Dia desses, depois de um dia no North Shore vendo o surfe, fomos num happy hour no bar de um hotel. Um dos muitos que existem por aqui. Pedimos, para variar, um típico mai-tai (uma boa receita aqui), que combina maravilhosamente com um fim de tarde gostoso e com um por do sol à beira-mar.

Quando o mai tai veio, achei estranho: estava em um copo plástico. Em geral, o drinque é servido numa taça de vidro ou numa taça de plástico-que-parece-vidro. Mas dessa vez era num copão “comum” mesmo.

Achei que podia ser pela proximidade do bar com a piscina do hotel, onde crianças não paravam de pular e correr e nadar. Copo plástico evita acidentes desagradáveis, sem dúvida – ninguém quer vidro quebrado em piscina. Mas aí rodei o copo e li a frase abaixo (desculpa a falta de foco da câmera do iPhone… 😀 ):

This container is made from corn and is 100% compostable. (“Este frasco é feito de milho e é 100% compostável.”)

 

Plástico de milho? E na parte debaixo do copo, um endereço em letras minúsculas: Styrophobia.com. Fui checar o website. Descobri ser de uma empresa havaiana que faz vários produtos de uso rotineiro com plástico biodegradável, feito de milho ou cana-de-açúcar. Uma empresa que nasceu do incômodo de 2 pessoas com a quantidade abusiva de plástico e isopor usado no Havaí – sendo aqui uma ilha, lixo é um problema sério para ser lidado. O estado ainda exporta parte de seu lixo para o continente, mas qualquer passo, por menor que seja, para diminuir a quantidade de lixo inicial gerado, é opção vista com bons olhos.

Sinceramente, não sei avaliar o grau real de sustentabilidade do plástico verde – já que, como bem lembrou a Isis, será necessário plantar (usar a terra…) em algum lugar para ter matéria-prima para produzir o tal bioplástico. Mas, frente as opções que temos atualmente de plástico via petróleo – e levando-se em consideração o quanto o mundo utiliza plástico e o tempo que campanhas de conscientização levam para fazer efeito de verdade – acho até que pode ser uma boa idéia temporária, meio que de “transição” (até o fim da era do plástico, em meu utópico sonho). Pelo menos, parece que já está em prática nos hotéis havaianos, mesmo com o preço um pouco mais salgado.

Mas o que mais me inspirou no Styrophobia não foi o bioplástico em si. Foi saber que a idéia partiu de pessoas comuns que viram um problema e não se contentaram apenas em sentar no sofá e reclamar: resolveram fazer a sua parte para tentar resolver o problema. Mesmo que errem em algum ponto (quem nunca errou que atire a primeira pedra…), e contanto que o erro não acarrete prejuízo ambiental maior ainda, pelo menos tentaram fazer algo! Admiro pessoas assim, com ímpeto inovador e força de vontade para agir frente aos entraves e circunstâncias da vida. São essas pessoas que fazem a diferença. Porque é da boa atitude delas que precisamos para lutar por um futuro mais ecoconsciente para as gerações que vêm por aí.

Tudo de bom sempre.

*********************

– Este não é um post pago. Após escrever este post, ganhei apenas algumas células hepáticas estressadas pelo efeito do rum do mai tai. 🙂

– Publicado também no Faça a sua parte.

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

Disqus Comments Loading...

Ver Comentários

Compartilhar
Publicado por
Lucia Malla

Artigos Recentes

Maioridade: 18 Anos de Uma Malla pelo Mundo

Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.

4 anos ago

Viagem pela memória da escravidão

Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…

5 anos ago

Por que nós dormimos

Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…

5 anos ago

Sexta Sub: 16 anos de uma Malla pelo mundo

Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…

6 anos ago

O fim de tudo

O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…

6 anos ago

Darwin dormiu aqui

Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…

6 anos ago