“Olhando para a bola eu vejo o sol
Está rolando uma partida de futebol!”
Aqui no meio do Pacífico, a Copa tem acontecido durante as madrugadas. Há um esforço extra requerido para fãs como eu que querem curtir cada vuvuzelada. Nos primeiros dias foi até fácil acordar às 3 para ver pelejas sem fim (clássicos bragantinenses do naipe de Argélia x Eslovênia). E primordialmente vibrávamos a cada apito do juiz. Há jogos às 8:30 da manhã, o que também propicia uma novidade que estou adorando, o café da Copa. (Grão brasileiro e pão de queijo no menu.)
Mas, à medida que a Copa segue, o nível da empolgação das equipes cresce na proporção inversa à minha vontade de acordar. E o despertador toda madrugada recebe, portanto, mais xingamentos meus que repórter da Globo em coletiva do Dunga. Manter um ritmo decente durante o dia depois de tantas noites acesas tem se mostrado um desafio. As olheiras já estão no estilo zombie, enfim. Mas a animação a cada gol não se abate, e ficamos todos olhando a bola fixativamente. Porque treino é treino e jogo é jogo, como já dizia o filósofo.
Pra frente Brasil! 😀
Estádio da Copa 2010 em Cape Town.
Aliás, um alívio essa vitória do Brasil sobre o Chile ontem de manhã. Confesso que estava com medinho de que o time não se encontrasse nessa oitava, mas felizmente os amarelinhos conseguiram dançar no mesmo ritmo e balançaram o gol 3 vezes. Ufa. Agora é esperar na 6a de madrugada para um jogo que promete uma briga de tons irmãos: laranjas e amarelinhos. Que a Holanda saia no vermelho dessa aquarela.
Para mim, o melhor jogo da Copa até agora foi Inglaterra x Alemanha no último sábado. Ambos times mostraram como um jogo de futebol pode ser incrivelmente bem jogado e emocionante ao mesmo tempo, olhando a bola non-stop. Porque, afinal, EUA x Argélia foi até emocionante, mas bom futebol ali deixou a desejar… Mesmo com a super-garfada do juiz, que tirou um pouco da graça do jogo, a Alemanha mostrou um futebol impressionante.
Mas eu sou suspeitíssima para falar. Porque eu adoro o time alemão há várias Copas. Torci muito, vibrei com os gols do Mueller, e daqui pra frente, é para a Alemanha que vice-torço – porque em primeirão no alto do pódio de torcida está SEMPRE o Brasil. A festa mostrada na TV no Tiergarten em Berlin me inspirou a abrir o app do Lonely Planet da cidade e viajar em minha imaginação pelas esquinas de Prenzlauer Berg – com uma cerveja Berliner Weisse Grüne em mãos. Deu saudade.
(Aliás, eu acho o povo alemão super-animado. Tenho a impressão que sou a única desvairada que não os acho frios. Animação metódica e organizada, mas ainda assim, animação que se esbanja.)
Falando em animação, aos poucos parece que os americanos começam a se empolgar pelo esporte. Ou talvez apenas os que conheço, americanos que moram no Havaí. Ainda é uma empolgação muito ingênua e minoritária, mas interessada – e interessante. A atuação do time USA contra a Argélia despertou um sentimento lúdico no povo americano. De repente, enfim, eles perceberam que também poderiam participar dessa festa da bola.
É um engraçado imperialismo às avessas. Eles querem expandir seu território futebolístico, mas estão totalmente cientes da dominação de n+1 outras pátrias nesta batalha, sabem que dentro do estádio são uma mera colônia a ser explorada – mas que vagarosamente se rebela. Se divertem nesse jogo de aceitação humilde tão exótico para eles: na partida EUA x Gana, no último sábado, recebi alguns convites – tímidos, mas vá lá, convites – para festinhas organizadas, cafés da manhã com soccer e afins. Para um país que desconhece qualquer regra de impedimento, achei um avanço interessante tal mobilização.
Agora, para conquistar mesmo o público ianque, é só o time americano deixar de jogar que nem FIFA Soccer, e jogar futebol de verdade. 😀
Esta é minha 2a Copa no Havaí. Passei também aqui a de 2002, super-recém-chegada na cidade. E amarguei assistir à final sozinha, de madrugada, sem poder comemorar direito, já que, totalmente newbie in town, não conhecia ninguém. O Cafu levantando a taça sob a narração sem sal da ESPN e um silêncio fúnebre na madrugada honolulense. Chorei de emoção pelo campeonato e de tristeza, de não poder gritar “é pentacampeão!”. Foi um desses momentos que ficam entalados na garganta da gente.
E estou pronta pra desentalar. Comemorar um campeonato de maneira decente aqui em Honolulu, com toda a farra que o hexa merece. Luis Fabiano, Robinho, Lúcio e cia iltda.: por favor, não me decepcionem. 😀
Nem tem como ser do mesmo jeito de 2002 dessa vez, pra falar a verdade. Armada do twitter no celular, mesmo de madrugada e muitas vezes com sono, me sinto assistindo aos jogos numa praça do Rio de Janeiro, com todos os comentários, discussões engraçadas, xingamentos e gargalhadas pertinentes à situação – e a galera praticamente me acorda. Adoro a Copa em 140 caracteres. Adoro as fotos futebolísticas que o @mauriciodesousa posta, dou muitas risadas com as tiradas do @silvioluiz, com a galera amiga de todos os cantos do planeta vuvuzelando no background da transmissão. Puóóóóóóóóó!!!!!
Tem sido uma viagem.
Tudo de festa do futebol sempre.
*Frase da música do Skank , “É uma partida de futebol”. Que faz todo sentido, já que da varanda de casa temos visto os primeiros raios do sol quase diariamente, desde que começamos a manhã olhando a bola começou a rolar lá na África do Sul.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…
Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…
Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…
Ver Comentários
A imigração Hawaiana conseguiu barrar o contrabando daquele passaro exótico, o galvão? Nenhum 'tweet' por aí?
Lucia, maridon também sempre adorou ir pra Alemanha quando fazia voos internacionais. Adora as cervejas e o povo.
E eu, bom, tenho 50% de sangue alemão, e a família é *bem* animada e barulhenta. Sei disso de frieza, não.
;-)
Só não compartilho essa paixão toda por futebol, viu? Já se foi a época, era paixão de adolescente. kkk Até agora, só assisti um jogo. Nos outros dois, trabalhei. Não sei se vai dar pra assistir na sexta ou não. Juro que não sofro se não der. Fico ouvindo no background, mas nem comemoro os gols.
Ô, falta de patriotismo, viu???
S. Wayne, as aves que aí globorjeiam, não gorjeiam via ESPN, ainda bem. :D
(Gonçalves Dias acabou de se revirar no túmulo...)
Silvia, não sabia q vc era descendente de alemães! Q legal! Incrível como vc consegue ficar imune ao futebol. Eu não consigo nem morando num lugar em q não dão a mínima pra ele. Adoro Copa. :)
Beijos.
Menina, haja empolgacao pra acordar as 3 da manhã ! E contra a Argentina, eu sou Alemanha desde criancinha! Vamos que vamos!
Claudia, Deutschland über Hermanos! :D
Oi Lucia,
Eu estou na Nova Zelândia e adorei encontrar alguém que está num fuso um pouquinho mais próximo do meu.
Assistir os jogos de madrugada e assim de tão longe é de matar mesmo, mas super concordo com você que com o twitter a gente se sente mais pertinho de todo mundo e é super divertido!
Falando nisso, já te adicionei por lá.. ;)
Beijinho