Quando falamos sobre visitar museus na Europa, a lista de opções sensacionais é infindável. Especialmente na Itália, onde a história está a cada esquina do país te dando um tapinha nas costas, e as obras de arte são praticamente lugar-comum. (Que a Patricia não me ouça nesta heresia…) Entretanto, era um pequeno museu no norte da Itália um dos meus sonhos museísticos na Europa: o Messner Mountain Museum (MMM).
Vista de Bolzano do Messner Mountain Museum.
O Messner Mountain Museum celebra todas as montanhas do mundo, em tudo que se pode imaginar relacionado a elas. Mostra as culturas que elas fazem florescer, os desafios de escalada das mesmas, a geologia das montanhas, a arte que brota inspirada nelas, o relacionamento homem-montanha que tanto fascina e amedronta. Para os que têm a febre do Everest, este é portanto um museu 100% must-go.
Mas este museu não é um museu apenas. Há seis filiais dele pelos Alpes, cada uma dedicada a um aspecto do tema “montanha”.
Fomos no MMM matriz, o primeiro a ser inaugurado. Este principal está localizado na parte sul do Tirol, em Firmiano. A cidade fica praticamente ao lado de Bolzano, perto da fronteira com a Áustria. Para chegar até o MMM, claro, uma pequena escalada. Afinal, o museu fica num castelo no alto de um morro. Este castelo, aliás, foi anteriormente a casa de Reinhold Messner, o alpinista (e arquiteto!) mais fantástico que o mundo já viu e fundador do Messner Mountain Museum. Em primeiro lugar, você vai de carro até um ponto da montanha. Subsequentemente, precisa enfrentar a subida à pé. Afinal, a experiência da montanha que o museu proporciona começa ali.
Entrada do Messner Mountain Museum, em Firmiano.
Era uma manhã ensolarada no dia da nossa visita ao Messner Mountain Museum. Depois de passar o portão principal do castelo, damos de cara com um jardim lindo – e em aclive. O jaridm está cheio de instalações, esculturas modernas e relíquias sobre a temática montanha. Estas obras são, em sua maioria, parte da coleção pessoal de Messner, angariadas portanto ao longo da vida escalando os picos do mundo.
Pinturas retratando Sir Edmund Hillary e Tenzing Norgay.
A partir do jardim, a visita – ou melhor, subida – pelo museu pode tomar diversos rumos. Há uma torre cheia de artefatos da cultura tirolesa e nepalesa, em salas cheias de ohm. Pode-se também ir na direção do anfiteatro. Depois de uma escadaria de ferro, o anfiteatro chega numa galeria com diversos quadros e mementos de expedições ao Himalaia. Além de um pouco da história das escaladas históricas da região. Duas grandes pinturas são as estrelas deste ambiente. Uma de Sir Edmund Hillary e outra de Tenzing Norgay, os dois primeiros alpinistas a chegarem ao cume do Everest. Sendo Messner quem é, entretanto, claro que há bastante crítica e reflexão em diversas mensagens sobre o atual estado do turismo montanhista, particularmente no Everest. Sobretudo o quanto o alpinismo atual diverge do purismo que Messner prega. Food for thought em alta escalada.
À medida que andamos pela galeria, estamos subindo vagarosamente pela propriedade, vendo encostas pedregosas e “penhascos” que dão a sensação de uma escalada. Até que se chega a um ponto onde podemos andar pela muralha do castelo, lá no topo. Esta subida, devagar e sempre, faz todo sentido com a filosofia de vida alpinista de Messner. O layout do museu tenta principalmente passar esta ideia para o visitante. Afinal, devagar e sempre se chega lá. Um passo atrás do outro.
Aos poucos descemos da muralha por uma série de escadas e estamos de volta ao jardim central. O museu é pequeno, mas incrivelmente gracioso. Para mim, subir cada degrau daquele castelo foi uma pequena aventura de emoções pela vida e paixão do alpinista incrível que Messner é. O Messner Mountain Museum foi acima das minhas expectativas (que eram mais altas que o Annapurna…). Recomendo muito a visita a ele para quem estiver pela região. Quem sabe você também não se inspira pelo amor que Messner dedica às montanhas do mundo…
Só não é recomendável para quem tem medo de altura. 😉
Tudo de bom sempre.
Detalhe em um dos degraus do castelo em Firmian.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
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Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
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Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…