Kuggen – um exemplo de arquitetura da sustentabilidade

por: Lucia Malla Ecologia & meio ambiente, Europa, Suécia, Tecnologia, Viagens

Uma Malla em frente ao Kuggen.

Visitei a Suécia pela primeira vez no verão do ano passado, em 2016. Mais especificamente, passei 5 dias em Gotemburgo (ou Gothenburg, em inglês, ou Göteborg, em sueco). Era início do verão, os dias eram intermináveis – não anoitecia completamente, sempre ficava um lusco-fusco. Uma delícia circadiana.

Mas a Suécia sempre esteve na minha lista de viagem por outro motivo: o país tem um histórico de ações pró-ambientais e de sustentabilidade inacreditáveis. E, antes de viajar, quando comecei a ler sobre os projetos de sustentabilidade suecos, particularmente em Gotemburgo, logo esbarrei nesse prédio: o Kuggen.

Bastou eu achar a primeira foto do prédio online para que ele imediatamente passasse a ser meu interesse número 1 em Gotemburgo por outro motivo, bem mais frívolo que sua sustentabilidade: seu colorido alegre daqueles que te fazem sorrir imediatamente. Foi amor ao primeiro GoogleImage.

(E me apaixonei mais ainda quando descobri que ficaria hospedada no Radisson Blu, a praticamente um quarteirão dali – durante minha estadia em Gothenburg, passava diariamente em frente do Kuggen para admirá-lo… aaaahhhh!!!)

Mas, muito além das cores, o Kuggen é acima de tudo um dos exemplos mais incríveis de arquitetura da sustentabilidade da atualidade. Projetado pelos arquitetos Gert Wingårdh, Jonas Edblad, Charlotte Erdegard & Danuta Nielsen, de uma firma de arquitetura local de Gotemburgo, o prédio circular foi inaugurado em 2011, e se inspirou numa roda dentada – dessas existentes no mecanismo de máquinas; uma inspiração extremamente rígida para um prédio tão fluido de ideias. Talvez incorporar o conceito de fluidez rígida tenha sido proposital…?

Em termos de sustentabilidade, além do feijão-com-arroz de reciclagem, menos consumo de água, etc. o Kuggen tem um consumo de energia anual ínfimo para seu tamanho, de 55 kWh/m2, incluindo aí o funcionamento de todo o aparato mecânico e do único elevador. Tal eficiência energética é fruto de um design inovador focado na constante adaptação, tanto à luz quando ao aquecimento do prédio – estamos na Suécia, cujos invernos são quase-polares. A circularidade do prédio aliado às suas janelas triangulares permitem a entrada de luz natural na medida certa a qualquer hora do dia. A presença de um aparato fotovoltaico “pendurado” no exterior do último andar do prédio (visto na foto acima) que circula por seu perímetro de acordo com a posição do sol é a cereja do bolo dessa delícia ecoconsciente.

O design do Kuggen também não deixa de ser interessante em outros pontos arquitetônicos: o prédio cresce em circunferência à medida que sobe, como se fosse um bolo às avessas – o oposto dos prédios tradicionais, que costumam ter uma base maior e um topo mais fino. Suas paredes externas são todas de cerâmica terracota, projetadas para durar mais de 4000 anos.

Nos dias em que estive em Gotemburgo, a parte interna do Kuggen estava sendo reformada, para acomodar no futuro uma biblioteca para os estudantes da universidade local. Antes da reforma, o prédio tinha escritórios, onde funcionava parte da administração da universidade. Cheguei a entrar no primeiro andar do prédio para apreciar, mas com a obra, não pude subir – e eu queria mesmo era ir até o último andar. Ficou pra próxima. 🙂

NA VIZINHANÇA DO KUGGEN: CUCKOO’S NEST BAR

Kuggen

O Kuggen fica localizado no Science Park da Chalmers University of Technology. Logo que a gente desembarca da estação de ferry boat Lindsholmspiren, já vemos o prédio, meio que escondidinho – mas não menos chamativo – ali no meio dos demais. Mas ele está longe de ser a única atração naquela região da cidade, embora seja sem dúvida a mais interessante. Porque o Lindsholmen é uma área de ciência (!!!!) da cidade! Como não se apaixonar por uma cidade assim?

vibe do local gira ao redor de ciência e tecnologia, garantia de vários momentos #cataploft enquanto andava por ali. Dentre tanta coisa interessante minha favorita foi o Cuckoo’s Nest Bar, localizado dentro do hotel em que ficamos, foi eleito o “melhor bar de hotel da Europa” em 2014. A inspiração? Tudo científico, do menu à decoração ao balcão do bar ao papo dos bartenders. Um dos painéis decorativos aludia ao fato de que fica em Gothenburg um dos grupos mais importantes do mundo de pesquisa sobre grafeno, uma forma cristalina do carbono de fácil manuseio e mil e uma aplicações. Plmdd, quantos lugares no planeta contam com uma pesquisa acadêmica desse nível como destaque na decoração de um bar? Garanto não serem muitas… Absolutamente fantástico.

Aliás, a “decoração” do balcão do bar merece atenção especial: era uma equação gigantesca – e diz a lenda que se você resolve a equação, ganha um drink cientificamente aprovado. 😛

E, claro, o menu do bar/restaurante também tem inspiração científico-tecnológica, para delírio desta cientista malla que vos escreve.

(Amei o “sweet conclusions”! <3 )

O Cuckoo’s Nest é tipo de bar que, se eu morasse em Gotemburgo, seria frequentadora assídua. Ou pelo menos chamaria os amigos matemáticos para me ajudar a resolver a equação do bar… 😛

Tudo de cientificamente bom sempre.



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