Comprei este livro (“Where the Hell is Tuvalu?“, por Philip Ells) usado a 1 centavo de dólar (de verdade!) pela Amazon num dia em que estava atrás de informações curiosas sobre Tuvalu – é, tenho estes hábitos bizarros. O custo foi o atrativo chantilly, porque a leitura das aventuras em primeira pessoa de um advogado no meio desta ilha do Pacífico por 2 anos já me cheirava a diversão na certa.
Não me enganei. O autor é Philip Ells, um advogado mediano na Inglaterra, que resolve mudar de vida e conhecer o mundo. Para tal, se inscreve a uma posição vaga: advogado-geral do Povo de Tuvalu (do país inteiro!).
No livro, ele conta tudo, desde sua decisão, os primeiros dias, a rotina na ilha, os perrengues e as delícias da vida em Tuvalu. Há muito de choque cultural em cada página, mas Ells escreve com um humor britânico bem ácido, então a leitura se torna engraçada em certos momentos, mesmo de assuntos consideradas “trágicos”.
Dos capítulos que mais me chamaram a atenção, destaco o que conta sua ida às ilhas próximas do atol, quando tem contato com a real cultura dos Tuvaluanos, e o capítulo sobre um assassinato que ocorrera num bar da cidade de Funafuti, capital de Tuvalu. O assassinato em si é triste. Mas a forma como Ells e os próprios Tuvaluanos reportam toda a situação dá ao livro um colorido cultural interessantíssimo.
Ells retém um certo status em Tuvalu, por isso é tratado com certa reverência. Por exemplo, ele divide o casebre em que mora com outros 2 estrangeiros. Há revelações reflexivas: o país não conta com um hospital mental, então os pouquíssimos que são diagnosticados com doenças mentais vão para a cadeia, junto com prisioneiros. Há também curiosidades, como os percalços com a língua por exemplo. Ou a vida que gira ao redor do dia em que o barco virá com mantimentos e goodies. Ou ainda a visita a Kiribati, que revela diferenças culturais abissais entre as 2 populações, apesar de vizinhas.
É um livro de entretenimento, para horas de relax. Mas que traz uma pitada de conhecimento interessante. Eu recomendo aos interessados por ilhas, viagens, e principalmente culturas do Pacífico.
Tudo de bom sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…
Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…
Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…
Ver Comentários
Fiquei morrendo de vontade de ler o livro. Pior é que fiquei morrendo de vontade de morar em um lugar desses também, pena que não sou advogado :(
Oi Igor, acho q não precisa ser advogado... mas precisa ter muita vontade de ir pra lá. O lugar é fora de qualquer roteiro e mais, pelo q consta no livro, parece parado no tempo. Mas seria uma aventura e tanto. :)