Sexta Sub: 50 anos do estado do Havaí

por: Lucia Malla Havaí, Política, Sexta Sub, Viagens

São os 50 anos do estado do Havaí, e quem vem celebrar aqui na Sexta Sub é o mamífero símbolo do estado: a foca-monge havaiana.

Foca-monge havaiana

A foto não é sub, eu sei. Mas é de um animal marinho que mergulha bastante, é endêmico do Havaí e extremamente ameaçado de extinção – pouco mais de 1000 sobraram. Ninguém melhor que a foca havaiana para introduzir minhas parcas considerações sobre essa data. Afinal, ela é tão representativa quanto celebrada quanto (ainda) controversa.



50 anos do estado do Havaí

Statehood - 50 anos do estado do Havaí

A foto acima está exposta no mesmo museu de memorabilia que falei anteriormente. É da primeira página do jornal Honolulu Star Bulletin, no dia 21 de agosto de 1959, quando o Havaí foi oficialmente incorporado à federação americana como estado. Até então, o estado era um território, status que ganhou quando a monarquia se dissolveu em 1893.

A incorporação aos Estados Unidos não foi simples, é claro. Embora tranquila – não houve guerra alguma para tal feito – e fruto de uma votação democrática, um grupo de residentes ainda lutavam contra, tentando unir as ilhas para reconstruir o Reino do Havaí. (Na realidade, até hoje, há facções separatistas inconformadas com a anexação havaiana e que aspiram ao retorno dos herdeiros de Kamehameha ao poder.)

Sobre os havaianos nativos

Um dos maiores problemas desde a incorporação do Havaí aos EUA é o dos nativos havaianos. Obviamente, eles estavam aqui primeiro, e logo depois da incorporação, houve uma clara separação da sociedade, com os havaianos sendo prejudicados em diversos níveis pelo poder americano continental que se infiltrou no arquipélago. Para diminuir o gap sócio-econômico entre os havaianos e os não-nativos, foi sugerida em 2005 a Lei Akaka, que basicamente oficializa os havaianos como um povo indígena dos EUA, com os mesmos direitos de minoria dos cherokees ou dos esquimós.

Como toda lei, há os favoráveis e os oponentes. Os favoráveis acreditam que estes privilégios são necessários, já que os havaianos perderam tanto desde que os europeus e asiáticos para cá vieram e que os americanos passaram a reger as ilhas; os oponentes acham que a lei gera racismo no estado, já que ser havaiano aqui não é exatamente estar em menor número, pelo contrário (e aqui entra aquele velho chavão de que “minoria é só numérica”, esquecendo que uma minoria social não se conceitua exatamente com base em números, etc).

O exercício de futurologia que deixo aqui é com as seguintes perguntas. E se o Havaí ainda fosse uma monarquia? Como será que a situação estaria hoje? Quais as diferenças e semelhanças poderíamos ver?

Enfim, divagações à parte, aproveitando as comemorações oficiais de 50 anos do estado do Havaí, o governo realizará hoje uma convenção aberta à sociedade no Centro de Convenções de Honolulu, onde questões pertinentes à incorporação pretendem ser levantadas, além de proposições para o futuro. Que bons frutos saiam dessa oportunidade democrática de discussão.

Estátua do rei Kamehameha I - Honolulu - Havaí
Estátua do Rei Kamehameha I no centro de Honolulu.

Desde o início de agosto, me propus a postar em celebração aos 50 anos do estado do Havaí apenas posts sobre o estado. Minha intenção não foi falar do lugar-comum que todo mundo já sabe (surfe, hula, vulcões, colares de flores, etc.). Mas sim trazer um pouco de curiosidades e assuntos colaterais, que não são normalmente associados ao Havaí ou que são esquecidos frente aos temas havaianos chavões de sempre. Deixo aqui a lista dos temas dos posts anteriores deste mês especial, para futura referência de quem passar por aqui.

A partir de amanhã, voltarei portanto à programação normal de viagens na maionese. 😛

Tudo de bom sempre.

P.S.

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