Ecologia & meio ambiente

Sexta Sub: o caso do peixe-leão nas Bahamas

A notícia marinha da semana foi sem dúvida a que trouxe ao público o (antigo) problema da invasão de peixes-leão no mar do Caribe. O NOAA já tem um programa de educação ambiental para alertar sobre o quão danoso ao ambiente caribenho pode ser o peixe-leão. Afinal, ali ele não tem predadores e vem desequilibrando deveras o ecossistema coralino do Caribe (que, tão ameaçado, definitivamente não precisava de mais esse estresse). É uma espécie invasora.

Além disso, o peixe-leão se reproduz rapidamente, com cada fêmea produzindo cerca de 30,000 ovos por semana. É um peixe venenoso, mas como raramente ataca humanos, não há risco sério num mergulho se você vie um peixe-leão pelo caminho. E é impossível não vê-lo, como podem perceber na foto desta Sexta Sub, dado que ele mais se assemelha a um membro de comissão de frente de escola de samba carioca esbanjando exuberância fenotípica na ginga do mar. É a Unidos do Peixe-leão chegando na Sapucaí, gente! 😀

Sobre a invasão de peixe-leão no Caribe

O peixe-leão é nativo do Pacífico. A forma como chegou ao Atlântico também é ortodoxa, pra dizer o mínimo. Durante a passagem do furacão Andrew pela Flórida, em 1992, um aquário ornamental que continha 6 peixes-leão como “animais de estimação” (ou decorativos…) foi destruído pelos ventos, vazou para o mar e esses indivíduos caíram no Golfo do México. Foi o suficiente para eles se tornarem uma espécie invasora bem-sucedida, popularem o Caribe e o Atlântico Norte. Já foram vistos até em Long Island, perto de Nova Iorque. Os cientistas não têm idéia do tamanho da população que se encontra atualmente pelo Atlântico, mas acreditam que deter esta invasão é praticamente impossível neste ponto.

E por que esta notícia velha voltou essa semana a mídia? Porque a criativa solução encontrada nas Bahamas foi “formalizar” uma “aquacultura selvagem” do peixe-leão. Trocando em miúdos: organizaram um campeonato nesta semana para quem pescasse mais peixes-leão. Ao final da brincadeira, o peixe-leão virou fritada. Na realidade, este é o desejo da maior parte das organizações ambientais caribenhas: transformar o peixe-leão em item de supermercado e, em última instância, comida na mesa do consumidor. Isso mesmo, vão tentar pescar o máximo possível de peixes-leão. Tarefa hercúlea, pra dizer o mínimo. Good luck for them… [irony mode on]

Comércio de espécies exóticas

E há um outro lado desta história, que é o que envolve o comércio de espécies exóticas para aquarismo. Aqui no Havaí, por exemplo, há leis rigorosas para trazer qualquer animal que não seja daqui para um aquário ou zoo. Qualquer cão ou gato, por exemplo, é obrigado a ficar de quarentena no aeroporto (já ouvi casos de até 2 meses), imagine animais selvagens. Esta medida veio, claro, depois de um grande problema com peixes introduzidos aqui, principalmente o tucunaré. E se você quer ter um peixe exótico de um local longínquo no seu aquário em casa, o ideal seria que a lei fosse rigorosa para diminuir ao máximo a probabilidade de que um animal desse chegasse a um ambiente a que ele não pertence. Mas nunca é demais lembrar: acidentes acontecem. Furacões incluso. 😉

O Caribe, onde estarei mergulhando amanhã, entende bem isso agora.

Tudo de sub sempre.

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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Lucia Malla

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