Sexta Sub: SOS Grande Barreira de Corais Australiana

por: Lucia Malla Austrália, Corais, Mudanças climáticas, Oceanos, Sexta Sub

A Grande Barreira de Corais Australiana, patrimônio natural da humanidade pela UNESCO desde 1981, pede socorro. Vítima de temperaturas oceânicas cada vez mais elevadas por conta das mudanças climáticas, de uma temporada de El Niño massacrante em 2016, de resíduos orgânicos costeiros em demasia, teve ano passado uma área significativa de seus corais morta e mais um tantão de quilômetros danificados.

SOS Grande Barreira de Corais

Challenger Reef, na área norte da barreira de corais, a mais afetada pelo evento de bleaching de 2016. Esta foto dos corais saudáveis é de 1997.

A Austrália tinha um plano de proteção e recuperação a longo prazo deste patrimônio natural único que temos no planeta, com objetivos a serem alcançados até 2050. Entretanto, ontem, 33 anos antes do prazo, os conselheiros do governo australiano afirmaram que este plano a longo prazo já não é mais possível.

A Grande Barreira de Corais agoniza. Sua saúde anda abalada – e o prognóstico não é dos melhores. Tenta resistir a tantos ataques e ameaças cruzando seu caminho. Testa sua resiliência como pode. Tenta resistir às mudanças climáticas – mas talvez uma parcela dos danos já sejam irreversíveis. O nível de acidificação dos mares, a temperatura que não deixa as algas simbiontes coexistirem com seus corais hospedeiros, a poluição, o excesso de turismo – e um governo federal que, ainda hoje, não tem um plano de mitigação das mudanças climáticas decente, e não vê razão (!!!!!!!!!) para parar de investir em carvão como matriz energética.

A Grande Barreira de Corais grita, a seu modo, por SOS.

Mas, no mundo atual tão conturbado, são tantos gritos de SOS que ouvimos todos os dias, que os da Grande Barreira de Corais ecoam como que num vácuo, zumbido de fundo em ouvidos ocupados com outros problemas.

A Grande Barreira de Corais, o maior sistema de corais da Terra, com recifes de até 600.ooo anos, passará a ser listada pela UNESCO como “patrimônio natural em perigo”. O que isso significa? Que haverá maior pressão da UNESCO e mundial em cima da Austrália para fazer algo para salvá-la, ou pelo menos, diminuir o prejuízo.

Mas fazer o quê, se já ultrapassamos há tempos o limite de 350 ppm de CO2 na atmosfera, e estamos hoje a inacreditáveis 409.98 ppm de CO2 – and counting? E com os combustíveis fósseis ainda reinando na nossa rotina diária?

Eu ainda tenho esperança que um dia mais pessoas ouçam o grito ensurdecedor dos corais. A tempo. E que possam vê-los como nas fotos deste post: saudáveis.

Corais de Heron Island, na parte sul da barreira de corais.

Um futuro melhor para os corais sempre: meu desejo do fundo de um coração apertado.



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