vai precisar de cerca de 1 kg a mais de chumbo do que o que está acostumado em outras regiões do mundo.)

Apesar de tão perto, a travessia da fronteira entre Israel e Jordânia foi bem demorada, pois havia vários tours indo visitar Petra e havia poucos guichês da polícia para atender tanta gente. Apesar da demora, cheguei a tempo no píer da operadora Dive Aqaba, que o taxista da fronteira me indicara, e fui o último a entrar no barco.

Fiz então dois mergulhos, um deles no naufrágio Cedar Pride. O Cedar Pride foi um cargueiro libanês danificado por um incêndio a bordo em 1982 e que, sob ordens do Rei Abdullah da Jordânia, foi afundado em 1985, se transformando num grande recife artificial. Está pertíssimo da costa, provavelmente dá pra nadar da costa até o naufrágio.

O navio está deitado de lado no fundo do mar, o que o torna um point bom para todos, independente do nível de experiência de scuba. A inclinação do naufrágio também permite um ângulo interessante para a fotografia, muito fotogênico. O navio está sentado em cima de dois recifes de corais, um de cada lado, o que gera um vão no meio e permite que você “passe por baixo” do navio, como se estivesse atravessando um cânion com paredes de corais e teto de ferro.

A ferragem do Cedar Pride está bastante tomada pela fauna marinha. Há inúmeros corais encrustados por todo o cargueiro, a maioria deles corais moles, e diversas esponjas, de cores incríveis. Muitos invertebrados, o que me deixou com vontade de ficar para um mergulho noturno (mas não pude ficar, infelizmente). Em termos de peixes, vi alguns antias (Pseudanthias squamipinnis) mas não tantos como em outros mergulhos da região. Apesar de não ter tantos peixes, o naufrágio realmente impressiona pelo tamanho e pela qualidade do coral que cresceu ali nos últimos 20 anos. Muito diverso e colorido!

Além disso, outra peculiaridade é a presença de uma grande bolha de ar dentro de um compartimento do navio. A cerca de 20m de profundidade, você vai para “a superfície” neste compartimento, onde pode tirar o regulador da boca e respirar ar com o nariz. Hilário.


Na bolha de ar, a 20m de profundidade.

Depois do naufrágio, fizemos um mergulho no First Bay – South, um point com um recife de coral raso com milhares de peixes e muitos corais negros. Sensacional! Vi várias espécies de peixe que nunca havia visto antes, o que para mim, biólogo marinho especialista em peixes, foi muito bacana. Para terminar bem o dia, depois do almoço árabe feito pelo Ashraf Sulaibi, que gerenciava a operação, fiz uma caminhada por Aqaba, pelas ruas e mesquitas do centro da cidade. Voltei para Eilat antes do pôr-do-sol, bem antes da fronteira fechar. O dia foi corrido e puxado, mas foi ótimo conhecer o fundo do mar da Jordânia – há diferenças sutis e muito peculiares com o que vi de fauna subaquática em Eilat. Apesar de tão próximas, a escolha de mergulhar nas duas cidades se revelou muito acertada. Deixo como sugestão de day trip tranquilo para quem estiver em Eilat.”

Tudo de mergulho sempre.



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