Há 3 anos consecutivos (ou desde que vencemos uma edição) venho mostrando aqui no blog as minhas fotos prediletas do Wildlife Photographer of the Year. Esta competição anual de fotografia de vida selvagem é organizada pelo Museu Britânico de História Natural. É o maior concurso de fotografia de natureza existente no mundo, e este ano contou com mais de 43,000 fotos concorrendo. Escolher entre essas 43,000 não é tarefa fácil, principalmente quando se chega lá pelas 1,000 melhores. Porque serão, nesta etapa, todas excepcionais, pode apostar. De qualquer forma, o selecionadíssimo júri escolheu as melhores. Para ver todas, portanto, recomendo muito que visitem o site e se deliciem com as fotos.
Como reza a tradição já consagrada, eis as minhas fotos prediletas entre as vencedoras deste ano.
Minha foto favorita do ano, hands down. Pelo ar de “On the road” que Britta Jaschinski conseguiu dar ao leão. Ele parece um personagem beatnik selvagem de um livro do Kerouac. Ou então saído de uma cena de “Na Natureza Selvagem” caso decidissem filmá-lo na África. A cabeleira, a textura, o branco & preto, a rebeldia do olhar, a postura “largada”… Enfim, uma foto perfeita. Amei.
Igor Shpilenok trouxe direto da Península do Kamchatka essa bem-humorada cena em “Respeito”. Seu gato e uma raposa, o encontro do selvagem com o domesticado, em meio a neve. Uma foto deliciosa pela história que traz consigo. Além da perpetuação positiva do chavão fotográfico “um clique que vale mais que mil palavras”. Que é o que interessa na maior parte das vezes, afinal…
Devo acrescentar também que diversas outras fotos vencedoras vieram da região do Kamchatka (ou do leste da Rússia). Nesta última semana o canal NatGeo passou um programa na TV, o “Wild Russia” sobre esta área inóspita do planeta. Que, se já estava na minha lista de top 10 destinos desejados a pelo menos uma década, agora está quase encostando na minha vontade enorme de conhecer a Namíbia… Acho que vou começar uma campanha aqui: “Mande a Malla pro fim do mundo: o Kamchatka”. Vocês ajudam a espalhar? 😛
Lawrence Alex Wu trouxe um olhar inovador e “refreshing” a um animal desprezado pela maioria do mundo sub: uma ascídia – que é um urocordado, de onde derivou a linhagem dos vertebrados. Ao abusar da lente super-macro, criou uma onda verde deliciosa pras nossas vistas. Amei, principalmente porque desbanca uma recorrente reclamação nos fóruns de fotografia animal de que só animal fofo ou com apelo mercadológico vence concurso. É a prova de que o que vence é criatividade, independente do animal.
Outro cenário “desprezado” pela maioria, mas que os olhos treinados de quem percebe a beleza nas pequenas coisas conseguiu captar com maestria. No caso, os olhos de Marlusz Oszustowicz. É a foto daquelas plantinhas espetadas que ficam na areia da praia, que ele transformou em pura magia abstrata. Uma foto-quase-pintura, em que eu (viajando na maionese) consigo ver referências ao mestre Duchamp.
Frédéric Larrey conseguiu fazer uma verdadeira pintura lisérgica dalínesca com essa imagem, ao fotografar por baixo um pescador coletando peixes de uma fazenda de criação dos mesmos. A foto foi “runner-up” na categoria “One Earth”, que prestigia imagens com temática ambientalista. A presença humana esbarra no tema, mas o que sobressai acima de tudo é o psicodelismo, a idéia de sonho onde os peixes são o personagem principal. Muito fantástica – ou melhor, realidade fantástica.
É isso aí. E vocês, quais preferiram entre as vencedoras?
Tudo de foto sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
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Deia malaaaaaaaa, que saudadeee. Eu gostei da (02), o gatinho botou o lobo pra correr!
Vê se vc lembra??? Um dia na praia... (que eu não lembro o nome, rs). Só sei que era em vitoriaaaa.
Estava eu, vc e mona sentados na areia e eu falei: como é Boston em inglês??? é CHITAUM? e começamos a rir sem parar... saudade de vitoria viu ;)
Sempre que posso visito o mallablog!
bjs do seu primo carioca, Andre
Andrezinho, sempre liiiiindo quando vc aparece aqui! :) :) :)
oi!
Lindas fotos!
Adorei navegar por elas.
bjssss
Algumas observações desimportantes:
"Seu gato e um lobo" - raposa... ou lobo foi uma metáfora?
"uma ascídia - que é um dos primeiros vertebrados que surgiram no planeta." - ascídia é um urocordado, não um vertebrado (vertebrados possuem esqueleto interno articulado).
[]s,
Roberto Takata
Oi Roberto, ambos vacilos meus, fruto de pressa: é uma raposa (mas pode servir de metáfora de "Pedro e o Lobo"...), e sim, ascídia é um protovertebrado - de uma linhagem de onde derivaram os vertebrados. Acho q aprendi como vertebrado, em 1900 e bolinha, though (estou velha). Mas valeu pelas correções. :)
Abraços.