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Amazônia Azul

Responda rápido: qual o tamanho da área territorial do Brasil?

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Pois se você disse o que aprendeu na escola, que são os tradicionais 8,514,877 km2… você acertou – e errou. Essa é a extensão territorial terrestre do país. Acontece que existem mais 3,6 milhões de km2 de território marítimo que pertencem ao Brasil e que, adicionados ao tradicional número acima, nos dão uma área territorial total de 12,1 milhões de km2. A Marinha ainda pleitea na ONU a inclusão de quase 900,000 km2, referentes a duas extensões do litoral que vão além da plataforma continental e das 200 milhas náuticas de direito: a ilha de Trindade (ES) e o Arquipélago de São Pedro e São Paulo (que não pertence a estado algum da federação). Caso a ONU aceite o pedido brasileiro, nossa área total será de 12,951,766 km2. Dadas as proporções do território marítimo (42% da área nacional) e por ser maior que a Amazônia verde, esse pedaço esquecido dos livros escolares de geografia foi apelidado carinhosamente de “Amazônia Azul”.

É mar à beça.

Mapa da Amazônia Azul. A seta de cima indica a localização do Arquipélago de São Pedro e São Paulo. A seta de baixo, a ilha de Trindade. O círculo mostra a área de soberania ao redor do arquipélago de Fernando de Noronha e do Atol das Rocas. Repare no aumento considerável de Zona Econômica Exclusiva (ZEE) que o arquipélago de São Pedro e São Paulo permite ao Brasil.

Estrategicamente, esse aumento de 900 mil km2 gera uma possibilidade de exploração econômica (e incluam-se aí de petróleo à pesca) invejável perante outras nações mundiais. Para a economia brasileira, é importante garantir esse naco de água porque ele já é precioso em termos de produção e tem um potencial de geração de renda muito maior.

A ONU, em um dos itens da Convenção Sobre as Lei dos Mares e Oceanos, estipula:

“(…) The limits of the territorial sea, the exclusive economic zone and continental shelf of islands are determined in accordance with rules applicable to land territory, but rocks which could not sustain human habitation or economic life of their own would have no economic zone or continental shelf.”

Portanto, se uma nação quer clamar uma ilha-rochedo como sua, precisa mostrar à ONU que ela é habitável e que possui “vida econômica” – ou algo similar. O que faz a Marinha Brasileira então? Em Trindade, há uma base da Marinha e sempre um grupo de pelo menos 2 marinheiros “morando” na ilha. No Arquipélago de São Pedro e São Paulo, a Marinha dá todo suporte logístico para pesquisadores que, com projetos aprovados no CNPq ou afins, podem passar uma temporada de 15 dias na base científica da ilha angariando dados para seus estudos. Uma ajuda à ciência e ao mesmo tempo, uma ajuda estratégica ao país, para garantir que aquele pedaço de mar seja chamado de “nosso”. Ganham ambas as partes.

Tudo de mar sempre.

A soberania brasileira no minúsculo arquipélago de São Pedro e São Paulo. Vê-se na foto também a base científica da ilha e a antena parabólica que garante a comunicação.

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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Ver Comentários

  • Bem legal isso...acredito que o Brasil não ganharia só economico-politicamente, mas também na questão geo-ecológica. Que a ONU pense como nós...:)

  • Manu, ganhar na parte ecológica pode acontecer ou não. Ao mesmo tempo q ganhamos em área, perdemos pq a exploração aumenta. Mas não custa tentar... :)

  • Legal. Mas há algum outro país que calcule sua área territorial somando a extensão marítima? Parece-me que é convenção distinguir território como somente a extensão terrestre. Ou não?
    Grande abraço.

  • Juliano, não acredito q seja convenção, não. Mas há muitas disputas territoriais, conflitos e até guerras pelo mundo por conta de rochedos no meio do mar. (Dokdo é o exemplo q me vêm à cabeça agora.)
    Entretanto, a "inspiração" para esse post veio de um folder da Marinha Brasileira que me caiu às mãos, clamando exatamente essa extensão territorial a mais. Ou seja, embora não-declarada oficialmente pelo Brasil ou por qualquer outro país, ela é importante à beça para todos eles a ponto dos militares de certa forma "propagandearem".

  • Prezados Sr(s)
    - No presente momento, a minha colocação, não trata, exatamente, de um comentário despretencioso, pois, seu cunho, está mais para um colóquio de solicitação, tendo em vista que estou executando um levantamento de dados, a fim de providenciar a elaboração de um trabalho acadêmico e, para mais em breve, possuir bases possíveis à confecção de uma monografia com o enfoque jurídico (por isso a busca por mais meterial) quanto ao assunto em tela ("Amazônia Azul"). Tenho contudo e francamente, de entender que não devo ser nem omisso, nem descuidado - ou muito menos apático -, para me furtar ao registro de que, a colocação patriótica relativa da denominação estabelecida para o contexto do tema, foi o fator verdadeiramente motivador da presente opção; todovia, há de se notar, que, trata-se de uma questão ampla (onde as principais abordagens podem conotar - em qualquer dos seus pontos ou vertentes de indagação - desde a preocupação com a Ciência Política, no que tange à Relações Internacionais, até ao que é proposto pelos aspectos Estratégicos, com o cunho do pensamento da Defesa Nacional, envolvendo todo o cidadão brasileiro). Daí, o meu entusiasmo pelo significado deste assunto, bem como a idéia de compartilhar minha prococupação pelo fato de que, ao buscarmos conhecimento(s) sobre questões dessa (ou de igual) natureza, acabamos por somar para uma confiança e consciência nacionais e, mais precisamente, afirmando - e firmando - o nosso amor com a nossa Pátria, além demonstrar um o efetivo interesse por zêlar pelo patrimônio de nossa nação, para, evidentemente - naquele momento em que escolhemos nosso representantes -, possuir a sensibilidade pelas opções que se alinham com estes mesmos entendimentos. Derradeiramente, agradeço o espaço que serviu de oportunidade para as palavras aqui consignadas, e esclreço que sempre estarei fiel - e cada vez mais otimista -, para com todas as coisas que repercutam em prol do desenvolvimento de nosso país - contando, ainda, com a satizfação de observar, em iguais chances como esta, que somos muitos com um mesmo ideal: um BRASIL, cada vez mais desenvolvido, justo com a sua população, respeitado no cenário internacional e a sua soberânia, corespondendo às anciedades e tradições de um povo que possui uma história de glórias.

  • - Aprendí com os mais antigos que:"O ovo da pata, além de maior, é mais vitaminado que o da galinha. Mas é, também, menos comercializado ou vendável,pq a pata põe e fica calada, mas a galinha quando põe faz o maior estardalhaço, portanto, é o ovo que vende mais."
    Moral da história: a propaganda é a alma do negócio. Lutemos pois pela nossa "soberania azul".

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Lucia Malla

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