Entrando numa fria no Ice Bar de Estocolmo

por: Lucia Malla Comes & bebes, Europa, Suécia, Viagens

Quando soube que iria para Estocolmo no verão passado para um congresso em minha área de pesquisa, comecei a procurar por hotéis que fossem bem localizados com o sistema de transporte. Logo achei um que ficava praticamente dentro da estação de trem que faz o traslado até o aeroporto, o Hotel C. Mas o melhor deste hotel não era a localização, no central bairro de Vasaplan. Afinal, ele tem um Ice Bar. Isso mesmo, um bar completamente de gelo dentro do hotel.

Fiquei encantada com tal possibilidade tão escandinava. O que é engraçado, porque eu d-e-t-e-s-t-o frio. Mas por razões que nem a própria razão reconhece, a-m-o estas experiências bizarras geladas por um curto intervalo de tempo. Já havia entrado num Ice Bar em São Paulo em 2008, e adorado a experiência. Seria uma boa oportunidade de entrar de novo numa fria. Mas desta vez no contexto correto, em um país polar. 😛  Então reservei o Hotel C. Logo na primeira noite em Estocolmo, depois de andar o dia inteiro pela cidade, fui conferir então o Ice Bar.

Siga o alce fake.

O design do Ice Bar de Estocolmo

O Ice Bar de Estocolmo é parte da rede IceHotel na Suécia. É a mesma rede que constrói o famoso hotel de gelo em Jukkasjårvi, a 200 km ao norte do Círculo Polar Ártico. Isto sim é entrar numa gelada… O bar é todo feito com blocos de gelo de 1 x 2 x 1 metros que vêm de Jukkasjårvi. No total o Ice Bar utiliza 40 toneladas de gelo a cada ano. Mas o mais legal é que, a cada ano, um artista diferente elabora e decora o interior do bar. Ou seja, todo ano, o “tema” e a decoração do bar mudam, afinal.

Em Estocolmo, o Ice Bar se mantém aberto 9 meses do ano: na primavera ele fecha, porque é descongelado completamente, os novos blocos de gelo chegam e o artista do ano começa o processo de reconstrução do Ice Bar. Que reabrirá no final de abril.

Entrando numa gelada

Antes de me dirigir ao interior da câmara fria do Ice Bar – mantida a gélidos -5ºC -, paguei minha entrada de SEK 170. Isto equivale a ~20 dólares; hóspede do Hotel C tem desconto. Recebi, então, uma vestimenta adequada para a experiência: um casaco-poncho super-grosso, com um capuz poderoso. A entrada dá direito também a um drink no bar, à escolha do freguês. Só que não tem cerveja no cardápio, porque esta congelaria a esta temperatura. Portanto, só bebidas mais fortes.

Perguntei ao mocinho da entrada o tempo médio que as pessoas conseguem ficar lá dentro naquela gelada. Ele me respondeu enfaticamente: 20 minutos. Como em minha tese de mestrado estudei os mecanismos de termogênese do tecido adiposo marrom na exposição ao frio, respirei fundo e encarei este “experimento científico”. Entretanto, desta vez, era eu mesma a cobaia. E comecei a imaginar que meu tempo deveria ser metade desta média, dado que sinto muito frio até no Havaí… Que dirá em temperaturas árticas.

Ice Bar de EstocolmoDepois de passar pela porta dupla da câmara fria, a constatação óbvia: o IceBar é lindo! O transparente do gelo com a iluminação azulada me deu a sensação de estar nadando num lago – gélido, mas ainda assim dentro d’água. O tema do ano era “River to River” e exaltava a água, este patrimônio tão essencial aos seres vivos.

Dentro das paredes, diferentes figuras que lembravam água. Inclusive a própria molécula de água desenhada. Fenomenal!

Mas estava ali com tempo contado, já que o frio espanta rapidamente os clientes. É possivelmente o bar de maior rotatividade do planeta, já que não dá pra ficar nem 1 hora sem padecer de hipotermia.

Os drinks

Aproximei-me do bar e pedi ao bartender um drink que achei que tinha tudo a ver comigo. O nome era Sunrise. Além de aludir ao sol (do Havaí onde moro), tinha Triple Sec, a bebida predileta dos estudiosos da selenocisteína. #PiadaInternaDoMundoDoSelênio 

Os drinks são servidos em apropriados copos de gelo que depois de utilizados são… derretidos. Isto mesmo, o bartender não precisa lavar louça no Ice Bar. 😀

Puseram água no gelo.

Enquanto o bartender preparava meu drink, puxei um papo. O que ele achava de trabalhar naquele congelador? Ele estava de casaco, mas não parecia ser um casaco muito eficiente. O moço respondeu que além de estar acostumado com o frio, pois era esquiador nas horas vagas, ele saía a cada hora para esquentar um pouco.

(Eis um emprego que jamais poderia ter na vida: bartender do Ice Bar. Deve ser incrível a eficiência do tecido adiposo marrom deste pessoal, nosso órgão responsável por produzir calor…)

Com meu drink na mão, dei umas voltas pelo Ice Bar. As mesas e bancos são de gelo e havia dois corredores/ambientes principais, um deles com um trono de gelo e uma coroa esculpida no gelo. O frio começava a penetrar nos meus ossos, mas quis ser forte: tomei meu drink numa golada e pedi outro. Queria provar a mim mesma que poderia aguentar mais que os 20 minutos médios dentro daquele freezer.

E aguentei. Depois do segundo drink, já com as mãos e pés adormecidos do frio, saí do Ice Bar e olhei no meu celular: foram exatamente 31 minutos naquela friaca. Yes, we can!!!

Vale o frio

Repeti a dose quase todas as noites em que estive em Estocolmo, com o maior sorrisão animado.

Uma Malla no Ice Bar. (Quase uma viking do gelo!)

A experiência é única e em minha opinião vale cada batida de queixo. Se estiver em Estocolmo, não deixe de aproveitar esta oportunidade de entrar numa fria de verdade.

Tudo de gelo sempre.


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