Em nosso segundo dia em Bonito, depois de rapelar pelo Anhumas, fomos relaxar à tarde fazendo uma flutuação no rio Sucuri, outra atração imperdível de Bonito.

Rio Sucuri x Rio da Prata

É interessante quando a gente comenta sobre Bonito e fala das flutuações. Uma parte das pessoas acha que fazer somente uma flutuação na região é suficiente, pois todo o resto será “a mesma coisa”. Nada pode ser mais longe da realidade, pelo menos para os minimamente interessados em paisagens submersas.

Se no rio da Prata, há um cenário dramático com rochas, troncos, algas, areia e eventos inusitados como o Vulcão, no passeio pelo rio Sucuri vemos um domínio do verde intenso das plantas aquáticas por todo o percurso e da mata nas bordas. É claro, há troncos e rochas no fundo, mas a sensação de estar passando por um jardim submerso é muito mais intensa. O rio Sucuri me lembra o tempo todo uma grande tela natural de Monet em dezenas de experimentações de verde.

A trilha de acesso e a nascente

O passeio começa numa trilha de mata ciliar dentro da fazenda São Geraldo em área que foi transformada em RPPN. Depois de uma pequena caminhada sossegada, chegamos na nascente principal do rio Sucuri. A nascente parece um lago de lírios, tamanho o pontilismo dos tons de verde que vemos da plataforma de observação. Ali é proibido cair na água, verdadeira tortura, pois a visibilidade da água e a beleza do local convidam imensamente.

Nascente do rio Sucuri.

Reserve seu hotel em Bonito pelo Booking.

Alugue seu carro em Bonito com a RentCars. 

Proteja sua viagem a Bonito com um seguro de viagem da Seguros Promo, com 5% de desconto.


Flutuação no rio Sucuri

Depois da nascente, chegamos ao ponto onde a flutuação em si começa. Como era um dia calmo no Sucuri, tínhamos um guia dedicado para nós, o Kiko Canindé, um estudante de biologia bastante animado com o curso, que nos explicou com clareza diversos aspectos ecológicos e zoológicos do local. Caímos então na água – Canindé ficou no barco. No rio Sucuri, a flutuação é o tempo todo obrigatoriamente acompanhada por um barquinho de apoio (no rio da Prata isso só não acontece por causa de uma corredeira intensa num trecho do rio).

Uma Malla no rio Sucuri.

No rio, o cenário sub tem todos os tons de verde imagináveis, verdadeira aquarela de pintura. Há uma diversidade botânica considerável. Eu estava muito cansada do rapel no Anhumas de manhã, então usei o Sucuri como meu “spa” natural e flutuei como a voar por cima de um mar verde. Em diversos momentos inclusive abri os braços, para me sentir passarinha da água.

Mas o rio não era só relaxamento. Há trechos mais fundos e de correnteza um pouco mais forte, onde tive que gastar suada energia em braçadas na contra-corrente, aguardando o André, que fotografava o máximo possível e vinha atrás de mim no ritmo de fotografia. Mas mesmo tal “exercício” não comprometia meu estado psicológico geral de leveza e felicidade.

A mata ribeirinha

Mais ou menos na metade do passeio, o guia nos pediu para tirarmos a cabeça da água para ver um pássaro enorme. Logo depois, foi a vez de uma mamãe-lontra aparecer com 2 filhotinhos na beira da água. O sol estava delicioso iluminando a cena como no famoso quadro de Monet, e as lontras tomavam sol. Mergulharam então na água em velocidade de vapt-vupt, levantando uma poeira considerável do fundo. Mas nossa tarde já estava sorridente com esse encontro-surpresa.

Fomos flutuando em nossa velocidade. O fato de estarmos sozinhos na água colaborou para vermos mais detalhes do rio. Próximo ao final, aliás, o rio ficara mais cheio de partículas em suspensão, provavelmente devido à seca.

Depois do passeio terminado e já em terra, meus olhos ainda estavam enxergando as tonalidades esverdeadas que vira embaixo d’água. Não é todo dia que voamos sob um tapete verde molhado. Além disso, gosto de pensar que se Monet tivesse conhecido o rio Sucuri, sua série de quadros de flores aquáticas teria incluso visões submersas fenomenais.

Porque o quadro que a gente vê embaixo d’água ali no Sucuri é tão lindo e iluminado que deve ser guardado no recanto íntimo das artes da gente. Junto com as ninféias de Monet, onde as grandes belezas do mundo se tornam inesquecíveis.

Tudo de Bonito sempre.

P.S.

  • Os passeios da blogueira por Bonito em outubro/2008 foram apoiados (#ap) pela Bonito Brazil.

Booking.com

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

Disqus Comments Loading...

Ver Comentários

  • Lucinha, que lugar lindo e que transparente a água, nossa estou encantada, adorei a comparação com monet, lindo demais! Enchem os olhos com paz,lindo, lindo, lindo! Beijos

  • Pois é menina Lúcia.Adorei suas reportagens sobre o MS.Agora percebo o que perdi,quando morei por nove anos aí pertinho(Cuiabá).Parabéns...

  • já estive no rio sucuri e posso afirmar que as fotos acima, apesar de muito bonitas, não conseguem sequer se aproximar da real beleza que é estar lá e ver tudo com os próprios olhos.

  • Patsy, é lindo lindo lindo mesmo. Aliás, não sei por que Bonito chama-se Bonito. Devia se chamar Lindo. :D
    Helio, sempre há tempo para voltar... ;)
    Aminaro, concordo com vc. Tem q ir mesmo lá pra ver com os próprios olhos. É tudo muito lindo e único.
    Beijos aos 3.

  • Olá Lucia, vc consegue aproximar em palavras o que é uma flutuação no rio Sucuri, simplesmente fantástico, parabéns!

Compartilhar
Publicado por
Lucia Malla

Artigos Recentes

Maioridade: 18 Anos de Uma Malla pelo Mundo

Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.

4 anos ago

Viagem pela memória da escravidão

Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…

5 anos ago

Por que nós dormimos

Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…

5 anos ago

Sexta Sub: 16 anos de uma Malla pelo mundo

Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…

6 anos ago

O fim de tudo

O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…

6 anos ago

Darwin dormiu aqui

Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…

6 anos ago