Menos uma resolução de 2007. Terminei de ler “The God Delusion”, do Richard Dawkins. Edição em inglês, não faço a menor idéia quando será publicado no Brasil. Embora acredite que nem tão cedo, dado o teor de desilusão do que ali é discutido. O livro é fabuloso, com uma lógica científica fantástica. A vontade que eu tenho é de comprar umas cópias e distribuir para meus amigos que gostam de “provocação mental”. (O Guto do antigo NCC, por exemplo, imagino que adoraria.)
Richard Dawkins, biólogo renomadíssimo da Universidade de Oxford (é dele também “O Gene Egoísta”, onde elaborou o conceito de meme pela primeira vez), se propõe nesse livro a discutir o até então considerado “indiscutível”: religião e a existência de deus. Sim, ele trata essa questão como “hipótese científica” e disseca todos os argumentos possíveis e imagináveis ao redor. Faz com maestria literária, incisivo até a última gota.
Lá pelo meio do livro, alerta para o potencial perigo do que fazemos com as crianças hoje em dia ao chamarmos as mesmas de “criança católica”, “criança budista” ou qualquer coisa assim: colocamos um rótulo no subconsciente da criança de difícil retirada depois, algo que ele considera tão pernicioso quanto assédio sexual, já que a criança não está preparada ainda pra tal escolha (não falamos criança marxista, por exemplo, e religião é algo tão complexo de se escolher quanto a vertente econômica). O certo para Dawkins seria chamar “criança de pais católicos”, etc. no que seria o ápice do politicamente correto. Para terminar, presenteia o leitor com um insight digno de um filme do Buñuel. É muito instigante, eu gostei.
Aliás, talvez por eu ser bióloga e ter estudado muito da argumentação “biológica” dele, o livro é de leitura fácil. Mas alguns filósofos e/ou estudiosos do assunto não saíram satisfeitos da leitura do mesmo. Falta aprofundamento filosófico, talvez. Eu, sinceramente, não percebi – mas, de novo, talvez seja pelo meu background.
O livro é definitivamente polêmico. Quer dizer, para o leitor (que é convidado constantemente a rever paradigmas), mas não na cabeça de Dawkins, para quem o assunto é mais claro que água de fonte natural. Eu diria que o livro é uma tentativa alentadora de abordar um tabu humano para leigos. Já que, primordialmente, dizemos que religião não se discute. Dawkins mostra que se discute, sim.
Só por essa quebra de tabu, o livro já bastaria. Mas ele tem muito mais riqueza argumentativa para merecer ser lido. Principalmente, independente de religião, credo ou filosofia de vida que a pessoa professe. O único pré-requisito é que seja lido com a mente aberta, com racionalidade, sem preconceito ou emoção exagerada. Vale cada linha do investimento.
Tudo de bom sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
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