Começa amanhã, segunda-feira, dia 18 de junho de 2012, o VI Congresso Internacional sobre Turismo Responsável. O evento já foi sediado em anos anteriores em Omã, em Belize, na Índia, no Canadá e na Cidade do Cabo, e este ano, nossa querida São Paulo é a sede – mais precisamente a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Serão três dias de discussões sobre os rumos do turismo em termos de ações de cidadania e responsabilidade social, econômica, política e ambiental. Soa bacana.

Por que turismo responsável?

Mas eu encasqueto com o termo, “turismo responsável”. Porque afinal todo turismo deveria ser encarado primordialmente com responsabilidade, por governos, turistas, oferecedores de serviço, etc. – e incluo blogueiros nesse balaio, quando indicam um passeio ou afim. Então acho meio estranho ter que adjetivar o turismo assim, “responsável”. Mas é claro, entendo o cerne do problema: o que a gente vê por aí de exemplos de turismo “irresponsável” com a população e o ambiente local não está no gibi. Infelizmente, o adjetivo se faz necessário.

A idéia do “turismo responsável” é focar na busca por uma melhor experiência e qualidade de vida tanto pro turista quando para o morador local, primordialmente encarando o turismo como uma indústria mais eficiente nesta busca e na diminuição da desigualdade sócio-econômica dos diferentes destinos. Em resumo, é a busca do turismo “sustentável” (outra palavra complicada…). E na prática, é o turismo em que todos ganham: destino, turistas, comunidade local, ambiente.


Leia mais sobre o que é o turismo sustentável.

Ações de impacto no turismo responsável

Mas turismo responsável (e sustentável) envolve na prática outros aspectos menos cheios de palavreado. Nós, humanos, impactamos o ambiente, esse é um fato praticamente indisputável. E não há situação de turismo em que não se impacte de alguma forma – não vivemos no vácuo, nossas ações sempre gerarão reações e consequências. Então, a meu ver, a questão que se coloca aqui é: como envolvidos no turismo, o que fazemos para diminuir esse impacto? Três tipos de ações surgem.

1) Ações individuais

Praticadas pelo indivíduo, turista, prestador de serviço ou membros da comunidade local. Exemplo: “serviços” que hotelaria, restaurantes e afins oferecem a seus clientes com o selo “ecológico” (ou qualquer coisa nesse sentido). Tipo, só trocar as toalhas do apartamento uma vez durante a estadia da pessoa, ou gastar menos tempo tomando banho, para economizar água.

2) Ações coletivas

Envolvem a comunidade local, o conjunto dos prestadores de serviço e/ou turistas. Exemplo: decidir empregar (ou se esforçar para empregar) em posições de destaque no gerenciamento de atividades turísticas pessoas locais e/ou que entendam o benefício prático real daquela atividade econômica para a comunidade local. (E empregar sem condescendência, que é uma das grandes pragas das políticas de “inclusão comunitária” no setor de turismo.)

3) Ações políticas

Envolvem todo o grupo dos envolvidos em turismo, exercendo sua cidadania e voz sobre as autoridades oficiais competentes, na busca de um resultado positivo para o destino em questão. Exemplo: comunidade e prestadores de serviço se organizam para pedir a declaração de uma área como parque municipal/estadual/nacional.

Entretanto, não dá pra pensar em turismo responsável com ações de apenas um formato. Há de se buscar uma harmonia entre os 3 tipos de ações. Afinal, de pouco adianta um hotel oferecer opções “ecosustentáveis” aos seus clientes, se foi construído sem consideração ao manguezal ao redor. Não podemos tampouco encarar a questão só no âmbito político – embora o comprometimento político com o sócio-econômico num nível macro seja fundamental e muito mais próximo da comunidade local, é necessário que as pessoas, principalmente os turistas, entendam que escolhas individuais no curto período em que visitam um destino também impactam o turismo como um todo e contribuem para seu sucesso, fazendo parte da equação geral por um turismo mais responsável.

O julgamento individual é determinante. Algo que considero um ato grave contra o ambiente pode ser muito menos impactante pro outro. É por isso que há leis regulamentando pelo menos o geralzão da coisa. Mas é claro que no final das contas, a escolha em muitas situações será do consumidor/prestador de serviço/comunidade local. Como a inexistência de impacto é uma utopia, busquemos o equilíbrio, tendo como objetivo o menor impacto social e ambiental possível.

Dicas para ser um turista responsável

Portanto, da próxima vez que for viajar, faça seu dever de casa antes: busque opções turísticas que levem em consideração a diminuição do impacto danoso nos mais diversos níveis. Pergunte, entenda como o turismo local funciona. E, uma vez no destino, preste atenção às nuances: os restaurantes usam produtos hortifruti locais? A comunidade local participa da atividade econômica turística ou não? O patrimônio histórico é preservado, assim como a cultura local, há leis para tal? Como é o trato ao meio ambiente? Seja, acima de tudo, um turista responsável.

Tudo de bom sempre.

P.S.

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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Lucia Malla

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