Onde ficar em Komodo?

por: Lucia Malla Ásia, Indonésia, Mergulho

Recentemente estive em Bali, na Indonésia a trabalho. Atrelamos então a esta viagem um sonho de longa data: ver os dragões de Komodo. Só que ir a Komodo no nosso dicionário também significa mergulhar. Afinal, aquela região tem alguns dos corais mais lindos do mundo, além de uma biodiversidade escandalosa de linda. Começamos então a procurar informações sobre como seria melhor montar uma viagem de mergulho naquela região. Onde ficar em Komodo? Em um resort de mergulho? Fazer base em Labuan Bajo? Ou encarar um liveaboard em Komodo?

Dragão de Komodo
O Rei de Komodo.

No final das contas, por nosso interesse maior ser mergulho, decidimos por um liveaboard de mergulho em Komodo, o Ratu Pelangi.

Descrevo abaixo nossa escolha, com alguns prós e contras das opções que estudamos. Para – quem sabe – ajudar você a fazer a sua escolha, de acordo com as suas prioridades de viagem. 😉

Para quem mergulha, a Indonésia é a verdadeira Disneylândia. Afinal, é neste país que estão alguns dos melhores mergulhos do planeta. Por estar situada no centro do triângulo de corais, a biodiversidade marinha é assustadora. Há mergulhos em que você não precisa nadar mais de um metro e fica entretido com milhares de espécies ao redor, principalmente de invertebrados pequenininhos. É surreal.

Indonésia: Disneylândia do mergulho

Onde ficar em komodo
Marina de Labuan Bajo cheia de liveaboards para curtir as maravilhas marinhas da Indonésia.

O Parque Nacional de Komodo

O Parque Nacional de Komodo, perto da ilha de Flores, é entretanto um ponto de destaque dentro da Indonésia. Isto porque ele está numa “fronteira” de correntes marinhas. O que leva o Parque a ter praticamente dois tipos de ecosssistemas de corais diferentes. Ao norte, com a maior temperatura da água (~26ºC), os corais são mais coloridos e biodiversos. Já ao sul, com a água fria (~18ºC!), os corais moles predominam.

Esta diferença entre os ambientes é sutil, mas muito interessante de se ver. E já vale para tentar fazer o mergulho em ambas as regiões a meu ver.

O Parque Nacional de Komodo é composto de inúmeras ilhas. As maiores e principais são Komodo, Rinca e Padar. No mapa abaixo, o vermelho pontilhado indica o limite do Parque Nacional. Cada bandeirinha vermelha é um ponto de mergulho diferente.

Mapa - Parque Nacional de Komodo
Mapa do Parque Nacional de Komodo, com seus diversos pontos de mergulho. Em verde, as ilhas indonésias; em branco, o mar. O pontilhado indica os limites do Parque Nacional. No quadrado, a cidade de Labuan Bajo.

Labuan Bajo é a cidade-base para fazer os passeios e mergulhos em Komodo. Por isso, começo meus pitacos desta cidade.

Opção 1: Day trips saindo de Labuan Bajo

A primeira possibilidade que pensamos era ficar em um hotel em Labuan Bajo mesmo, e fazer day trips de mergulho até o Parque Nacional de Komodo. Esta opção parecia factível no mapa. Além de abrir espaço para alguns passeios por terra que poderiam ser interessantes.

Labuan Bajo - Indonésia
Labuan Bajo: porto de saída para as visitas ao Parque Nacional de Komodo, na Indonésia.

Entretanto, hoje, depois que mergulhamos lá, vejo que teria sido uma opção bastante inconveniente.

Isto porque nosso foco principal era o mergulho. E os pontos de mergulho de Komodo são distantes de Labuan Bajo. Principalmente para chegar aos melhores points, são quase duas horas de barco. Ou seja, ficaria bastante cansativo sair todo dia e encarar uma viagem de barco, fazer dois ou três mergulhos, e voltar. Além de dificultar fazer mergulho noturno, o que também era um ponto a se considerar.

Além disso, a cidade de Labuan Bajo não é das mais atrativas. É uma cidadezinha portuária, sem muitas opções de atividade aquática a não ser a ida a Komodo.

Parênteses: nosso hotel em Labuan Bajo

Hotel em Labuan Bajo - Komodo - Indonésia
Hotel La Cecile: nossa hospedagem BBB em Labuan Bajo.

Embora a gente não tenha optado por ficar em Labuan Bajo e fazer os mergulhos saindo de lá pela inconveniência, ainda assim nos hospedamos em um hotel em Labuan Bajo. Afinal, quando voltamos do liveaboard, tínhamos um dia livre em Labuan antes de pegarmos o vôo de volta para Denpasar.

E, como era apenas uma noite, escolhemos um hotel bem budget, o La Cecile. Limpo e organizado, sm grandes luxos mas eficiente, e com uma vista incrível da cidade e do mar de Flores. Oferece serviço de traslado do porto de Labuan Bajo até o hotel. O café da manhã é incluso, com opção ocidental ou indonésia. No geral, achei um hotel de excelente custo-benefício.

Seguro Viagem: Ásia
GTA 75 EUROMAX GTA 75 EUROMAX Assistência médica USD 67.000 Bagagem extraviada USD 1.200 (COMPLEMENTAR) R$ 27/dia*
AC 60 MUNDO (Exceto EUA)  + TELEMEDICINA AC 60 MUNDO (Exceto EUA) + TELEMEDICINA Assistência médica USD 60.000 Bagagem extraviada USD 1.200 (COMPLEMENTAR) R$ 19/dia*

Opção 2: Dive resort perto do Parque de Komodo

Dentro do Parque Nacional de Komodo não há hotéis ou resorts. Afinal, é uma área de proteção, e apenas a comunidade local pode ficar nas ilhas que compõem o parque.

Entretanto, na região adjacente ao Parque de Komodo há diversas ilhas que não fazem parte do Parque. Algumas destas ilhas contam com resorts estrelados, de luxo imbatível. Em geral, com um dive center, para organizar mergulhos e os passeios pelo Parque de Komodo.

Ficar em Komodo num resort de ilha é uma opção mais relax e confortável. Além disso, estará mais próximo dos pontos de mergulho do que ficando em Labuan Bajo. Mas ainda assim, para alguns points de mergulho, principalmente aqueles localizados no centro e sul do Parque de Komodo, haverá um traslado longo de barco. O que não é um problema, se você também quer curtir uma praia tranquila de resort.

Além disso, os resorts de ilha geralmente têm o house reef, onde é possível fazer mergulhos noturnos. Naquela região da Indonésia, acredito que não haja possibilidade de um house reef dali ter um mergulho “ruim”. Todos têm biodiversidade e criaturas lindas pra exibir.

Opção mais cara

Os resorts de ilha em Komodo são uma opção mais cara. Cada mergulho sai em média por US$50,00 na maioria dos pacotes. Acrescente a este valor o fato de que os passeios a Padar Island e a Komodo para ver o dragão geralmente não estão inclusos no preço da estadia. E estes passeios costumam ser caros, por conta da distância e das taxas do Parque. Ou seja, ficando em um dive resort de ilha, seu orçamento de viagem deverá ser maior. O que na Indonésia, que é um destino barato, pode não ser um problema…

Padar Island - Indonésia
Por do sol em Padar Island: passeio imperdível em Komodo.

Outra vantagem da estadia em um resort são os passeios terrestres. Em geral, você pode dedicar um dia inteiro a visitar Padar Island, ver o dragão de Komodo e/ou ir na Pink Beach. Que são passeios imperdíveis naquela região.

Em junho, um conhecido nosso sugeriu que nos hospedássemos em um dive camp low-cost de mergulho em uma das ilhas perto de Komodo, o Flores X-Pirates Dive Camp. Ele havia adorado a estadia por lá. É um acampamento de mergulho, frequentado por gente mais jovem. Portanto, além dos mergulhos, pode ser que haja um pouco de agitação por conta da faixa etária dos hóspedes. Entretanto, nas datas em que iríamos, este dive camp estava completamente lotado. De modo que tivemos que pensar em alternativas.

Olhamos alguns outros resorts interessantes. Um que nos chamou a atenção foi o Komodo Resort, que fica na mesma ilha do X-Pirates. Embora confortável e super-bem elogiado, ainda assim a opção do dive resort era cara e menos flexível. Não nos convenceu, portanto. De modo que continuamos analisando opções.

Opção 3: Liveaboard em Komodo

A opção por um liveaboard começou a florescer à medida que decidimos que aproveitar o mergulho nos diferentes pontos do Parque de Komodo era nosso objetivo principal. Em um liveaboard, estaríamos imersos completamente no parque 100% do tempo. Além disso, poderíamos mergulhar tanto no sul quanto no norte, e experimentar o ambiente subaquático variado que o Parque possui.

Onde ficar em Komodo - Liveaboard Ratu Pelangi
Liveaboard Ratu Pelangi.

Nos fóruns sobre liveaboards em Komodo, uma das primeiras reclamações era a quantidade de baratas em algumas das embarcações. O que, de cara, já me fez ser ainda mais ~malla na escolha do barco para esta aventura. Depois de muito pesquisar, ficamos em dúvida entre dois barcos com opções muito parecidas. Por fim, escolhemos o Ratu Pelangi, barco da operadora Mikumba Diving, em um liveaboard de 4 dias. Primordialmente porque este barco foi remodelado em 2018, o que garantiria um nível de higiene mais agradável.

Como opção de hospedagem, o liveaboard é obviamente menos confortável que um quarto de hotel. No caso do Ratu Pelangi, por exemplo, o quarto é pequeno e o banheiro é compartilhado. Enfim, é uma opção mais rústica.

Por que o liveaboard em Komodo foi nossa escolha

Entretanto, no quesito “onde ficar em Komodo”, há vários pontos favoráveis para a opção “liveaboard” – e que levaram afinal à nossa escolha por esta opção.

Em primeiro lugar, o preço. A estadia em um liveaboard inclui alimentação e os mergulhos, e ainda assim, na ponta do lápis ficou cerca de 30% mais barato por mergulho que ficar em um resort de ilha.

Em segundo lugar, a economia de tempo e conveniência. Enquanto você se alimenta ou dorme ou lê um livro, o barco já está se deslocando para o point de mergulho. Com isso, você não só economiza bastante tempo de traslado como, nos points mais concorridos, garante ser o primeiro grupo de mergulho a aparecer. Pega o point vazio e pode aproveitar mais tranquilamente.

Em terceiro lugar, – e isto foi uma serendipidade, admito – a vibe jovial. Nossos companheiros de liveaboard eram particularmente jovens, na faixa dos 20-30 anos. Isto colaborou para a empolgação e animação constantes durante a jornada. Claro que este fator é aleatório, você pode cair com um grupo de pessoas completamente diferente.

E de quebra, o liveaboard ainda incluiu os passeios terrestres a Padar Island e para ver o dragão de Komodo. Ou seja, também fizemos os principais passeios terrestres.

Conclusão

Se seu objetivo de viagem na Indonésia é mergulhar em Komodo, sugiro imensamente fazer um liveaboard. É a opção mais vantajosa em termos de custo-benefício – além de mais abrangente. Recomendo muito.

Onde ficar em Komodo - Indonésia

Tudo de bom sempre.


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