Japão

Lost in translation em Shibuya

Lost in translation em Shibuya, o cruzamento mais famoso de Tóquio.

Talvez seja o fato de que já morei na Ásia por um tempo. Talvez seja minha sede pelo novo de uma cidade. Ou talvez seja por que trabalho com alguns japoneses, e seu modo de pensar e viver já seja um costumeiro conhecido. Talvez ainda seja por ter convivido com tantos japoneses-brasileiros em São Paulo.

Shibuya em 1953. Esta foto ficava exposta dentro da Tsutaya, uma loja gigante de cds no Shibuya crossing.

Não sei ao certo, mas o fato é que, no primeiro minuto aqui em Tóquio, me senti como se estivesse voltando pra casa, nos tempos de Coréia. Uma sensação engraçada, da tranquilidade de algo familiar mesmo tão diferente.

Lost in translation no Japão

Desencanei de sair do aeroporto de Narita Express. Peguei o metrô mais lerdinho, que passa e para numas estaçõezinhas pequenas. Estas estações me lembravam muito as que precediam Ansan, onde morei nos arredores de Seul. Aliás, só não desci porque estava com minha mala. Vilarejos com plantações, pequenas cidades com organização primorosa, nos arredores de Tóquio. E de repente um moinho de vento holandês se mistura à paisagem. Incrível o melting pot que Tóquio é. Um senhor velhinho, por exemplo, lia mangá sentado ao meu lado.

Nesse melting pot de convergências bruscas, o melhor da viagem é portanto se perder. Andar pelas ruas do Tóquio ao léo, observando principalmente a juventude super-trendy-fashion, que lança modas e expõe estilos únicos como quem toma um chá verde na esquina. Os jovens-mangás, convivendo lado a lado com templos e jardins serenos. Tóquio é essa batalha diária entre o velho e o novo, onde quem sai ganhando são os que apreciam a diversidade. Há serenidade no borbulhar dessa gente. Há tradições no olhar coberto pelos grandes óculos escuros da moda. E há ainda mais contemplação em meias coloridas. Tóquio é contradição.


Visite um bar no Shibuya de all-you-can-drink sake pagando em real.


Lost in translation em Shibuya, o original

Para observar esta característica contraditória de local-global da cidade, fui ontem jantar no Shibuya, onde fica o famoso cruzamento que aparece no filme “Lost in translation”. Ali, naquela esquina cheia de vitalidade, é sua chance maior de permanecer sem querer entender muito o que se passa ao seu redor. Sua chance de aguçar os sentidos e vibrar junto com a agitação da galera, dos outdoors luminosos, da urbe, com aquele universo tão longe de mim e tão perto enfim da modernidade. É local para se mesmerizar. Vestir sua carapuça de cidadão do mundo, portanto, e se deixar levar pelos cosplay tomando uma green-cola (e green aqui não é piada de greenwash: é coca-cola de green tea mesmo).

(Ou passando creme de “yerba maté”.)

Entrei e saí de diversos prédios no Shibuya, tentando absorver um pouco de tanta informação que a cada segundo chegava aos meus neurônios. Jantei então uma salada verde com gyoza e o melhor molho possível, que não faço idéia do que seja. Comer lost in translation. Beber lost in translation. Estar lost in translation. Se perder lost in translation.

Viver lost in translation.

Tudo de lost in translation em Shibuya sempre.

P.S.

  • Esse post saiu porque o jet lag é meu amigo de fé, irmão-camarada. Que me faz, portanto, estar acesa às 3 da manhã. Estar no Japão também é estar lost in time, que delícia. 🙂
  • Para mais posts sobre viagem ao Japão, então clique aqui.


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Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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Ver Comentários

  • Delícia de post. Me deixou aguada pra visitar. Nunca fui ao Japão. E tbém AMO lugares novos, gente diferente, cultura diferente. Aproveita muito! Beijos.

  • Andréa, e essas são só minhas primeiras impressões... ;)
    Esse lugar é muito maluco, mto 10.

  • Lucia ainda não chegamos a visitar o Japao, mas como um dia moraremos novamente na Asia não faltaram oportunidades.. Tóquio me parece uma cidade mais que frenética em o tradicional e moderno convivem lado a lado.
    Aproveite bastante a viagem!!

  • Eu sei bem o que é viver "Lost in translation". :-)))) Finlandês é um idioma que eu jamais teria capacidade de aprender. Hehehe.
    Eu tenho vontade de conhecer o Japão, conhecer o passado da minha família. Tenho parentes lá. QUem sabe um dia? Enquanto isso, vou conhecendo pelo seu blog.
    Bjos!

  • Pois Lost in Translation é um dos meus filmes preferidos...adoro. E fiquei emocionada aqui com a foto do cruzamento famoso, com a tua percepçao (que é um pouco minha, somos bem parecidas neste ponto) do todo, com a animaçao de estar perdida num lugar desconhecido.
    Aproveita.
    Um beijo enorme

  • Mauoscar, onde vc morou?
    Chris, sabe q eu já tentei aprender finlandês? Eu era adolescente e tive q fazer um trabalho sobre a Finlândia, aí me empolguei, mas é óbvio q não consegui nem aprender o basal, né... é mto difícl, parecido com o húngaro.
    Virginia, e ainda estou em jet lag! :D
    Alline, eu tb adoro esse filme, embora confesse q da 1a vez q assisti fiquei meio com cara de nada no final. Leva um tempo pra captar, eu acho. Mas hj adoro.
    Beijos a todos.

  • Fantástico esse post. Parabéns! Vou pra Tóquio na próxima semana totalmente sem programar.
    Beijos!!!

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Lucia Malla

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