De São Paulo a Bonito

por: Lucia Malla Bonito & Pantanal, Brasil, São Paulo, Viagens

Diferente da expectativa habitual, a saída de São Paulo foi tranqüila, sem maiores problemas de trânsito. Era antes das 7 da manhã quando começamos a longa travessia da Raposo Tavares, rodovia que tomamos do início ao fim, em nosso rumo a Bonito, no Mato Grosso do Sul.

De São Paulo a Bonito: rodovia Raposo Tavares

De São Paulo a Bonito - BR

Estava frio em São Paulo e a primeira parada foi numa padaria perto da cidade de Alumínio para um café rápido. Certos trechos da Raposo estavam bem cheios de névoa e o asfalto justamente nesses trechos não colabora. Mas depois de Ourinhos, o tempo ficou firme, a paisagem mudou radicalmente para enormes campos de plantações variadas, o asfalto melhorou e a viagem começou a tomar ares de périplo mesmo.

A paisagem de plantações de cana-de-açúcar, milho e demais gramíneas forrageiras é por demais monótona, mas totalmente diferente da monotonia da paisagem na Patagônia, por exemplo, onde a vegetação de estepe, a amplitude do relevo e as retas eternas da estrada são lindas, mas dão sono. No interior de São Paulo, esses campos têm de vez em quando um ipê amarelo florido, ou uns boizinhos alinhados, ou vemos um mega-silo fotogênico, ou uma penitenciária de segurança máxima, de modo que muda um pouco a paisagem e não cansa tanto.

Parada em Presidente Prudente

Nossa idéia inicial era fazer o trajeto até Bonito em 2 etapas, parando em Presidente Prudente para passar a noite. Mas era ainda 1 da tarde quando chegamos a esta cidade. Em Presidente Prudente, gostei do que vi logo de cara: o Parque do Povo, área de lazer no centro da cidade, conta com academia de ginástica ao ar livre. Equipamentos todos estilo heavy duty, debaixo da sombra de árvores enormes – ou seja, mesmo com um calor de rachar, você consegue se exercitar numa boa. Isso que é acesso à atividade física para a população, parabéns ao gestor que teve (ou copiou de alguém) tal idéia vencedora.

De São Paulo a Bonito - Presidente Prudente

Presidente Prudente em dia ensolarado.

De São Paulo a Bonito - cupinzeiros

Um lugar-comum nos campos do Brasil: os cupinzeiros. Acho-os extremamente fotogênicos, principalmente com as diferenças de solo.

O sol estava lindo e convidava a continuar pela estrada. Chegamos, então, em Presidente Epitácio e vimos aquele “mar” de água que é o rio Paraná ali na divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul – uma placa na beira da estrada mostrava a divisa na realidade antes da ponte, apesar de no mapa vermos claramente a divisa pontilhada no meio do rio. Será então que aquela água toda pertence só ao estado do Mato Grosso do Sul? Fiquei na dúvida.

A estrada no Mato Grosso do Sul

Elocubrações geográficas à parte, alguns minutos depois de passar por cima do rio Paraná, estávamos em terra firme no Mato Grosso do Sul, estado brasileiro que tem a maior área do complexo aquífero do Guarani, uma verdadeira mina de ouro dos tempos modernos, reserva para o futuro seco que nos espera.

Chegando ao Mato Grosso do Sul, chegou também: a plantação de eucalipto.

No MS, a BR267 piora muito. Tráfego intenso de caminhões, monopista e asfalto esburacado. Deu saudade dos trechos “ruins” da Raposo. Em compensação, a paisagem de plantações ganha agora novos componentes “voadores”: siriemas e emas, que de vez em quando passeiam na beira da estrada. Passamos por Bataguassu e terminamos o dia em Casa Verde, há mais de 100km da divisa. Um vilarejo no meio do nada, com assentamentos do MST e um hotel de beira de estrada okzinho. Já entardecia e era hora de descansar das 9 horas seguidas na estrada.

Dica malla: se você for de carro para Bonito, pare em Bataguassu. Ali pelo menos parece ter uma pousadinha mais decente.


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Ema e siriema, ambas na beira da BR.

Chegada em Bonito

De manhã cedinho, mal terminamos o café da manhã, já estávamos na estrada de novo, rumo ao nosso destino. A paisagem aos poucos se tornava realmente mais “densa”. As plantações ainda existiam – inclusive de eucaliptos, que infelizmente já chegaram ao Pantanal (notícia triste). Mas agora havia mais árvores rebuscadas, mais carcarás e cada vez menos caminhões. Principalmente depois de Maracaju, cidade cujo trevo central exibia 3 máquinas de irrigação enormes como decoração. Agrobusiness é isso aí.

De São Paulo a Bonito - silo em Maracaju

Silo em Maracaju.

Chegamos em Bonito antes do meio-dia, bem antes do previsto, que era de noite. Foi ótimo, porque pudemos dar uma volta pela cidade. Que, aliás, cresceu muito. Entretanto, no sentido certo do desenvolvimento. Há 5 anos estive em Bonito pela 1ª vez, e a cidade tinha uma infra-estrutura muito mais simples.

Hoje, virou uma cidade turística mesmo, de nível internacional. Não deixa, aliás, nada a desejar aos melhores destinos ecoturistas das Filipinas ou Indonésia. As ruas são bem sinalizadas, há mapas em qualquer lugar para o turista, informações em inglês e envolvimento da população saudável nas interação com o turista. Lindo será o dia que outras cidades que circundam destinos importantes tiverem organização como esta: será o dia que o Brasil poderá se vender como um dos melhores destinos de ecoturismo do planeta sem vergonha nem complexo de inferioridade algum e que o turista virá sem medo. Somos lindos e pronto.

De São Paulo a Bonito - monumento às piraputangas

O Monumento às Piraputangas, na praça principal de Bonito.

A cidade ganhou uma praça com uma escultura central magnífica: o Monumento às Piraputangas. Porque este é o peixe-símbolo do ecoturismo em Bonito.

Nosso hotel em Bonito

Depois de uma volta deliciosa ali, fomos nos acomodar com calma no nosso hotel, o Águas de Bonito. Conheci a Juliana, que cuidou de todos nossos passeios em Bonito, e a Regina, proprietária simpática do hotel. Vale comentar que este hotel participa de um projeto bacana de sustentabilidade e economia no consumo d’água junto com a ONG Instituto das Águas da Serra da Bodoquena. Por esse engajamento verde, já ganhou pontos no ranking malla de ecoturismo – apesar da piscina. 😀

De São Paulo a Bonito - Hotel Águas de Bonito

Hotel Águas de Bonito: nosso quarto simples e aconchegante.

De São Paulo a Bonito - piscina

A piscina pra refrescar desse calorão…

Como a tarde estava livre, decidimos então fazer o nosso primeiro passeio. Foi supimpa. Mas essa história fica pra outro post

Tudo de Bonito sempre.

P.S.

  • A Pati venceu o Desafio Malla Premiado! A foto do post passado foi o primeiro banner do meu blog, e ficou um ano “no topo” de todas as aventuras que eu contava aqui. Pati, parabéns! 🙂
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