Essa semana, houve uma reunião da Comissão Internacional para Baleias em Ulsan, costa leste da Coréia do Sul, para decidir propostas gerais sobre caça às baleias. Como de praxe, baleia também é comida por aqui, e custa caro, é prato de grã-fino, etc etc etc. (O mesmo estigma da sopa de barbatana de tubarão, se vocês me entendem.) Houve vários protestos em Ulsan e em Seul, pois a proposta coreana especificamente soa meio surreal: criar um(a) ………………. (usina???? matadouro??? centro de processamento??? laboratório???) para fácil acesso a(o) fornecimento/coleta (???????) desses mamíferos. Como se você pudesse fazer um cercadinho ou um aquário e enfiar uma baleia dentro (ou várias!), e ela ficaria lá, tranquilinha nadando. Me engana que eu gosto. (Na realidade, acima de tudo, eles estão brigando pelo direito à caça das baleias, que está suspensa depois de muito lobby japonês. Vitória dos cetáceos!)

Eu prefiro nem comentar muito esse assunto, porque essa voracidade asiática em comer tudo que vem do mar – literalmente TUDO – é um traço cultural difícil de apagar, e tenho receio de que só será apagado quando for tarde demais: quando os grandes animais já tiverem sido extintos. Além do que a desculpa de sempre (“não sabemos ao certo como anda a dinâmica da população de baleias, elas podem estar em grande número, bla-bla-bla”) é para mim conversa para ruminantes dormirem ou para países poderem caçar à vontade um bicho que está ameaçado. Ou ainda a desculpa mais cara-de-pau de todas: vamos coletar apenas ALGUMAS baleias para pesquisa científica “séria”. Esse “algumas” torna-se logo um baleicídio. E engraçado que outros países pelo mundo (incluindo o Brasil) pesquisam baleias e nem por isso precisam coletar/sacrificar vários indivíduos… mas Japão, Noruega, Coréia, China e cia. ltda. precisam coletar o animal e sacrificá-lo, senão não conseguem fazer ciência. Por quê será, hem? Entenda essa lei do mais esperto como quiser.

Enfim, na tentativa de fazer um escarcéu contra isso, a novidade é que o Greenpeace blogou a semana inteira direto de Ulsan, onde montaram uma “Embaixada das Baleias”. A idéia é a cara dos protestos ecoxiitas do Greenpeace mesmo, e vale a leitura pela causa ambiental. (Aliás, o blog do Greenpeace é bem interessante e tenho me perdido por ele.)

Sinceramente? É difícil acreditar que um ser humano que veja essas cenas aí embaixo ao vivo e a cores, pela TV, pela Internet, por onde for, possa depois querer comer sua carne, por mais gostosa que seja. Baleias são bailarinas do mar, dançam em suas navegações pelo mundo… Deixem elas curtirem a vida em paz!

Susto no barco ao ver essa “visitante inesperada” pro almoço.

Tudo de bom sempre.

*Para mais fotos de baleias, visite a galeria da ArteSub.

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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Lucia Malla

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