Eis que a erupção do Kilauea, na Big Island, tem dado mais um de seus fenomenais – e únicos – espetáculos de fogo nos últimos dias. Na cratera Halemaʻumaʻu, dentro da caldeira do vulcão, o lago de lava há mais de um século não chegava na altura em que está hoje no Havaí. Em alguns momentos neste último fim de semana, especificamente na madrugada de 2 de maio de 2015, a lava derramou pelas bordas da cratera.
A cratera que na realidade é uma cratera-dentro-da-cratera, ou um vent. O Kilauea tem uma grande caldeira, dentro da caldeira fica a cratera de Halemaʻumaʻu. Dentro desta cratera, outra “mini-cratera”, que é onde está o lago de lava atual. O Kilauea também tem outra cratera ativa, a Puʻuʻoʻo, que fica mais ao leste. É desta outra cratera que sai a lava que atualmente está parada perto da cidade de Pahoa.
E adivinha onde André e eu estávamos nesta mesma madrugada de 2 de maio? Acertou quem respondeu: na borda da caldeira do Kilauea! 😀
Não foi total coincidência. Na quarta-feira, vimos no jornal local a notícia da erupção na cratera Halemaʻumaʻu com os detalhes únicos do fenômeno que ocorria nesta semana. Decidimos então viajar até a Big Island na sexta-feira à noite para ver tal erupção histórica. O jornal, contudo, falava em milhares de pessoas visitando o parque à noite.
Então nos planejamos para ficar a noite toda pelo Jaggar Museum, que é o ponto mais visitado do Parque Nacional dos Vulcões do Havaí. Dali, se tem decerto uma vista excelente da cratera de Halemaʻumaʻu. A coincidência ficou pelo derramamento de lava ocorrer exatamente quando estávamos lá. Porque afinal ainda não dá pra prever onde a lava estará nem quão perto da superfície.
A noite estava linda. Lua quase-cheia, vento soprando a fumaça da lava pra longe da gente. Além disso, poucas nuvens no céu, que estava super-estrelado. Praticamente não há luz elétrica no Jaggar Museum à noite, apenas nos banheiros e uma luz beeeeem fraquinha próxima ao chão no estacionamento. A ausência de luz permite portanto que todo o glow da lava do vulcão fique ainda mais encantador. Fica realçado no fundo totalmente preto da noite com apenas o glitter das estrelas e a fumaça vermelha subindo. De arrepiar cada fio de cabelo do corpo de tão lindo e emocionante!
Como esperado, muita gente estava no Jaggar Museum quando chegamos lá, por volta das 11 da noite. O clima entre todos era sensacional. Apesar do frio intenso de quase zero, muitas risadas e sorrisos impressionados. Muitos cliques cheios de “oooohs” e “aaaahs” cada vez que um pedaço de rocha explodia.
E não eram apenas turistas embasbacados. Sabe quando moçadinha fica ao redor de uma fogueira à noite jogando papo fora e ouvindo o barulho da natureza? Pois em Hilo, por esses dias, o point da madrugada da galera parece ser a cratera iluminada, onde o espetáculo-fogueira é constante. Não dá pra criticar a escolha da moçada.
Ficamos a noite toda no Jaggar. Entre 3 e 5 da manhã, porém, o movimento de pessoas diminuiu bastante. Mas não cessou. Aproveitei então para tirar um cochilo rápido no carro. E lá pelas 5:30 da manhã, o estacionamento voltou a lotar.
À medida que o céu começava a ser pintado com as cores do dia, a textura e o contorno da cratera ficavam mais nítidos. E o glow tão lindo, enfim, ia esvaindo. Quando finalmente amanheceu, e apenas a lava amarela continuava a borbulhar sem parar, decidimos que era hora de dizer “até o próximo espetáculo” ao Kilauea. Com os olhos suspirando de felicidade por termos presenciado afinal tanta beleza e força imponente da natureza.
E anteontem, dia 03 de maio, à tarde, uma das paredes do Kilauea colapsou e causou uma explosão enorme. Que também foi capturada pelas webcams do parque nacional. Para quem curte, a livecam da cratera Halemaʻumaʻu esses dias tem estado bem quente. O vídeo desta explosão na cratera feito pelo US Geological Survey:
Simplesmente SENSACIONAL!
Se você está pelo Havaí por estes dias, eu não tenho outra dica a não ser: vá ver o vulcão antes que ele comece a desinflar de novo (o que também não dá pra prever quando acontecerá). Você não se decepcionará.
(E #ficadica eterna: sempre olhar as condições atuais da erupção e da lava antes de marcar qualquer ida ao Kilauea. Afinal é fundamental saber exatamente qual a melhor forma de ver a lava no dia da sua visita.)
Escrevendo este post, me peguei pensando na história do Kilauea que já presenciei nesse tempo de Havaí. Da primeira vez que fui ao parque, em 2002, a erupção era só na cratera Puʻuʻoʻo. Naquele momento, a cratera do Halemaʻumaʻu estava silenciosa. Era a época que ainda se faziam trilhas até a borda da cratera-da-cratera.
Da segunda vez que fui ao Parque dos Vulcões no Havaí, a lava escorria no mar a uma distância próxima (entenda-se “andável”) ao fim da Chain of Craters Road. Fizemos até um piquenique “à luz da lava”! E a cratera Halemaʻumaʻu continuava parada.
Em 2007, pequenos lagos de lava apareceram próximos a cratera Puʻuʻoʻo. E em 2008, a cratera Halemaʻumaʻu entrou de novo em erupção. Com o lago de lava láááá no fundo, só garantindo que víssemos fumaça do Jaggar Museum.
Depois disso, fui ver a lava do vulcão mais outras tantas vezes. Numa delas em 2013 caindo no mar, quando a distância já não era mais andável, a não ser para aqueles que curtem trilhas longas em terreno quebradiço. Pegamos então um barco para ver de perto. Que é, de longe, a melhor experiência que tive com a lava. Desde então, a lava parou de cair no oceano. Começou a escorrer para Pāhoa (e vi um pedaço dessa tragédia de helicóptero ano passado, num passeio com amigos ilustres).
Hoje, a cratera Halemaʻumaʻu do vulcão, que vi praticamente morta em 2002, está dando esse show todo de atividade. Não consigo segurar o suspiro prolongado só de lembrar que presenciei toda essa progressão de atividade de perto… Um sonho de criança realizado, enfim. 🙂
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Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…
Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…
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Ver Comentários
Que sonho Lucia. Babei no seu post. Bjs
Sonho mesmo, Flora! Foi lindo!!!!
Olá. ..visitei mto seu blog antes de finalmente ir ao Havaí ...passei pelo kilauea aproximadamente 1 semana antes da erupção e mal pude acreditar qdo já no Brasil tive notícias do q estava acontecendo. ..Se eu estivesse perto c ctz voltaria para ver... e qto ter visto a lava caindo no mar vc foi mto privilegiada!! Qria mto ver tb, mas n deu... bjo e aloha!! (Já c sdd do havaí )
Olá Marilia! Obrigada pelo depoimento, fico sempre muito feliz em saber que meu blog ajudou um pouquinho que seja na sua viagem ao Havaí! :) Sabe que a lava do Kilauea já está diminuindo de novo? Foi só aquela semaninha mesmo... esse vulcão é mesmo muito temperamental! Aloha e volte sempre! :)
Muito legal Andreia !!! Que espetáculo !!!! Um dia ainda visito esse lugar lindo.
Ah!!! Venha mesmo, Mabinha! Lugar pra ficar vc já tem garantidíssimo!!! :)
Que máximo Lu!!! Queria tanto ter visto a lava do Kilauea escorrendo para o Mar mas quando estivemos ai o fluxo estava começando a escorrer em direção Pahoa.. Tudo de lava sempre!! Bjs
Oi Lúcia!
Tenho lido seus textos sobre o Havaí, muito bons! Vou para lá mês que vem.
Quanto ao Killauea, caso a Lava esteja caindo no mar, a trilha sai do Jaggar Museum? Quanto tempo de trilha?
Caso não esteja, o ponto de partida é sempre o Museu?
Obrigado!
Olá André! Neste momento a lava não está caindo no mar, e sim num ponto super-afastado do parque - uma caminhada de umas 6hrs pelo menos. Para ver a lava antiga perto da praia, basta ir de carro até o final da estrada e andar depois. Do Jaggar Museum saem as trilhas de montanha, que andam pela cratera e pelo lava tube. Espero ter ajudado. Aloha!