Semana passada ocorreu um “evento” botânico no estilo Copa do Mundo, que só ocorre de 4 em 4 anos: a florada da flor-cadáver (do inglês “corpse flower“, uma Arácea da espécie Amorphophallus titanum).
Flor-cadáver.
Em Honolulu, o Foster Botanical Garden possui um exemplar da flor-cadáver na seção chamada delicadamente de Conservatório. Maior auê foi criado nos meios de comunicação, blogs e facebook porque depois de tantos anos, a danada abriu novamente.
O nome da planta tem tudo a ver. O cheiro ao redor da planta, no dia principal da florada, é insuportável, uma mistura de carne podre com lixo e esgoto, muito similar a um corpo em decomposição mesmo. Quimicamente, é o resultado da liberação de uma mistura do gás dimetilsulfeto com dimetiltrissulfeto, além de outros compostos sulfurados.
Óbvio, a flor-cadáver evoluiu tal odor possivelmente para atrair polinizadores, e a plaquinha do Foster falava de besouros (provavelmente da família Sarcophagidae) que eram atraídos por este cheiro. Felizmente, o dia mais intenso do fedor foi na 4a feira. Nós fomos vê-la na 5a de manhã, quando o cheiro já estava bem mais ameno. Na verdade, aliás, só sentíamos a podridão quando colocávamos o nariz bem dentro do copo principal da flor.
(Desconsiderem também a cara de quem acabou de acordar e foi cafungar um cadáver em forma de flor antes de ir pro trabalho…)
O cheiro é a característica mais reconhecida da planta, que tem também outras características bem excêntricas. A flor-cadáver é endêmica da Indonésia, mais especificamente de Sumatra. Além disso, é a maior inflorescência (conjunto de flores) sem ramificações do mundo botânico. A flor em si, aliás, é apenas esse tubo amarelo saindo do centro, e pode chegar a 70kg. Na foto ao lado, vocês podem comparar o tamanho da mesma com o meu tamanho. E olha que esta nem é das maiores flores que a espécie pode produzir. Neste link decerto dá pra ver uma bem maior…
A flor aparece uma vez a cada 3 a 5 anos, mas há indivíduos que ficam décadas sem florescer. Vários Jardins Botânicos do mundo possuem um exemplar da flor-cadáver. No Brasil, aliás, há um exemplar no Jardim Botânico de Inhotim, Minas Gerais.
Minha recomendação: se você estiver visitando uma cidade que tenha a flor-cadáver, e ela estiver florida… Corra pra dar uma cheirada nela. O odor não é nada agradável MESMO. Mas a oportunidade de ver tal raridade é um gol de placa na Copa do Mundo Biológica.
Tudo de flor sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…
Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…
Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…
Ver Comentários
Luciana, é mais um motivo mesmo. Eu não conheço Inhotim - falha grave no currículo viajante! Nada como um incentivo a mais... :D
Ahaha, será que ela atraí o tigre de Sumatra?
O cheiro é mesmo terrível!!!
Quando morava em Freiburg a Amorphophalus Titanun do Wilhelma de Stuttgart floresceu e eu visitei ela bem no dia do pico da floração.. Botanicamente uma experiência única mas o fedor é absurdo..
Por sinal segundo os boatos aquela era a maior flor da espécie que já havia florescido na Europa Continental rsrs
Em 2010 vi ela novamente mas ainda em estagio inicial de floração no Kew Gardens.. Digamos que a segunda experiência foi bem mais agradável ;)
Bjs
Que post legal, Lucia. Super interessante, um privilégio poder ver a flor. Fico feliz em saber que temos um exemplar de flora tão importante em Inhotim. Mais um motivo para ir lá visitar o lugar :-)
Gabriel, já pensou? :D
Oscar, o cheiro é insuportável, mas não ver no pico da floração talvez ajude mesmo a aguentar...
Bjs pros dois!