Twittando o Roda Viva com Carlos Minc

por: Lucia Malla Antigos, Brasil, Ecologia & meio ambiente, Entrevistas, Mallices, Política, TV

Ontem à noite, eu, Carlos Hotta e Érica tivemos a honra de sermos convidados a twittar a entrevista do Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente, no programa Roda Viva, na TV Cultura. Twittando o Roda Viva era, afinal, uma nova experiência para esta Malla.

Twittando o Roda Viva - Carlos Minc
Carlos Minc no centro do Roda Viva.

A estréia da Lillian no Roda Viva

Foi também a estréia da super-competente Lillian Witte-Fibe como apresentadora do programa, e ela parecia sentir um pouco a pressão do momento importante.

Twitteiros: Lucia Malla, Érica e Carlos Hotta
Os twitteiros convocados: eu, Érica e Carlos Hotta, em momento descontração pré-entrevista.
Lillian Witte-Fibe - Roda viva
Uma Malla com sua ídola de muito tempo e nova apresentadora do Roda Viva, Lillian Witte Fibe.

Aos interessados em saber o que foi twittado/comentado durante a entrevista, sugiro o twemes ou o tweetscan, ambos usando a tag #rodaviva, e ambos não tão eficientes – muitas mensagens que troquei com o Doni, com o Thiago e com Chico simplesmente não aparecem em nenhum dos 2 agregadores de twittadas. Ainda carecemos de uma boa busca pro twitter. Mas pelo menos, o twitter mesmo funcionou, o que dado o nível de fundo-de-quintalzice da coisa, até já está de bom tamanho.

Novidades

A experiência de estar lá, ao vivo, participando de um programa de tão alta qualidade, é na realidade o foco do meu post. A TV Cultura mostra estar antenada com a “mudernidade” tecnológica ao abrir espaço pros twitteiros, embora devesse aproveitar melhor essa interação, talvez falando alguns dos comentários do twitter. Mas no final das contas, todo mundo pode ler e reler depois os comentários que eu e os inúmeros amigos conectados deixamos lá. Mas são os detalhes de bastidores que eu achei o mais legal de toda a experimentação.

Foi meu segundo encontro com um político de alto escalão. O primeiro foi com Lula em 2005, quando ainda morávamos na Coréia e ele foi em Seul participar de um fórum da ONU sobre governância. Comparando Carlos Minc e Lula, ambos têm a mesma qualidade essencial política da oratória, do discurso que convence, mesmo quando achamos vários problemas nele. Há um jeito de falar que quase impede o seu contraponto. Quase.

Bastidores

Carlos Minc, Carlos Hotta e Lucia Malla
Momentos da conversa com o Carlos Minc pré-Roda, puxando a sardinha pro lado dos mares.
Twittando o Roda Viva
Repare como o Minc demonstra estar profundamente interessado. Político é isso aí.

Chegamos eu e André na TV Cultura às 21:30. Fomos recepcionados pelo Mateus, que nos encaminhou para uma salinha onde uma mesa cheia de quitutes, refrigerante, suco e café nos aguardava. Na parede dessa sala pré-gravação, inúmeros cartoons maravilhosos do Paulo Caruso, em diferentes entrevistas. O Carlos Hotta já estava lá, e ficamos então conversando e comendo pão-de-queijo, até que o Min(c)istro apareceu. Aí não me contive, e fui puxar uma “conversinha” com ele.

Cartoons do Paulo Caruso - Roda-Viva - TV Cultura
Um dos cartoons do Paulo Caruso na sala pré-estúdio.
Quitutes diversos para todos.

Pesca com Carlos Minc

A impressão imediata é do quanto ele é envolvente discursando. Sabe aquelas pessoas que contam que foram abduzidos por um OVNI olhando tão no fundo dos seus olhos que você até acredita naquela balela? Pois o Minc, com sua fala mansa, é assim. Por um lado, é uma característica política positiva: convence. Se abraçar a causa certa, mais fácil conquistar os louros. Mas também dá um certo medo, porque se ele abraça algo fora do consenso, falando daquele jeito, consegue abarcanhar um bom número de pessoas no lero. Ele conversa como se você fosse a única pessoa no mundo naquele momento, e não importa quem seja. Deu atenção igual a mim, ao Hotta e a Lillian nas oportunidades de conversa. Incrível.

Mas, é claro, como cientista, estou calejada de falar pro vento. Tentei ao máximo não cair na conversa de cerca-lourenço do Minc. Fui direto ao assunto, entre um quitute e outro: a questão dos mares no Brasil. Perguntei suas propostas para a atividade pesqueira. Ele, na já tradicional profundidade enroladora, disse que o Brasil tem potencial para liderar a preservação das baleias e todas as questões pertinentes ao Atlântico Sul – no que concordo. Claro, não me satifiz apenas com esse âmbito da questão. Puxei a sardinha (pun intended) para a pesca indiscriminada e o problema dos tubarões.

Ele mostrou um certo desconhecimento sobre o tema, pois falou do aumento dos ataques em Recife (???) devido ao colapso dos peixes. Mas sabemos que o problema dos tubarões é o oposto, o overfishing, nem de longe restrito à Recife no Brasil e não tão simples assim. Enfim, pelo menos tentei. Ele, entretanto, frisou que convidou como sua assessora para questões de aquecimento uma das cientistas brasileiras do IPCC, ou seja, uma Nobel sobre mudanças climáticas. Um bom passo pode vir daí. Veremos.

Produção

Mas aí chegou a mocinha da produção e me interrompeu, dizendo que eu precisava ir me maquiar. E lá fui eu, levar quilos de pó na cara. Curti a trança que fizeram no meu cabelo, though. Ficou mais simpática na TV.

E da maquiagem, entramos no estúdio – que me lembrou minha visita ao Universal Studios em LA, cheia de cenários e afins. Já na minha cadeira de twittagem, liguei meu computador (destaque especial para a foto de tartaruga cobrindo o logo da Apple no meu computador e pro brontossauro no computador do Carlos), pus meu tubarão-martelo de estimação ao lado e entreguei minha lista de perguntas trazidas de casa sobre cerrado e tubarões para a Marta Salomon, jornalista especial da Folha e esposa do adorável Sergio Leo. Que não as utilizou, por falta de tempo.

Twittando o Roda Viva

A twittagem começou antes do programa ir ao ar. A Lillian Witte Fibe fez a chamada do pessoal (me senti na escola) e as discussões já estavam quentes porque o ministro simplesmente adora falar. Ele não parou de discutir nem durante os intervalos do programa. Antes do programa ir ao ar, a Lillian teve que pedir para ele dar um tempinho para ela poder… Começar o programa! De novo, parecia aquelas professoras fofas e educadas da 4a série pedindo pros alunos fazerem silêncio. E o Minc parecia um daqueles alunos de fundão de classe, que nunca ficam quietos. Só que ele estava no centro da Roda.

Lillian Witte-Fibe e Carlos Minc
Lillian Witte Fibe dando bronca no ministro por suas respostas escorregadias.
Twittando o Roda Viva - twitteiros - TV Cultura
Os twitteiros em ação, twittando da bancada do Roda Viva.

Depois daqueles acordes em versão power de “Roda Viva” do Chico Buarque e das introduções, começou a entrevista. Os assuntos que já imaginava dominaram: Amazônia, soja, Amazônia, mudança climática, Amazônia, biodiversidade, Amazônia, Rio, Amazônia, Mata Atlântica… É inacreditável perceber como a Amazônia domina a conversa. Ainda assim, repetem-se as mesmas falácias de “pulmão do mundo” (não é!). Me pergunto quantos ali já leram profundamente sobre o tema ou conversaram efetivamente com um ribeirinho para entender a realidade da vida na região… Ou viveram lá, pelo menos.

Meio meio ambiente

Além do mais, meio ambiente no Brasil não é só a Amazônia. Mas, dada uma das questões feita por uma internauta, parece que as pessoas entendem os ecossistemas brasileiros assim: Amazônia -> Mata Atlântica -> caatinga -> o resto (= cerrado). O mar nem conta nessa equação, para minha tristeza imensa.

Senti muita falta de alguém puxando a conversa pro lado da política pesqueira. Eu sei que existe um Ministro da Pesca, o Altemir Gregolim, que teoricamente é o mais responsável sobre esse tema. Mas a manutenção da biodiversidade marinha, a fiscalização em cima dos chineses que vêm fazer a limpa dos tubarões no nosso mar, muitas vezes disfarçados em bandeira brasileira, usando uma brecha legal para coletar mais e mais tubarões (o bycatch permitido de 5%)… esses temas estão muito relacionados à pasta do Meio Ambiente e precisam ser conversados em conjunto no governo federal. E não apenas passar a bola pros governos estaduais.

No twitter…

Enquanto o Minc escorregava mais que sabonete tentando responder às perguntas da Roda (e o jornalista americano Michael Astor com conhecimento de causa destacado imprensava o ministro), a conversa no twitter pegava fogo.

Na minha opinião pessoal, o objetivo de estar twittando não é narrar o que o entrevistado está falando. É exatamente acrescentar comentários, opiniões, discussões, trazer uma nova camada de informação ao programa da TV. E foi isso que tentei fazer twittando, comentando desde a pulseirinha hippie do Minc até o que o ministro entende por “recompor biodiversidade”. Usar a nova mídia que a Cultura tanto preza de uma forma mais antenada com a própria ferramenta e com o usuário do outro lado da tela. Se deu certo, não sei. Mas foi a forma que achei mais interessante de passar uma informação a mais.

Twittando o Roda Viva - TV Cultura
Uma micro-parte da do que estávamos twittando durante o Roda Viva.

A última frase do Minc no Roda Viva foi emblemática, e fiquei particularmente feliz pela propaganda espontânea de tabela (que ele nem sabe que fez). Minc disse: “Faça a sua parte“. Quando o programa terminou, apesar de inúmeros temas terem ficado de fora (é meio ambiente, é complexo e esquecer coisa já era esperado), estava sorridente e com dor nas costas de tanto ficar twittando e vibrando com as questões colocadas pelo pessoal no twitter.

Twittando o Roda Viva – Conclusão da experiência

Conclui que fiquei super-feliz de participar. Foi uma experiência maravilhosa ficar twittando ao vivo, e recomendo a todos que estiverem a fim. Basta escrever para a TV Cultura (novasmidias@tvcultura.com.br) dizendo seus temas de interesse que eles te chamam. Antes de desligar o computador, corri para tirar uma foto com a Lillian, que por sua vez corria para ir embora logo e descansar da tensão da estréia.

E aí, todos se encontraram na saída do estúdio com o Carlos Minc, que continuava falando… Ele não para de falar, e se a TV Cultura não tivesse que fechar, ele ia ficar ali até de madrugada falando sobre ambiente. Deu vontade de convidá-lo para uma cerveja ou café nutella da madrugada e continuar o papo maravilhoso e instigante, mas é claro que os assessores já estavam chamando para o mundo real, sem mallices.

Afinal, de #mallices, já basta o twitter. 😛

Tudo de bom sempre.

P.S.

  • O Escriba escreveu em seu blog seus comentários sobre o Roda Viva, que ele achou morno. Já a Xará acha que os jornalistas fizeram feio, e o twitter deu de 10 na bancada que não fez o dever de casa. O Thiago acha que tudo correu bem e que devemos dar crédito ao Carlos Minc. O problema para mim com relação à entrevista residia no fato do ministro desviar muito do contexto principal das perguntas com sua carioquice extrema. Sou carioca, entendo “essax paradax enroladorax” quando vejo uma…


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