Parece incrível: não consigo passar uma semana sequer sem ler/saber de alguma notícia triste/deprimente sobre o futuro dos oceanos. E olha que tento procurar pontos de esperança, mas… Às vezes fica complicado, infelizmente.) A notícia triste desta semana vem de um estudo feito na Austrália com participação do NOAA-Havaí. Foi publicado no Current Biology e comentado neste artigo da National Geographic. Primordialmente, em um dos maiores pontos de desova de tartarugas-verdes do mundo, as tartarugas que vêm nascendo são em sua maioria – e põe maioria nisso! – fêmeas. Isso mesmo. Vai começar a faltar machos.
A razão para tal fenômeno não é novidade… O aquecimento global, enfim. As mudanças climáticas, ao aumentarem a temperatura oceânica e atmosférica, favorecem o nascimento de fêmeas. Isto acontece porque o sexo destes répteis é determinado pela temperatura em que seus ovos são expostos dentro do ninho. Sem temperaturas brandas, menos machos.
A constatação principal deste estudo já é desastrosa. Afinal, que população biológica sexuada não-partenogenética pode se sustentar no futuro apenas com fêmeas? Mas mais absurdo ainda é a informação que está mais pro final do artigo. A de que este fenômeno vem acontecendo já há uns 20 anos. Portanto, as tartarugas de águas mais quentes do Pacífico sul já são mais de 85% fêmeas.
A falta de machos é um problema até contornável artificialmente. Pode-se chocar os ovos em cativeiro, por exemplo, apesar de requerer uma trabalheira daquelas e uma grana razoável. Além disso, até agora este é um problema constatado apenas nas populações próximas da Austrália – o que já gera a pergunta imediata de quanto feminilizadas estão as demais populações de tartarugas de outros oceanos do mundo, incluindo a enorme população havaiana.
Mas confesso que a constatação (de novo!) de que nosso “futuro do presente” aquecido já está interferindo na vida de um réptil tão carismático de maneira quase irreversível é a mais difícil para processar. Me deixa de coração encolhido.
Adoro tartarugas. Vê-las calmamente nadando em sua quase-dança aquática ou descansando na praia é das visões mais marcantes e tipicamente havaianas que tenho. Das visões, aliás, que não me canso. É o tipo de memória que eu adoraria que as futuras gerações também tivessem. Mas pelo visto, isto é wishful thinking. 🙁
Tudo de mar sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…
Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…
Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…
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Que triste. Isto é irreversível, Malla?
Que perspectiva podemos ter?
Beijo, menina
Seria reversíve, Dê, se a temperatura abaixasse... mas como as previsões de mudanças climáticas não são de abaixamento - e sim de manutenção ou aceleração do aquecimento nesta região - acho que há pouquíssimo que se possa fazer, infelizmente. :(