“Se o mar tem o coral
A estrela, o caramujo
Um galeão no lodo
Jogada num quintal
Enxuta, a concha guarda o mar
No seu estojo”
(“A Ostra e o Vento”)
Este é talvez um dos versos que mais me tocam na minha música favorita do Chico Buarque, “A Ostra e o Vento”. Que é também o nome do filme para o qual a música foi composta. Um filme que quase ninguém gostou à época que foi lançado em 97, e que passou desapercebido pela maioria. Mas pelo qual me apaixonei profundamente desde que o vi pela 1ª vez. Ainda suspiro lembrando algumas cenas. Principalmente, a trilha sonora de Wagner Tiso. De um lirismo belíssimo, o filme conta portanto a história de uma adolescente que mora numa ilha isolada e que se apaixona… pelo vento. Um roteiro de poesia entranhada.
A menina é interpretada pela Leandra Leal de forma magistral. Há uma inocência de descoberta adolescente conflitante no olhar da atriz durante as cenas em que conversa e dança e namora o vento que são incríveis. Aliás, já diziam ali que Leandra Leal vinha pra brilhar (foi o primeiro filme da sua carreira). Não deve ter sido fácil se preparar pra contracenar com um “personagem” tão abstrato, e ela por fim o faz de maneira angelical. É de arrepiar.
E por que me lembrei deste filme?
Porque estou num momento-ostra. Preocupada apenas em produzir uma pérola chamada tese de doutorado, fechada em mim mesma, lapidando e concentrando. Como no filme, requer interpretação acurada da protagonista. Enquanto escrevo, um oceano de idéias me arrebata em ondas de ânimo, reflexão e experimentalismo – turbilhão incessante. Um mar de dados lapidados dentro de uma ostra encadernada, eis enfim a tese. E que uma hora será finalmente aberta, carregada pela maré até a praia, onde a ciência, vento arrebatador, poderoso e pra lá de apaixonante, finalmente a acolherá – e a espalhará.
“Ai, meu amor para sempre
Nunca me conceda descansar
Pai, o tempo vai virar
Meu pai, deixa me carregar o vento
Vento”
Tudo de (m)ar sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
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Uau!
Só vocês mesmo para tornar poético algo aparentemente tão árido como como uma tese de doutorado.
É por isso que sou seu fã!
Fique bem!
Que assim seja!
:)
Moises, puxa, que emoção as suas palavras! Muito obrigada de coração! :)
Allan, que assim seja! :)
Beijos aos 2!
Cara, sinto a mesma coisa sobre essa música e sobre o filme claro. grata surpresa encontrar alguém que como eu se apaixonou pelos dois.
Eu amo esse filme! :)